sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Reflexologia alivia efeitos colaterais de tratamentos

De alternativa para principal
Um tipo de massagem dos pés praticada desde o tempo dos Faraós do Egito Antigo teve seus resultados comprovados no auxílio a pacientes de câncer.
Este é o primeiro estudo científico de larga escala, totalmente aleatório, sobre a reflexologia, um tratamento até agora enquadrado na lista das terapias alternativas.
"[A reflexologia] sempre foi considerada uma massagem relaxante, mas até agora seus benefícios não haviam sido documentados de forma rigorosa," afirmou Gwen Wyatt, da Universidade do Estado de Michigan, que fez o estudo juntamente com colegas de outras três universidades norte-americanas.
"Este é o primeiro passo para passarmos essa terapia complementar dos cuidados acessórios para os cuidados principais," completou.
Reflexologia
A reflexologia é baseada na ideia de que a estimulação de pontos específicos dos pés pode melhorar o funcionamento dos órgãos, glândulas e outras partes do corpo correspondentes a cada ponto.
O estudo incluiu 385 mulheres recebendo quimioterapia ou terapia hormonal para câncer de mama em estágio avançado, já com sinais de metástase.
As mulheres foram divididas em três grupos: um recebeu o tratamento de reflexologia, outro grupo recebeu uma massagem comum para os pés, para servir como controle, e o terceiro grupo recebeu apenas o tratamento médico padrão.
Respiração curta
As checagens dos sintomas e do estado de bem-estar das pacientes foram feitas após cinco semanas, e novamente após 11 semanas.
O grupo que recebeu o tratamento de reflexologia relatou menos diminuição no fôlego, ou respiração curta, um sintoma comum entre as mulheres em tratamento contra câncer de mama.
Talvez como resultado da melhor respiração, elas também melhores condições na execução das tarefas diárias, como subir escadas, vestir-se ou ir às compras.
Além do emocional
Os resultados surpreenderam as pesquisadoras, que esperavam melhoras mais significativas nos aspectos emocionais.
"Nós não observamos as alterações que esperávamos nos sintomas emocionais, como ansiedade ou depressão. As mudanças mais significativas foram documentadas no campo fisiológico," disse a Dra. Wyatt.
Outro benefício não esperado - uma redução na fadiga - só foi documentado no grupo que recebeu a massagem nos pés, o que aponta para um tratamento ainda mais simples, que dispensa a atuação de um reflexologista credenciado.
A pesquisadora afirmou que o grupo da reflexologia também não relatou mudanças esperadas em sintomas como dor e náusea, já documentados por outros estudos. Segundo ela, a razão para isso pode ser a eficácia dos medicamentos utilizados no tratamento do câncer, que mascaram os benefícios da reflexologia.

Como descartar pensamentos ruins e guardar pensamentos bons

Só imaginar que está jogando os pensamentos fora ou os está guardando não funciona. Você precisa realmente escrevê-lo e jogá-los fora ou guardá-los bem guardados
Manipulando pensamentos
Se você quiser realmente se livrar de pensamentos negativos e indesejáveis, simplesmente rasgue-os e jogue-os no lixo.
Pesquisadores descobriram que, quando as pessoas escrevem seus pensamentos em um pedaço de papel e, em seguida, jogam o papel fora, elas mentalmente descartam também os pensamentos.
Por outro lado, as pessoas são mais propensas a usar seus pensamentos ao fazer julgamentos posteriores se primeiro elas escrevem o pensamento em um pedaço de papel e colocam o papel no bolso para protegê-lo.
"De certa forma pode parecer bobagem, mas nós descobrimos que realmente funciona. Fisicamente jogando fora ou protegendo seus pensamentos, você influencia o modo como acaba usando esses pensamentos. Simplesmente imaginar essas ações não tem efeito," disse o Dr. Richard Petty, da Universidade do Estado de Ohio (EUA), coautor do estudo.
Pensamentos materializados
Como você rotula seus pensamentos - como lixo ou como merecedor de proteção - parece fazer a diferença na forma como você usa esses pensamentos.
Os resultados do novo estudo sugerem que as pessoas tratam seus pensamentos como algo material, como objetos concretos.
Segundo Petty, isso é evidente na linguagem que usamos.
"Nós falamos sobre os nossos pensamentos como se pudéssemos visualizá-los. Nós alimentamos nossos pensamentos. Tomamos posição sobre as questões, apoiamos este ou aquele caminho. Isso tudo torna nossos pensamentos mais reais para nós," afirma.
Importância da ação
Os participantes que jogaram os pensamentos no lixo - escrevendo-os e arrastando-os para a lixeira - fizeram menos uso dos pensamentos negativos do que aqueles que salvaram os pensamentos em um arquivo.
Em outro experimento, os participantes foram instruídos a simplesmente imaginar que estavam arrastando seus pensamentos negativos para a lixeira, ou que os estavam salvando-os em um arquivo no disco.
Mas isso não teve efeito sobre seus julgamentos posteriores.
"Quanto mais convencida a pessoa está de que os pensamentos realmente foram embora, melhor," disse Petty. "Só imaginar que você os jogou fora não funciona."
Os resultados foram publicados online na revista Psychological Science

