sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que é ansiedade afinal?


* por Patricia Gebrim


Muito se fala sobre a tal ansiedade, mas o que é ansiedade afinal? Para escrever este artigo, saí por aí perguntando às pessoas, e reproduzo abaixo algumas das respostas que obtive:

- É uma agitação interna, um desconforto.
- É uma coisa que se agita no meu estômago.
- É quando eu sinto vontade de sair correndo para fazer algo... só não sei o quê.
- É uma espécie de nervosismo, me dá um tremor.
- É uma coisa que não me deixa em paz, me faz sentir mal.
- É quando eu sinto que algo ruim vai acontecer, mesmo sem saber o que poderia ser.
- É algo que eu sinto quando estou esperando muito por alguma coisa.
- *É um monstrinho caolho que não pára de se mexer
* Ok, eu assumo... esta resposta foi minha mesmo!
Com certeza você já se sentiu ansioso um dia. Você consegue se lembrar da última vez em que se sentiu ansioso? Talvez esteja se sentindo assim agora mesmo.
Bem, pense comigo... dizer que sentimos ansiedade não refresca em nada o nosso entendimento sobre o assunto. O que é ansiedade afinal? Se você observar bem, vai perceber que a ansiedade não é algo que eu possa nomear claramente - um sentimento como a RAIVA, por exemplo. Se estou com raiva, sei exatamente que sentimento é esse. O mesmo com TRISTEZA, CIÙME, INVEJA. Perceba, esses sentimentos são claros para nós, mas a ANSIEDADE é sempre nebulosa, e como não conseguimos de fato tocar seu significado, nos sentimos mais facilmente aprisionados por ela.
É como um véu que cai sobre nós, que atrapalha nossos movimentos, que nos rouba o ar, que cega nossa visão. Logo, o primeiro passo que precisamos dar para nos libertarmos, é retirar o véu e dar uma boa olhada na cara dessa tal ansiedade. Venha comigo, vamos puxar a ponta desse véu juntos e ver o que se esconde lá embaixo?
Bem, dei uma boa puxada e vi claramente um monstro meio caolho, ele tem uns cinco pés que não param de se mexer... e de cada braço saem quatro mãos que ficam o tempo todo a controlar todas as coisas. Ele quer, ao mesmo tempo, praticar cooper, anotar coisas, escrever um livro, digitar um texto no micro, coçar a barriga e apontar o dedo assustadoramente na minha direção por estar expondo-o dessa maneira. Uau... é uma visão e tanto!!!! Assim é a ansiedade, e a primeira palavra que me ocorre para falar do tal monstrinho é a palavra CONTROLE.
A ansiedade está diretamente relacionada à nossa necessidade de ter controle sobre tudo. Queremos ter controle não só do que pensamos, somos e fazemos, mas também controle sobre o que os outros são, pensam e fazem! Queremos ter controle sobre o que vai nos acontecer e, se bobear, queremos ter controle até mesmo sobre o tempo! (Você já percebeu como às vezes sofremos pensando se fará sol ou não no fim de semana?)
Quanto desperdício de energia!
Bem, se fosse só desperdício de energia, até que não seria tão mal... mas o fato de querermos ter controle sobre coisas que não podemos controlar (porque não podemos controlar a vida, certo?) faz com que a gente comece a sentir... MEDO! Funciona mais ou menos assim...
Sara começa a namorar Roberto, que parece bem bacana... Os dois têm saído juntos e se divertido muito, sentem uma afinidade entre eles, riem juntos, simplesmente curtem os momentos a dois... até que recebem um convidado inesperado... um certo monstrinho caolho, cheio de pés e mãos que se movem o tempo todo. O monstrinho faz Sara pensar em todas as coisas que ela quer que aconteçam, e em como ela quer que aconteçam bem rápido... “JÁ”, de preferência!
Então Sara começa a achar que Roberto TEM QUE SER o homem de sua vida.
(perceba, não é que ele possa ser... ELE TEM QUE SER!!!!)
Ela começa a achar que só vai ser feliz se Roberto ficar com ela até que a morte os separe. No mesmo instante em que começa a querer muito isso, passa a querer controlar as situações de vida para que isso aconteça. Começa a observar se Roberto está sentindo o mesmo que ela, e começa a sentir MEDO de que não seja assim. E aquele romance, inicialmente leve e gostoso começa a ficar tingido pelo peso do controle e pelo medo do término. E Sara olha no espelho e vê em si mesma a agitação de mil pés e mãos, querendo agarrar E CONTROLAR o futuro, com MEDO de não conseguir... e a isso chamo de ansiedade.
Nada disso aconteceria se ela não tivesse tanta preocupação com o que aconteceria no futuro, se curtisse os momentos gostosos, e só. Porque, afinal, é a única coisa que ela pode mesmo fazer. Quem pode nos dar qualquer garantia do que está por vir? Quem pode nos dar certeza de que encontramos a pessoa dos nossos sonhos, ou que essa pessoa estará lá para sempre, ou que estamos no emprego perfeito, ou que...
O mesmo acontece em inúmeras situações. E nos sentimos ansiosos porque queremos que o nosso emprego seja perfeito, e porque queremos que não chova amanhã, e porque queremos que as coisas se resolvam da forma como imaginamos, exatamente no prazo que imaginamos. Parecemos crianças exigindo que a vida se dobre a nossos desejos! Queremos que TUDO seja exatamente como queremos! E ficamos ansiosos. E sofremos.

EXIGIMOS QUE A VIDA SE DESDOBRE COMO UM TAPETE AOS NOSSOS PÉS.
Não temos a humildade de confiar na vida, de confiar que tudo acontece da melhor maneira. Não conseguimos simplesmente fazer o nosso melhor e nos contentar com isso. (Percebam, eu não estou sugerindo que a gente simplesmente cruze os braços e se deite sob uma palmeira esperando a vida resolver os nossos problemas! Sim, devemos fazer os movimentos necessários, fazer o nosso melhor. Mas feito isso... precisamos aprender a entregar à vida o nosso futuro, porque é assim que é, gostemos ou não.)
Ouça essa verdade: A vida é feita de incertezas, e enquanto não aprendermos a aceitar isso, seguiremos por ela ansiosos, sentindo o hálito quente de um monstrinho caolho bem atrás de nós!

* Patricia Gebrim é psicóloga e escritora.

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