segunda-feira, 18 de julho de 2011

Medicina integrativa


Por Viviane Pereira

Médicos falam sobre os benefícios das terapias complementares para auxiliar no tratamento de doenças
Yoga, reiki, johrei, meditação, homeopatia, acupuntura, ayurveda. Essas e tantas outras práticas que antes ficavam do lado de fora dos consultórios, meio escondidas dos médicos, começam a aparecer nas recomendações médicas, como forma de integrar o tratamento. Entre os profissionais da área não se fala em medicina alternativa ou complementar -porque o objetivo não é buscar uma alternativa à medicina convencional ou uma complementação.
O novo conceito, que já é bastante conhecido no exterior, com destaque para os Estados Unidos, ganha cada vez mais espaço no Brasil. É a Medicina Integrativa, que tem foco não apenas na cura da doença, mas na manutenção da saúde e na qualidade de vida.
Profissionais de diferentes segmentos, atuando em conceituadas instituições, se utilizam dos benefícios dessas práticas para oferecer bem-estar aos seus pacientes. As abordagens diferem de local para local, de profissional para profissional. Em comum, a maioria tem critérios considerados indispensáveis na hora de escolher uma prática para utilizar: eficiência comprovada e segurança para o paciente.
Agregar qualidade de vida
A tradição do Oriente se une aos avanços da medicina ocidental para garantir um tratamento mais eficiente e completo. Práticas tradicionais das medicinas chinesa, ayurvédica, antroposófica, entre outras, ganham espaço em hospitais, clínicas e chegam à universidade em busca de comprovação científica. Modalidades até então restritas a espaços alternativos são incorporadas aos tratamentos convencionais para reunir o que há de melhor em cada um desses universos, em benefício dos pacientes.
Com a ideia de trazer ao Brasil essa experiência, o médico e cirurgião, mestre em medicina, Dr. Paulo de Tarso Lima foi aos Estados Unidos, ao Centro de Medicina Integrativa da Universidade do Arizona -que ele considera ter a melhor formação clínica nessa área no mundo -, aprender com um dos mais destacados profissionais e pioneiro no setor, o médico e professor de medicina e saúde pública Andrew Weil. "A Medicina Integrativa tem uma preocupação maior que a ausência de doenças. A base dela é a saúde e a cura vista como restauração do bem-estar físico, mental e social", explica Paulo, médico responsável pela Medicina Integrativa no Hospital Albert Einstein (SP), que tem ampliado essa atuação. Além do hospital, ele é diretor clínico há seis anos da clínica Anima Medicina Integrativa, pioneira na área.
Paulo diz que há cinco anos o hospital Albert Einstein conta com a prática de acupuntura e o departamento de reabilitação tem diversas terapias corporais. "Tivemos um projeto piloto na oncologia, de dois anos, com reiki, yoga e meditação, com o Programa Saúde Além da Cura", diz o médico cirurgião. Os bons resultados e a crescente demanda estão levando a instituição a incorporar o projeto de forma ampliada, expandido a outros setores.
Outro ponto importante nesse tema que ganha destaque no livro Medicina Integrativa - A Cura pelo Equilíbrio (MG Editores), lançado pelo Dr. Paulo de Tarso em novembro de 2009, é o fato dessa modalidade integrar o paciente de forma ativa no processo, considerando que "o corpo tem uma capacidade inata de diagnóstico, organização e regeneração. Ossos quebrados se consolidam novamente, cortes são cicatrizados, vírus e bactérias eliminados pelas células de defesa". Segundo o médico, "na Medicina Integrativa, o cirurgião vai fazer seu trabalho o melhor possível, mas entendendo que o processo de cicatrização é inato e, assim, incentivando o paciente a fazer a parte dele de estar bem para se recuperar melhor".
