domingo, 10 de julho de 2011

Poluição à mesa


A contaminação põe-nos em contato com metais pesados que são venenosos. Por isso, convém conhecer onde estão, os seus efeitos e a maneira de nos prevenirmo-nos.
A contaminação por metais pesados é uma das mais preocupantes, porque os metais pesados não se degradam: uma vez emitidos, permanecem no ambiente durante centenas de anos, afetando a vegetação, as correntes de água e os animais.
A consciência quanto à sua toxicidade é recente, embora se saiba que está relacionada com atrasos no crescimento, vários tipos de cancro, lesões no rim e no fígado e doenças auto-imunes, nas quais o sistema imunológico ataca as células sãs.
Os metais pesados são prejudiciais, pois competem com os minerais sãos (zinco, selênio, ferro) nos processos metabólicos. A interferência afeta o aproveitamento de nutrientes e pode tornar impossíveis as reações químicas normais, até ao ponto de causar transtornos graves.
Tal como acontece no meio ambiente natural, os metais tendem a acumular-se no organismo. Deste modo, todas as pessoas estão expostas a uma contaminação progressiva. Apesar de existirem provas abundantes dos efeitos nocivos que quantidades muito pequenas exercem sobre a saúde, as normas legais não são suficientes para que a segurança seja total. Por isso, convém conhecer onde estão escondidos, quais os seus efeitos, como podem ser evitados e o que se pode fazer, se estivermos contaminados.
Alumínio
• Efeitos: Está presente em quantidades muito pequenas nos vegetais e animais. Está relacionado com a doença de Alzheimer e outros transtornos mentais próprios da velhice. Alguns estudos indicam que interfere na função do magnésio e está relacionado com a debilidade da mucosa digestiva. Reduz a absorção do selênio e do fósforo. As pessoas com insuficiência renal têm facilidade em acumular o alumínio nos ossos.
• Sintomas: Obstipação, dor aguda abdominal, irritações gastrintestinais e náuseas, problemas da pele, falta de energia, amolecimento dos ossos, fígado gordo.
• Fontes: A principal fonte são os aditivos alimentares. Outra fonte é a ingestão regular de medicamentos contra a acidez estomacal, que contêm hidróxido de alumínio. Numa proporção menor, as panelas, frigideiras e papéis de alumínio desprendem partículas que chegam aos alimentos.
• Desintoxicação: No corpo, há entre 50 a 150 mg de alumínio. A alimentação habitual introduz entre 10 e 110 mg diários, mas o corpo elimina grande parte através da urina, fezes e suor. Os agentes de infiltração orais constituem o tratamento indicado quando se confirma um excesso (ver o quadro “Testes médicos para detectar a contaminação”).
Arsênico
• Efeitos: Não é um dos mais tóxicos e, inclusivamente, em quantidades muito pequenas de forma orgânica (arseniato), tem uma função fisiológica como nutriente. No entanto, a exposição crônica a formas inorgânicas que se criam industrialmente torna-se cancerígena. Segundo a Agência de Proteção Ambiental de EEUU, o arsênico na água potável está relacionado com os cancros de pele, pulmões, bexiga e próstata, e também com a diabetes, anemia e desordens dos sistemas imunitário, nervoso e reprodutor. Estes efeitos parecem ter origem na sua ação como disruptor endócrino. O arsênico acumula-se, sobretudo, na pele, cabelo e unhas mas também nos órgãos internos.
• Sintomas: Dermatites, transtornos gastrintestinais, fadiga, dores de cabeça e musculares, confusão, alterações nas quantidades de glóbulos vermelhos e brancos, problemas neurológicos, lesões nos rins e no fígado.
• Fontes: Há pequenas quantidades na terra e, portanto, nos vegetais e animais. Encontra-se também no mar e nos animais marinhos, em especial nos moluscos. Mas as principais fontes de contaminação são os herbicidas, certos produtos contra as pragas, bem como as incineradoras de lixo, a combustão de carvão, as fundições de cobre e chumbo, e a água potável. Hoje temos 20 vezes mais arsênico no corpo do que na era pré-industrial. A OMS calcula que a intoxicação por arsênico está relacionada com 0,06% dos casos de cancro de pele.
• Desintoxicação: Há uma média de 10 a 20 mg de arsênico no corpo. Quantidades mais altas podem causar problemas. Felizmente, a absorção de arsênico é muito baixa (menos de 5%) e a maior parte é eliminada pelas fezes e a urina. A melhor maneira de avaliar a quantidade armazenada são as análises de sangue e de cabelo.
Mercúrio
