segunda-feira, 27 de junho de 2011

Alimentos inteligentes podem adiar envelhecimento e fortalecer memória


Um prato de comida especial, com alguns nutrientes importantes, pode ser o primeiro passo para tornar o cérebro ainda mais poderoso, retardando o envelhecimento mental, segundo Jean Carper, uma das maiores autoridades norte-americanas em saúde e nutrição,.
Dependendo do que se come, é possível otimizar a memória, a inteligência e até o humor. A idéia de que o funcionamento e a capacidade do cérebro podem ser melhorados, graças aos alimentos e suplementos ingeridos, é defendida por Carper no livro "Seu cérebro milagroso".
O potencial do cérebro pode ser aumentado ao longo da vida, segundo Carper. O funcionamento e a capacidade do órgão podem ser melhorados, graças aos alimentos e suplementos ingeridos.
Mas nem todos concordam com essa idéia. Para a nutricionista brasileira Monique de Moraes, mestranda da Universidade Federal Fluminense, é difícil afirmar que os alimentos sejam capazes de ativar as funções cerebrais.
"Há muitos estudos com animais que sugerem isso, mas acho temeroso dizer o mesmo em relação aos seres humanos," disse. "Sem dúvida, porém, a alimentação pode ser importante não apenas para a atividade do cérebro, mas para o equilíbrio de todo o corpo."
Cuidado com o excesso de vitaminas!
Moraes advertiu que é necessário ter o acompanhamento de um especialista na hora de decidir se alimentar melhor. "Os efeitos das vitaminas e minerais só são significativos quando estão inseridos dentro de uma dieta balanceada. Não adianta consumir um monte de suplementos porque o organismo secreta o excesso", avisou a nutricionista.
Além disso, problemas de memória devem, primeiro, ser avaliados por um especialista. Antes de correr para a prateleira de supermercados e farmácias, é necessário um diagnóstico preciso do problema.
"A perda das habilidades cognitivas pode estar ligada, por exemplo, a distúrbios neurológicos," afirmou Moraes. "Nesse caso, não adianta apenas recorrer à alimentação. É fundamental se submeter a um tratamento adequado."
A dieta equilibrada, porém, só pode contribuir para uma boa saúde, disse a brasileira. "Mas tem que vir acompanhada de um estilo de vida saudável. Caso contrário, não adianta nada."
Ácido fólico pode combater depressão e demência
Pesquisas mostraram que pessoas com problemas psiquiátricos e com demência têm baixos níveis dessa vitamina. Em seu livro, Carper relatou um estudo do cientista canadense M. I. Botez, da Universidade de Montreal, no qual descreveu a "síndrome da deficiência de ácido fólico", cujos sintomas são fadiga, depressão branda ou moderada e distúrbios gastrintestinais.
À medida que se envelhece, o consumo de ácido fólico passa a ser ainda mais importante. Em 1997, pesquisadores italianos, da Universidade de Roma, fizeram um estudo, cujos resultados sugerem que suplementos de ácido fólico podem restaurar a memória dos idosos. Em relação ao mal de Alzheimer, também foi percebida uma influência positiva dessa vitamina. Segundo David Snowdown, da Universidade de Kentucky, os piores danos causados pela doença ocorrem em pessoas com baixos níveis de ácido fólico.
O ácido fólico pode ser encontrado nos cereiais integrais, nas sementes oleoginosas, como a castanha-do-pará, nas frutas, nas verduras de cor verde escuro e nas carnes em geral. Mas atenção: o excesso de castanha-do-pará não é aconselhável, devido ao seu alto teor de gordura. "Não é qualquer pessoa que pode consumir essas sementes. E mesmo as saudáveis devem consumir com moderação", alerta a nutricionista.
A substância do humor
A carência de tiamina, uma vitamina do complexo B, pode afetar seriamente as funções cerebrais, causando inclusive a psicose de Korsakoff (perda de memória, apatia, demência), afirmou Carper. Segundo um estudo de 1999, cerca de 40 por cento dos idosos norte-americanos que procuram os hospitais têm deficiência de tiamina.