Destacando o poder do próprio doente na cura, Paulo trata da importância da respiração, da atenção ao corpo e da alimentação. "O paciente deve saber que tudo que ele come vai estar irreversivelmente e de fato integrado ao seu corpo. Não tem mais volta." Ele cita o caso da dieta vegetariana - ou com menos carne - que é benéfica para doenças crônicas ligadas ao processo inflamatório.
Esse processo promove ainda uma visão global da pessoa, e individualizada, buscando a melhor prática para cada caso, com a oportunidade bastante ampliada de diferentes terapêuticas disponíveis. "Temos a visão vertical, considerando o paciente como mente, corpo e espírito, e a visão horizontal, com o leque ampliado de terapias."
O cirurgião destaca que as diferentes práticas são benéficas em áreas em que a medicina convencional é mais deficitária, com o efeito colateral de medicamentos. "Atendi um caso de uma paciente que veio encaminhada pelo oncologista, com tumor metastásico. Ela tem boa saúde e por isso estava com resistência a usar tanta quimioterapia, com medo de perder sua condição saudável. Como a doença não estava estável, ela precisava continuar com a quimioterapia; mostrei a ela que com cuidados poderá sustentar sua saúde sem precisar interromper o tratamento", afirma Paulo.
Essa oportunidade de o paciente consultar o médico, falar de outras terapias que desenvolve, é outro benefício da Medicina Integrativa. Quando o profissional não admite outras práticas além da medicina convencional, acaba inibindo o paciente de se abrir e falar de métodos que têm lhe beneficiado, podendo até prejudicar o tratamento, como o uso de fitoterápicos que, apesar de naturais, podem interagir e prejudicar a eficiência dos medicamentos alopáticos em uso.
Paulo considera que existem três tipos principais de pacientes em relação à Medicina Integrativa: os que têm doenças crônicas já recebem o melhor tratamento mas buscam qualidade de vida; pessoas que não têm doença mas procuram ajuda médica porque não têm qualidade de vida; e os que não têm doença, se sentem bem e querem prevenir, manter a saúde.
Para o médico cirurgião, essa prática vem sendo introduzida no Brasil e no mundo porque de fato tem sustentação acadêmica. No Hospital Albert Einstein, a expansão está ligada ao processo de humanização em que a instituição está envolvida, e é feita em parceria com a ONG norte-americana Planetree, considerada líder na área de terapias complementares de toque humano. "Devemos entender que Medicina Integrativa não é especialidade. É uma abordagem médica. O médico pode ser especialista de qualquer área e ter uma visão integrativa."
Yoga e meditação
Durante um ano o médico radiologista Dr. Rodrigo Yacubian Fernandes aplicou Kundalini Yoga nos pacientes oncológicos do Hospital Albert Einstein. O uso da prática para pacientes, segundo Rodrigo, pode ajudar em vários aspectos. "O yoga ajuda o indivíduo de maneira global, trazendo força, equilíbrio e maior entendimento, facilitando enfrentar os desafios, inclusive eventuais patologias. O yoga é voltado para a saúde do indivíduo e não para a doença."
Formado pela Faculdade de Medicina da USR o médico e professor de Kundalini Yoga iniciou sua formação com Kundalini na Universidade da Califórnia, em San Diego, com o mestre David Shannahoff-Khalsa. Continuou em São Paulo, com Subagh Kaur e posteriormente recebeu o certificado de professor pela KRI (Kundalini Research Institute). A ideia de utilizar Kundalini Yoga aliada à medicina surgiu do contato e incentivo do mestre David, que iniciou a associação da Kundalini Yoga com a medicina.



Atualmente Rodrigo coordena o Projeto Kundalini Yoga do Instituto Nacional de Psiquiatria e Desenvolvimento, que faz parte de um grupo de diversas pesquisas do INPD da Universidade de São Paulo (USP), coordenado pelo Prof. Dr. Eurípedes Constantino Miguel Filho. "O projeto da Kundalini Yoga está na fase final de preparo, com prazo de início no primeiro semestre de 2010. Faremos um estudo científico envolvendo grupos grandes de pacientes com diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo, onde utilizaremos técnicas de meditações e Kundalini Yoga como forma de tratamento", conta o médico, que há três anos trabalha a prática com pacientes, com resultados satisfatórios principalmente em pessoas que apresentam transtornos ansiosos e depressão. Entretanto, Rodrigo destaca que os resultados estão atrelados à pratica regular e disciplinada dos pacientes.