• Efeitos: O mercúrio pode chegar até ao cérebro, infiltrando-se a partir dos pequenos vasos sanguíneos que o irrigam. Também se infiltra no leite materno e no feto. Altera as estruturas das proteínas, desativando os sistemas enzimáticos e causando lesões nas membranas celulares. Os principais prejuízos estão relacionados com o sistema nervoso.
• Sintomas: Se o mercúrio tiver sido inalado e a dose for baixa e prolongada, causa fadiga, dor de cabeça, insônia, nervosismo e incoordenação. Se tiver sido ingerido, causa inflamação da boca e gastrintestinal, náuseas, vômitos e dor abdominal.
• Fontes: Amálgamas dentais, termômetros, o desinfetante de mercúrio cromo, alguns medicamentos antiparasitários e laxantes, cosméticos, ceras para soalho, água potável, produtos contra pragas. O ar contaminado das cidades também é uma fonte considerável de contaminação. Os peixes acumulam-no no seu tecido gordo, em especial os de vida longa, como o atum e o peixe espada.
• Desintoxicação: O corpo de um adulto contém entre 10 e 15 mg de mercúrio. Metade encontra-se nos rins, e o resto no sangue, ossos, fígado, vesícula, cérebro e tecido gordo. Cerca de 5 a 10% do mercúrio que entra no corpo fica armazenado, e o resto é eliminado através da urina e das fezes. A análise do cabelo é a melhor maneira de medir a presença de mercúrio no organismo.
Chumbo
• Efeitos: Desloca minerais básicos como o cálcio, ferro, cobre, zinco e manganês nos processos enzimáticos. As conseqüências são especialmente graves para a química cerebral e do sistema nervoso. Além disso, compete com o cálcio, depositando-se nos ossos, e é um imunodepressor – reduz a resistência às bactérias e aos vírus.
• Sintomas: Os primeiros sintomas são a dor de cabeça e muscular, fadiga, emagrecimento, obstipação, vômitos, anemia e dificuldade de concentração. Uma intoxicação maior dá seguimento a agitação, irritabilidade, perda de memória e de coordenação, vertigens e depressão. Mais aguda, dá origem a fortes dores abdominais, náuseas, vômitos, debilidade muscular e encefalopatia.
• Fontes: O chumbo encontra-se em certas pinturas, na forma de aditivo na gasolina (quase a desaparecer), em rolhas de garrafas, louças, inseticidas, munições, soldaduras, tubos de abastecimento de água, alimentos produzidos junto a áreas industriais ou vias de transporte (sobretudo as vísceras, a carne e a gelatina), olarias, cosméticos, ar e água. Convém não fazer exercício físico em zonas de tráfico ou de indústrias, não armazenar alimentos em recipientes de barro, não beber água engarrafada e evitar os alimentos susceptíveis de os conter.
• Desintoxicação: É o metal pesado mais abundante no ambiente e no nosso corpo. Cerca de 95% do chumbo que penetra no organismo é eliminado através das fezes e da transpiração. Os restantes 5% vão rapidamente para os ossos e tecidos moles. Os nossos esqueletos contêm entre 500 a 1.000 vezes mais chumbo do que os dos nossos antepassados. Não é fácil avaliar a quantidade de chumbo depositada no corpo. A análise do cabelo é a melhor forma de o comprovar. Um aumento do ácido delta aminolevulínico, do eritrócito protoporfirina na urina e do zinco protoporfirina no sangue sugerem uma possível intoxicação com chumbo.
Cádmio
• Efeitos: Em estado natural, encontra-se no subsolo junto ao zinco. Dentro do corpo humano, pode fazer fracassar as reações químicas em que intervém o zinco. Uma deficiência na obtenção de zinco ocasiona uma maior acumulação de cádmio e danos maiores. Favorece a geração de radicais livres e a formação de cálculos renais. Aumenta a pressão arterial. Deprime o sistema imunológico e está associado a problemas ósseos.
É absorvido e acumulado no organismo a uma proporção muito alta: 20% entram no organismo. Os órgãos em que se concentra são o fígado, rins e testículos.
• Sintomas: Produz danos na medula óssea, dores lombares e nas pernas, que persistem durante anos.
• Fontes: O nível de cádmio no ar é mais alto nas cidades industriais, perto das minas de zinco, das fundições de aço e das centrais térmicas e nucleares. Está nos cigarros, em algumas pilhas e material elétrico, bem como nas soldaduras dos tubos galvanizados. Os crustáceos e os molusco possuem altas concentrações.
• Desintoxicação: Como é importante o equilíbrio com o zinco, os cereais integrais dão o zinco de que necessitamos. Os legumes e os frutos secos trazem quantidades extra. Outros minerais nutrientes – ferro, cobre, cálcio, selênio – juntamente com a vitamina C, favorecem a sua eliminação pela urina. A infiltração com EDTA só está indicada quando a intoxicação é grave.

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