Os mais jovens, porém, também sofrem com a carência da vitamina. O organismo tem uma reserva mínima de tiamina. Por isso, se não a consumirmos sob a forma de alimentos ou suplementos, o cérebro pode ter problemas. Mas por que precisamos tanto da tiamina? Para Philip Langlais, professor de psicologia da Universidade da Califórnia, em San Diego, a deficiência de tiamina prejudica a capacidade do cérebro de usar glicose, diminuindo, assim, a energia disponível para as atividades mentais.
A tiamina existe sob a forma de suplementos, mas também pode ser encontrada em cereais, frutas e no levedo da cerveja.
Vitaminas E e C, um reforço para o cérebro
Segundo os especialistas em terapia ortomolecular, a vitamina E neutraliza os radicais livres que danificam a membrana externa dos neurônios. Uma vez que isso aconteça, as células do cérebro perdem a capacidade de transmitir mensagens e, conseqüentemente, as funções cognitivas do indivíduo ficam seriamente comprometidas.
Um estudo publicado em 1997 na revista científica The New England Journal of Medicine sugeriu que a vitamina E era eficaz no combate ao mal de Alzheimer. Produziu os mesmos efeitos de uma droga vendida com receita médica no tratamento dessa doença. Na pesquisa, descobriu-se que a vitamina pode adiar a progressão da demência em mais da metade dos pacientes. Somente 26 por cento dos que tomaram a vitamina E tiveram que ser internados em um asilo durante a realização do estudo.
A vitamina C - assim como a E, um poderoso antioxidante - também é indicada para fortalecer as funções cerebrais. Em testes de Q.I., o consumo da vitamina parece influenciar no resultado. Alimentos como cereais e frutas, verduras com folhas verde escuro são ricos em vitamina E. As frutas cítricas - laranja, acerola, limão e morango - em vitamina C.
Selênio, uma arma contra o estresse
Estudos com esse mineral mostraram que tem um forte impacto sobre o cérebro. Os baixos níveis de selênio afetam o humor humano, provavelmente por causa de distúrbios causados na atividade dos neurotransmissores. Essas substâncias químicas - entre elas, serotonina, dopamina e acetilcolina - são fundamentais para a transmissão de mensagens entre os neurônios e o bom funcionamento cerebral.
Segundo pesquisa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, uma dieta rica em selênio melhorou consideravelmente o humor de um grupo de homens jovens. Os participantes do estudo afirmaram sentir-se mais leves, animados, confiantes e enérgicos. Os alimentos ricos em selênio são: grãos, alho, carne, frutos do mar e castanha-do-pará.
Um cardápio rico em antioxidantes
O consumo dos antioxidantes citados acima deve começar logo no café da manhã. Segundo a nutricionista Andréa Abdala, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a primeira refeição do dia deve ser composta por cereais e um suco de laranja. "Os cereais integrais são uma fonte excelente de vitaminas e selênio," disse. "Deveriam ser consumidos diariamente."
No almoço, uma salada que inclua alface, brócolis, espinafre e couve é a maneira ideal de ingerir os alimentos certos para o cérebro. Mas Abdala disse que o melhor é não cozer completamente as verduras. Elas devem ser apenas aquecidas no vapor, para umedecer as folhas, e colocadas na geladeira. Depois, é só servir fria, acompanhada por batatas, por exemplo. No lanche, ou antes de dormir, uma salada de frutas com cereais é a dica da nutricionista.
É importante ressaltar, porém, que alimento nenhum opera milagres. Para que o corpo em geral, e o cérebro em particular, sintam os efeitos da comida, é necessário que seja realizada uma reeducação alimentar desde cedo. "Os efeitos só surgem a médio e a longo prazo. Não adianta começar a consumir as vitaminas e minerais necessários para melhorar a memória e achar que, em um mês, estará tudo resolvido", diz Abdala.

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