Segundo o médico, o foco principal é a meditação, principalmente na psiquiatria, para trazer ao paciente um estado meditativo, com relaxamento profundo, autocontrole e entendimento mais amplo sobre as realidades e sobre os sintomas, aumentando a aceitação, reduzindo o medo e a ansiedade. "O mesmo vale para distúrbios oncológicos", complementa.Conhecimento que vem do Oriente
Na Medicina Integrativa, o conhecimento da Medicina Oriental é valorizado e ajuda e equilibrar física e emocionalmente o paciente. Trazer esse conhecimento para o Brasil foi a proposta do médico indiano, com especialização em Ayurveda, Bokkulla Ramachandra Reddy, que há 20 anos vive no País. Ele atuou no Hospital de Medicina Alternativa, em Goiás, tem consultório em São Paulo e faz workshops, consultorias e palestras no Brasil e exterior.
"A Ayurveda pode beneficiar a saúde das pessoas com mais naturalidade, sem efeitos colaterais para o organismo e para o bolso", argumenta Bokkulla. "Acredito que a cura envolve a mente, o corpo e também a prática da fé." Segundo o médico, a vantagem da Medicina Ayurvédica é tentar descobrir a raiz, a causa da doença, encarando o ser humano em sua totalidade.
Bokkulla acredita que no Ocidente a tendência é haver uma integração entre medicina alopática e Ayurveda e ele cita os exemplos de sua atuação dessa forma. "Para fazer o diagnóstico, utilizamos a prática de sentir o pulso do paciente com os dedos. Através dessa técnica é possível saber o biótipo de cada um e como está funcionando o organismo. Às vezes é necessário um exame laboratorial mais complexo para comprovar o que é diagnosticado pelo pulso. Ou seja, algumas vezes, já detectei onde está o desequilíbrio, mas peço o exame laboratorial para confirmar e detalhar para o paciente exatamente o que está acontecendo."
Uma das diferenciações dessa prática está nos medicamentos, já que utiliza remédios à base de compostos naturais, geralmente originários da índia. "Por exemplo, no caso de algo mais complexo como HIV e Hepatite C, para os quais os exames comprobatórios são alopáticos, nós conseguimos fazer com que a imunidade do indivíduo se mantenha alta através de um tratamento ayurvédico. Em caso de disfunção sexual ou infertilidade, recomendamos um acompanhamento psicológico e cuidamos, através da Ayurveda, com intervenção de remédios e meditação." Bokkula comenta ainda benefícios de problemas que envolvem o sistema nervoso central, como a bipolaridade, que se beneficia da técnica shirodata e da meditação, equilibrando as emoções e as substâncias químicas cerebrais. "Não descartamos a psiquiatria, mas existem casos de bipolaridade de grau leve que ao invés do uso de remédios fortes podem ser tratados com meditação e auxílio de psicólogos".
O médico indiano cita também como exemplos de bons resultados conquistados com Ayurveda casos de portadores de diabetes que podem ter uma vida normal com tratamento alimentar ayurvédico, com alimentação à base de vegetais e sem açúcar, além de meditação para equilibrar as emoções. "Quem possui uma doença crônica, como o diabetes, precisa saber lidar bem com suas emoções." Além dos remédios e indicações alimentares, a Medicina Ayurvédica engloba massagens, banhos, compressas e uso do ghee (manteiga natural).
