segunda-feira, 13 de junho de 2011

Hospital adota terapia alternativa para ajudar a tratar câncer:

http://www.medicinacomplementar.com.br/tema221008.asp


Meditação, Ioga e Acupuntura são algumas das práticas usadas no Albert Einstein e modelo é chamado de Medicina Integrativa.

   * por  Cláudia Collucci

 Técnicas já são adotadas em hospitais de referência em oncologia nos EUA e podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
 O Hospital Israelita Albert Einstein incluiu práticas como meditação, ioga, acupuntura e reiki no tratamento do câncer. O modelo, chamado de medicina integrativa, é semelhante aos adotados em instituições de referência internacional em oncologia, como o M.D. Anderson e o Memorial Sloan-Kettering Center, nos EUA.
A inclusão dessas técnicas, até bem pouco tempo desacreditadas na área médica, tem sido motivada pela grande demanda de pacientes que procuram por tratamentos complementares quando têm um diagnóstico de câncer. Além disso, atualmente, há vários estudos controlados demonstrando a eficácia e a segurança delas.
No último congresso mundial de câncer, no início do mês, em Chicago (EUA), estudos demonstraram que a acupuntura, por exemplo, pode reduzir as náuseas da quimioterapia e aliviar a xerostomia (boca seca), provocada pela radioterapia na região da cabeça e pescoço.
No Einstein, as práticas são oferecidas a pacientes que acabaram de receber o diagnóstico de câncer, que estão em tratamento ou que já terminaram. O cirurgião Paulo de Tarso Lima, responsável pela área de medicina integrativa, diz que as técnicas são adotadas mediante evidências científicas de que funcionam e de que não prejudicarão a terapia convencional.
Estima-se que 70% dos pacientes não contam aos médicos que adotam práticas complementares (no passado chamadas de alternativas) ao tratamento convencional -seja por não serem questionados a respeito ou por temor de que os médicos desaprovem a técnica.
"Usar essas práticas sem a orientação de um profissional é um risco à saúde. A fitoterapia, se utilizada de forma incorreta, pode interferir e prejudicar o tratamento do câncer", afirma.
Quando bem indicadas, muitas das técnicas complementares são úteis para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e suas respostas aos tratamentos clínicos. "O objetivo é que eles ajudem, e não atrapalhem, a recuperação".
A ioga, por exemplo, ajuda a diminuir a ansiedade, o medo e os pensamentos negativos, explica o psiquiatra Rodrigo Yacubian Fernandes, que aplica os princípios da kundalini yoga entre os pacientes oncológicos. A prática também vem sendo usada como tratamento coadjuvante de distúrbios psiquiátricos e psicológicos.
A empresária Maria do Rosário, 50, luta há três anos contra o câncer. Já retirou parte do intestino, os dois ovários e, agora, faz quimioterapia a cada 15 dias para combater um tumor no pulmão. Por conta dos efeitos colaterais do tratamento, ela também sofre de uma neuropatia que a levou à perda da sensibilidade nas mãos e nos pés.
Para manter o equilíbrio e controlar a ansiedade, ela faz reiki, acupuntura e meditação. O reiki é uma técnica que usa a imposição de mãos para transmissão de energia vital, segundo os adeptos. "Essas práticas me relaxam, especialmente quando tenho que passar horas fazendo exames."
Ela conta que ao descobrir o câncer "ficou de mal com Deus". "Entrei numa depressão incontrolável. Hoje, conto primeiro com Deus, porque tenho muita fé, e depois com todas essas pessoas, tratamentos e práticas que me ajudam a dar uma sobrevida melhor", diz Maria.
Além dos aspectos emocionais, a empresária notou melhoras físicas. "Antes, fazia químio e era um dia no pronto-socorro e o outro também. Era uma loucura. Há quase um ano que eu não preciso mais ir ao pronto-socorro por conta dos efeitos do tratamento."
Técnica da medicina oriental diminui dor torácica não-cardíaca, segundo o HC.
Um estudo feito pelo HC (Hospital das Clínicas) de São Paulo e pela Universidade do Arizona (EUA) apontou que o johrei -técnica milenar praticada na medicina oriental- pode ajudar pacientes cientes de que sentem fortes dores no peito, mas que não apresentam nenhuma doença que justifique as queixas de dor.
A dor torácica é a segunda causa mais comum de dor na região do peito, após a dor cardíaca.
Ela acomete 30% da população entre 50 e 75 anos que procura o pronto-socorro em razão de dores torácicas e cujos resultados dos exames cardiológicos são normais.
Segundo o gastroenterologista do HC Tomás Navarro Rodrigues, o johrei mostrou-se eficaz em 90% dos casos avaliados. A pesquisa envolveu 40 pacientes com dores torácicas não-cardíacas, com idades entre 50 e 75 anos.
Para o trabalho, os estudiosos dividiram os pacientes em dois grupos. Um deles recebeu três sessões de johrei por semana, de 30 minutos cada uma, num total de 18 sessões. O segundo grupo foi medicado com terapia convencional usada no combate à dor.
Os casos tratados com johrei apresentaram 90% de melhoras do quadro clínico, enquanto que os casos tratados com medicamentos diminuíram a dor em apenas 40% dos pacientes.
O johrei é uma técnica de tratamento japonesa que, segundo os adeptos, amplia a força de recuperação natural do homem. As "ondas de energia" são canalizadas a partir da "energia cósmica superior" e podem ser transmitidas por qualquer pessoa adequadamente preparada. A aplicação da técnica é feita pela imposição das mãos.
Para o médico, as evidências abrem perspectivas para uma nova abordagem terapêutica. Segundo Rodrigues, o HC estuda usar futuramente a técnica na clínica de gastroenterologia.
Ele afirma que a hipersensibilidade da função esofágica associada às contrações involuntárias musculares ao longo do esôfago são as possíveis causas responsáveis pela dor torácica.
"A simples exclusão de [diagnóstico de] doença cardíaca não elimina a dor ou tranqüiliza o paciente que, mesmo possuindo excelente prognóstico, continua a apresentar intenso comprometimento da qualidade de vida." (CC) Produção: Kabbalah Group Original: Cláudia Collucci e Reportagem local.
Fonte: Folha de São Paulo / Cotidiano1 / pg. C5 / 29 de junho de 2008.
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