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Adoçantes x Saúde

Conceição Trucom
Para quem vem acompanhando a série Açúcar x Saúde (Partes 1 a 4), já sabe que os açúcares são alimentos essencialmente energéticos e a maioria deles por apresentar velocidade de transformação em glicose extremamente elevada, funciona praticamente como injeção de glicose na veia. Some-se o fato das pessoas ingerirem quantidades exageradas de sacarose (açúcar concentrado da cana ou beterraba), que é uma fonte patogênica que desarmoniza, cada vez que é consumida, o metabolismo do organismo como um todo.
Uma vez ingerida a sacarose, rapidamente é gerado o pico glicêmico (hiperglicemia = glicose > 110 dg/l de sangue). Em conseqüência deste pico glicêmico, o pâncreas é ativado para solucionar tal desarmonia, liberando insulina (hormônio de armazenagem de glicose e gordura) na circulação sangüínea, provocando assim um triplo comando de obesidade:
1. Armazenar o excesso de glicose na forma de gordura.
2. Não liberar a gordura armazenada.
3. A taxa de glicose no sangue cai demasiadamente (< 70 dg/l), e o cérebro - grande devorador de glicose – libera uma mensagem de que necessita de glicose para seu perfeito funcionamento, ou seja, comer mais doce.
Infelizmente, o brasileiro tem o péssimo hábito de "comer" açúcar e adoçantes em excesso. Pesquisa mundial revelou que o brasileiro ingere de 3 a 6 vezes mais açúcar do que a média mundial, não somente quando adoça o leite, café ou chá, mas quanto à quantidade de açúcar que coloca nos doces e a necessidade de comer tanto doce. Esta é uma questão cultural que pode ser resolvida pessoalmente com o simples descondicionamento deste mau hábito.
Comece já a reduzir lentamente o seu consumo de açúcar e adoçantes e você verá que é uma questão de pura decisão. Ao contrário, seu palato será cada vez mais preciso e eficiente nas suas respostas, pois o excesso de sabor (açúcar, adoçantes, sal ou pimenta) acaba por tornar nosso palato “entupido e impreciso”.
Quanto aos adoçantes, existem inúmeras controvérsias e polêmicas sobre o assunto. O bom senso diz que, quanto mais sintético, mais moderação e informação serão necessárias. Em princípio os adoçantes foram criados para atender as necessidades dos diabéticos, pois sem eles a vida ficaria ainda mais difícil. Mas devem ser evitados, principalmente por gestantes e crianças.
Mas, como sair do consumo do açúcar (entenda sacarose concentrada via processo químico), que é verdadeiramente nocivo à saúde e dos adoçantes sintéticos, que são questionáveis? Para sair deste impasse valem as seguintes sugestões:
. Reduzir a necessidade de açúcar diária e apreciar melhor o sabor natural dos alimentos. Melhorar a mastigação vai ajudar muito no realce dos sabores, na desintoxicação e sanidade do palato.
· Consumir mais frutas frescas ou secas no lugar de sobremesas preparadas com muito açúcar ou caldas e dos biscoitos industrializados; principalmente aqueles recheados.
· Produzir bolos e sobremesas menos doces, procurando substituir o açúcar refinado por quantidade reduzida do melado de cana, mel ou usando frutas frescas ou secas para enriquecer o sabor.
· Quando decidir consumir mel ou melado, reduzir a quantidade e acompanhar com alimentos que contenham bastante fibra, proteína saudável e gordura nutricional.
· Tomar menos café e mais chá; preferentemente sem açúcar.
· Uma vez decidida a necessidade do consumo de adoçantes, direcionar a primeira opção para os naturais.
· Na escolha dos adoçantes sintéticos, evitar usar o mesmo tipo por mais que 30 dias, ou seja, alterar o tipo de adoçante sintético a cada 30 dias. E, desta forma evitar os possíveis malefícios que cada um pode provocar, quando consumido por tempo continuado (> 30 dias).
ADOÇANTES "naturais" e sintéticos
Os adoçantes (também classificados de edulcorantes) dietéticos são, em sua maioria, compostos a partir de substâncias não calóricas, naturais ou sintéticas, conhecidas como edulcorantes.
Ciclamato, sacarinas e aspartame são exemplos de adoçantes sintéticos.
Estévia, frutose e sorbitol são exemplos de adoçantes naturais, embora, quando passam por processos de isolamento e concentração (purificação) tornam-se "sintéticos".
Além da diferença entre naturais e sintéticos, eles ainda podem ser classificados como adoçantes calóricos ou não calóricos.
Embora eu seja contra o uso de substâncias sintéticas (sejam elas adoçantes, corantes ou flavorizantes, etc.), existem pessoas e casos, como o dos diabéticos, onde o consumo consciente de adoçantes é a melhor solução. Assim, estar bem informado sobre como utilizar os adoçantes prejudicando o mínimo sua saúde, é o dever de todos.