Com o conhecimento de quem estudou as duas medicinas - convencional e Ayurvédica -Bokkulla afirma que o grande avanço da ciência médica em prol da humanidade, mais do que a tecnologia, é a integração de conhecimento entre as medicinas. Ele cita exemplos bem-sucedidos no Brasil: "No Hospital São Paulo (SP) há um trabalho de integração com outras medicinas tradicionais, como o uso da acupuntura, que atende cerca de mil pessoas por mês. E a Prefeitura de São Paulo tem um projeto de implantar nos postos de saúde a Medicina Integrativa, já oferecendo prática de meditação e yoga".
Integração na universidade
Enquanto a prática médica aponta os benefícios das medidas integrativas, é nas universidades que os estudiosos comprovam esses benefícios, garantindo confiabilidade às técnicas. Com o objetivo de desenvolver essa linha de pesquisa dentro da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi criado em 2008 o Laboratório de Práticas Alternativas Complementares e Integrativas em Saúde (Lapacis). O cientista social e coordenador do Lapacis, Nelson Filice de Barros, acredita que a pesquisa sobre essas práticas ainda é novidade nas faculdades de Medicina. "Trabalhamos mais com lógica integrativa do que alternativa, tentando aproximar as práticas para melhorar o cuidado com as pessoas."
Para difundir essas práticas na Universidade, a instituição realiza eventos, palestras e projetos, envolvendo alunos da graduação e pós-graduação da Unicamp, não só da área de Medicina, mas também Enfermagem, Educação Física, Fonoaudiologia e outras da área de saúde. Para as palestras são convidados profissionais de destaque no Brasil e exterior; os eventos são abertos ao público e gratuitos.
O cientista social, que também é professor do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina, conta que o Lapacis tem desenvolvido pesquisas com pacientes com câncer. "Nossas investigações nessa área estão de acordo com o que tem sido desenvolvido nos Estados Unidos, que chamam de integrative oncology. As pessoas não deixam de fazer quimioterapia, mas usam outras práticas para diminuir os sintomas, a ansiedade e se equilibrar. O Lapacis desenvolve também estudos com diabetes".
O objetivo para 2010 é passar da teoria à prática, oferecendo a disciplina na graduação, promovendo contato dos alunos com as terapias. "Depois pretendemos introduzir as práticas em alguns setores do hospital", explica Nelson, autor de dois livros sobre o tema: A Construção da Medicina Integrativa: Um Desafio para o Campo da Saúde (Hucitec - 2008) e Medicina Complementar: Uma Reflexão Sobre o Outro Lado da Prática Médica (Fapesp - Annablume - 2002).
O laboratório prioriza a atuação com racionalidades médicas, como Medicina Alopática, Medicina Homeopática, Medicina Tradicional Chinesa, Medicina Ayurvédica e Medicina Antroposófica.
Nelson destaca o trabalho desenvolvido na saúde pública de Campinas, que conta com técnica de acupuntura craniana e no corpo todo. "A cidade tem tradição: há quase 20 anos foi criado um ambulatório de homeopatia que funcionava como especialidade médica, foi ampliando as práticas corporais e com o tempo foram introduzidas outras modalidades, como fitoterapia, acupuntura, yoga, tai chi chuan, dança circular, entre outras".
Para Nelson, esse é um momento histórico na medicina, com a implantação dessas mudanças. "É um grande desafio."
Teoria e prática
Assim como na Unicamp, o trabalho com Medicina Integrativa desenvolvido na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) visa levantar dados teóricos e testar suas aplicações práticas. O coordenador da Unidade de Medicina Comportamental do Departamento de Psicobiologia da universidade, psicólogo, pesquisador e professor universitário José Roberto Leite, esclarece que o foco na Unifesp é basicamente trabalhar com duas correntes, que ele considera subdivisões da Medicina Integrativa: Alternativas e Complementares.
"No que diz respeito às Alternativas, a ênfase principal é na Terapia Cognitiva, que muitas vezes substitui o medicamento. Usamos estratégias comportamentais para tratamento de casos fóbicos", afirma. Desenvolvendo esse trabalho há cerca de 10 anos, José Roberto revela que estuda o tema há mais de 20 anos, tendo começado com meditação e Terapia Cognitiva. Ele resolveu aplicar essas práticas após treinamento em Nova York, onde teve contato com profissionais da Universidade de Colúmbia.
