sábado, 30 de julho de 2011

Por um sono melhor


 O Estúdio CH desta semana dá vontade de dormir, e muito: a biomédica Monica Levy Andersen fala sobre os prejuízos gerados pela privação do sono e sobre o aumento dos distúrbios que pioram as horas passadas na cama. Insônia: distúrbios relacionados ao sono atingem fatias crescentes da população, que também se permite menos horas de descanso para encaixar mais afazeres diários (foto: Cia de Foto – CC NC-SA 2.0).

Professora do departamento de Psicobiologia da Unifesp e pesquisadora do Instituto de Sono, Andersen diz que não há fórmula: cada pessoa precisa de uma quantidade de horas de sono para se sentir bem. “Algumas precisam de seis horas, enquanto outras, de dez, onze ou até doze. Chamamos esses grupos de ‘pequenos dormidores’ ou ‘grandes dormidores’”, conta.Em entrevista ao repórter Fred Furtado, Andersen diz que a chave para saber o seu tempo ideal está numa manhã bem disposta. “Se você acorda recuperado e pronto para suas atividades diárias, é esta a quantidade de horas de que precisa”.
Vivemos hoje uma sociedade que não dorme, seja pelas atividades que se autoimpõem, seja pelo aumento de distúrbios relacionados ao sonoDe acordo com a biomédica, vivemos hoje uma sociedade que não dorme, seja pelas atividades que se autoimpõem, seja pelo aumento de distúrbios relacionados ao sono, como insônia, ronco e apneia do sono.
“Nas últimas duas décadas, as sociedades do mundo todo têm reduzido as horas de sono. Isso leva a inúmeras consequências, como alterações cardiovasculares, maior suscetibilidade a doenças e a obesidade”, exemplifica.
Em 2007, o Instituto do Sono realizou um levantamento sobre distúrbios de sono em São Paulo e constatou que 70% dos paulistanos têm queixas relacionadas ao sono e 32,9% têm apneia do sono (curtas suspensões da respiração durante a noite).
“Isso é um achado gravíssimo”, diz Andersen. “A apneia do sono está relacionada a problemas cardiovasculares, e essas pessoas realmente devem procurar um especialista”.
Na entrevista, a especialista dá dicas para reduzir a privação do sono e conta que, apesar dos distúrbios relatados, há casos em que a privação do sono pode até ter efeitos positivos.
Pode ter efeito antidepressivo para determinados tipos de depressão e resultar em maior ereção peniana em ratos – um dos resultados obtidos em pesquisa sobre como a falta de sono afetaria a vida sexual dos ratos, conduzida por Andersen e equipe.

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