quinta-feira, 30 de junho de 2011

Gordura na dieta ou carboidratos?

http://www.medicinacomplementar.com.br/destaque.asp
Berenice C. Wilke

Durante muitos períodos da história da evolução do homem, a alimentação teve como base a carne e os ovos, que são excelentes fontes de proteínas, mas que vem associadas a gordura saturada e ao colesterol. Tanto o gordura saturada, quanto o colesterol alimentar, foram considerados alimentos prejudiciais à saúde e nos últimos 40 anos as recomendações alimentares de diversos países tem sido no sentido de reduzir seu teor na alimentação, com conseqüente aumento dos alimentos ricos em hidratos de carbono como o milho, o trigo (pão, bolo, macarrão, pizza) o açúcar e a batata. Embora em muitos países tenha havido uma efetiva redução do consumo da gordura saturada, essa redução foi acompanhada de um aumento das taxas de obesidade e das patologias associadas à obesidade como, por exemplo, o diabetes.
Diversos estudos epidemiológicos têm questionado as pesquisas que culminaram com a orientação de redução do colesterol e da gordura saturada na dieta. Alguns autores afirmam que não haviam estudos suficientes para que tais recomendações tivessem sido implementadas. Essa discussão tem dado origem a diversos estudos interessantes, principalmente no que concerne a doença cardiovascular. Esses estudos têm demonstrado que o alto teor de colesterol na dieta não aumenta o poder aterogênico do LDL-colesterol, nem afeta a relação HDL/LDL, que são fatores importantes no desenvolvimento da doença cardiovascular. Muitos cientistas têm afirmado que não existem evidências sólidas de que o teor de colesterol na dieta influencie na incidência das doenças cardiovasculares.
Um estudo recente, realizado por pesquisadores da "Women's Hospital and Harvard Medical School” acompanhou durante um período de 3 anos 2.243 mulheres na pós menopausa que apresentavam doença cardiovascular aterosclerótica. No início do estudo uma cinecoronariografia foi realizada em cada mulher para avaliação do grau do comprometimento das artérias cardíacas. Além disso, um avaliação do hábito alimentar de cada uma foi realizada no início do estudo e periodicamente durante os 3 anos. No fim desse período nova cinecoronariografia foi realizada e o resultado foi surpreendente: as dietas com altas taxas de gordura saturadas foram associadas com a evolução menor da aterosclerose e mantiveram um diâmetro maior. O pior quadro se deu nas mulheres que comiam mais carboidratos e utilizavam gordura mono-insaturada. O teor de carboidratos da alimentação estava significativamente associado com a velocidade de progressão da aterosclerose coronariana, sendo que quanto maior o índice glicêmico dos carboidratos maior a velocidade de progressão da aterosclerose. Essa equipe de pesquisadores de Havard concluiu que as mulheres na menopausa agravam o comprometimento das artérias cardíacas quando a sua alimentação é rica em carboidratos, principalmente os de alto índice glicêmico e que as gorduras saturadas tem neste período da vida um papel protetor.

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