Entre as complementares, José Roberto cita a meditação, yoga, reiki, aromaterapia e hipnose. "Apesar de ser considerada complementar, a meditação caminha para ser uma prática mista, podendo ser também alternativa. Temos observado bons resultados da prática meditativa para reduzir ansiedade e depressão. Na literatura internacional essa informação já é certa."
O psicólogo informa que a equipe está realizando estudos com yoga para melhora do sono, ansiedade e para redução de estresse nas pessoas que tratam de pacientes com doenças crônicas. Na área da Aromaterapia, ele comenta estudos que apontaram efeitos ansiolíticos de certos aromas. As pesquisas sobre Hipnose ainda estão no início, com a formação de um grupo para promover estudo científico sobre o tema.
A aplicação dos métodos é feita no Instituto de Medicina Comportamental, onde são realizados atendimentos gratuitos. O psicólogo informa que a procura é grande e quando são realizadas convocações para voluntários, não há profissionais suficientes para os atendimentos, o que demonstra o grande interesse pelas práticas.
Canalização de energia em estudo
De paciente a estudioso do reiki, foi a trajetória feita por Ricardo Monezi, biólogo, professor universitário e pesquisador especialista em Medicina Comportamental atuando no Instituto de Medicina Comportamental do Departamento de Psicobiologia da Unifesp. O contato com a prática aconteceu na adolescência, quando o reiki o tirou de uma depressão. "Eu vi que tinha me ajudado e poderia ajudar outras pessoas." Começou a praticar aos 16 anos e não parou mais, verificando a evolução e melhora das pessoas que recebiam reiki.
Decidido a comprovar a eficácia do método, fez mestrado com reiki na Faculdade de Medicina da USP e agora realiza doutorado sobre o mesmo tema, dentro da medicina comportamental. O trabalho é feito com crivo científico, com análises e estudos apurados. O pesquisador estuda a segurança do método, eficácia, disponibilidade e qualidade.
"O reiki é um potente agente indutor de relaxamento. Quando falamos em reiki na área acadêmica, abordamos a modulação da liberação dos hormônios do estresse - cortisol e adrenalina", explica. "Estudos ligam a prática do reiki com o aumento de qualidade de vida. Há estudos com reiki em que a pessoa tinha de 12 a 15 crises de epilepsia por mês e com as aplicações passou a ter duas."
Ricardo acrescenta que o reiki melhora a qualidade do sono e do vigor físico, aumentando padrões de qualidade de vida e bem-estar. Ele comenta também os bons resultados constatados para problemas de coluna, fibromialgia e depressão, além dos benefícios no pré e pós-operatório. Como exemplo da expansão da prática, cita trabalho desenvolvido no Nordeste onde o reiki está sendo aplicado nos postos de saúde.
"No mestrado fiz estudos com a aplicação de reiki em animais e comprovamos a melhora no potencial de defesa do organismo e na capacidade imunológica; e com animais não há o efeito placebo." Entre as vantagens da prática, o psicobiólogo cita o custo baixo e a mínima invasibilidade - com o toque ou aproximar das mãos.
Na Unifesp os voluntários recebem reiki por oito semanas e são acompanhados em diversos parâmetros, como qualidade de vida, estresse, depressão, ansiedade, bem-estar, tensão muscular e dados fisiológicos. "Temos um exemplo maravilhoso de uma voluntária na faixa dos 45 anos que tinha um câncer bastante agressivo, com índices de qualidade de vida péssimos. Depois de três meses de aplicações semanais, ela teve melhoras na qualidade de vida e na autoestima."
Semelhante ao reiki com a canalização de energia pela imposição de mãos, o Johrei também teve sua eficiência comprovada por estudo realizado pelo médico Dr. Tomás Navarro Rodriguez, do Serviço de Gastroenterologia Clínica do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP No seu estudo, ele avaliou a adoção do Johrei para controle da dor torácica não cardíaca, verificando melhora de 90% no grupo que recebeu aplicação da técnica; o que não recebeu não teve melhora significante.



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Desde 2006 o País conta com uma importante conquista na área: a instituição da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares de Saúde (PNPIC), tendo como principal objetivo incluir no Sistema Único de Saúde (SUS) opções de acesso a terapias não convencionais. Em 2008, houve outro avanço, com a instituição da Coordenação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares de Saúde da Diretoria de Atenção Básica (DAB) da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) do Ministério da Saúde. A coordenadora da PNPIC, a médica sanitarista Dr. Carmem de Simoni acredita que essas implantações atenderam um afã da população que havia desde 1999. "A sociedade se manifestava no SUS por meio das conferências. Em todas elas foi apontada a necessidade de ter opções de acesso a terapias diferenciadas da biomedicina."
O PNPIC engloba sistemas médicos complexos e recursos terapêuticos que são chamados pela Organização Mundial da Saúde (OMD) de Medicina Tradicional e Complementar/Alternativa. Envolve Acupuntura, Homeopatia, Fitoterapia, Termalismo e Crenoterapia (terapias feitas por meio da ingestão e banhos de águas minerais) e Medicina Antroposófica.
A proposta desse trabalho é de ampliação de acesso às políticas alternativas. Carmem destaca que o SUS tem gestão descentralizada, portanto, cada município tem autonomia para operar e fazer sua própria normatização. Contudo, a política nacional influenciou as ações locais."Em 2004, fizemos uma pesquisa com 1.342 municípios e somente 14 tinham ato normativo. Em 2008, refizemos o estudo com 4.550 municípios e constatamos que 1.300 tinham algum ato normativo. É uma importante mudança", comenta. A médica diz que três Estados já fizeram a normatização: Espírito Santo, Minas Gerais e Distrito Federal. Outros, como Rio de Janeiro e São Paulo, têm leis sobre o tema.
Para 2010, Carmem já projeta as metas da coordenadoria, focando em três aspectos: difusão da política de práticas e informação tanto para usuários como para gestores, profissionais e sociedade em geral; apoio à qualificação de profissionais para atuar no SUS; e ampliação das pesquisas e das práticas que já existem.
Outro passo importante para o setor foi a fundação, há pouco mais de um ano, da Federação Brasileira de Medicina Tradicional, com sede em Brasília. Entre os objetivos destacam-se divulgar conhecimentos sobre Medicina Complementar e Integrativa, trabalhar com capacitação profissional e promover projeção das terapias complementares e integrativas.
"Abordamos Medicina Tradicional Chinesa, Fitoterapia e Etnomedicina (a medicina dos índios e popular). A ONU, por exemplo, contempla e estimula a utilização da Etnomedicina de cada região", informa o presidente da federação, o médico Dr. Mareio Bontempo.
Ele comenta que a Medicina Tradicional agrega diversos benefícios em relação à Medicina Terapêutica Farmacológica. "Os fármacos são caros, produzem efeitos colaterais e têm interação medicamentosa." Por outro lado, Mareio aponta a vantagem das técnicas integrativas tradicionais, que atuam na causa do problema. "Mais eficientes e eficazes, as medicinas complementares lidam com o resgate da saúde. Contemplam também medicina preventiva e cuidados com alimentação."Nessa nova visão médica, focada não somente na doença mas tratando o indivíduo como um ser integral, a medicina vai dando um passo importante em busca de mais saúde e qualidade de vida para o ser humano. Seja dentro das universidades como nos grandes centros médicos, terapias antes vistas como algo esotérico vão mostrando seus resultados na prática e ganhando respeito dentro da área de saúde. Para o bem de todos, uma nova era dentro da ciência médica está surgindo e caminhando a passos largos.

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