Dentro das dosagens permitidas, essas substâncias ainda são uma opção bem mais saudável para o paciente diabético do que o açúcar. Suas particularidades começam na classificação em dois grupos principais: os calóricas e os não calóricos.
Os edulcorantes calóricos são mais utilizados para diluir ou dar textura ao adoçante ou ao alimento dietético, do que propriamente adoçar o produto.
É bom saber que o consumo excessivo de produtos contendo edulcorantes calóricos pode provocar elevação na taxa glicêmica ou diarréia. Por isso, olho nos rótulos.
A frutose e o sorbitol são os edulcorantes calóricos mais conhecidos pelos diabéticos e podem ser consumidos desde que estejam dentro da recomendação médica. Mas o paciente precisa estar bem compensado e saber que eles vão trazer mais calorias às suas refeições.
É um erro comum pensar que esses alimentos podem ser comidos à vontade, só porque são dietéticos. Aliás, comer compulsivamente produtos diet ou se exceder nas doses dos adoçantes, é um verdadeiro risco à saúde.
Edulcorantes não calóricos
FOS - frutooligosacarídeo - Também chamado de new sugar, foi desenvolvido em 1996 nos laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (Campinas/SP). É obtido pela ação de um fungo, o aspergillus niger, sobre a sacarose, pois uma molécula de sacarose fica "enriquecida" com quatro moléculas de frutose. Ele é 40% menos doce que o açúcar, uma aparente desvantagem, porém não é calórico, portanto não engorda, não provoca cáries, pode ser consumido por diabéticos, ajuda a flora intestinal e não apresenta gosto residual como a maioria dos adoçantes. Ainda não é muito disponível no mercado.
Sacarinas (sódica ou cálcica) - Primeira substância adoçante sintética a ser descoberta (1878), tem poder adoçante 500 vezes maior do que a sacarose. Em altas concentrações deixa sabor residual amargo. Fácil solubilidade em água e termo-estável.
Ciclamato - Descoberto em 1939, só entrou no mercado a partir da década de 50. Como a sacarina, é outro edulcorante artificial largamente usado no setor alimentício, sendo aplicado em adoçantes de mesa, bebidas dietéticas, geléias, sorvetes, gelatinas etc. Menor poder adoçante, é 40 vezes mais doce que a sacarose. Estável diante de altas temperaturas e meios ácidos.
Acesulfame-k - Criado em 1960, é o adoçante sintético que mais resiste ao armazenamento prolongado e a diferentes temperaturas. Adoça 200 vezes mais que a sacarose. Pode ser usado como adoçante de mesa e numa infinidade de produtos.
Stevia Rebaudiana - Descoberta em 1905 e muito difundida no Japão, esta planta é originária da fronteira do Brasil com o Uruguai e Paraguai. Das suas folhas se extrai o steviosídeo, edulcorante natural de sabor doce retardado e com poder adoçante 300 vezes maior do que a sacarose. Tem boa estabilidade em altas ou baixas temperaturas. Pode ser consumida sem nenhuma contra-indicação por qualquer pessoa. Não produz cáries, não é calórica, não é tóxica, fermentável ou metabolizada pelo organismo.
Sucralose - Descoberta em 1976, esta substância acaba de ser aprovada pela Administração de Drogas e Alimentos (FDA), dos EUA. Trata-se de um edulcorante sintético com poder adoçante 600 vezes maior do que a sacarose. Não é calórico e possui sabor agradável. É termo-estável e resistente a longos períodos de armazenamento. Pode ser usada como adoçante de mesa, em formulações secas (como refrescos e sobremesas instantâneas), em aromatizantes, conservantes, temperos, molhos prontos, compotas, etc.
Aspartame (por seu elevado poder de adoçar, apesar de calórico, na dosagem recomendada tem baixa ação calórica) - Edulcorante artificial descoberto em 1965. Possui sabor agradável e semelhante ao açúcar branco, só que com potencial adoçante 200 vezes maior, permitindo o uso de pequenas quantidades. Seu valor energético corresponde a 4 calorias/grama. Muito usado pela indústria alimentícia, principalmente nos refrigerantes diet. Sensível ao calor, perde o seu poder de adoçamento em altas temperaturas. A doçura também poderá diminuir quando armazenado por muito tempo. É contra-indicado para pessoas portadoras de fenilcetonúria, uma doença genética rara, que provoca o acúmulo da fenilalanina no organismo, causando retardo mental.
Edulcorantes calóricos
Sorbitol - Naturalmente presente em algumas frutas como a ameixa, cereja, maçã e pêssego, algas marinhas etc. Tem o poder edulcorante igual ao da sacarose e similar ao da glicose, não sendo aconselhável a pacientes obesos e diabéticos mal controlados. Calórico, fornece 4 calorias/grama e ao ser absorvido se transforma em frutose no organismo. A frutose é transformada em glicose no fígado, mas como o processo é lento, não altera significativamente a glicemia. Não provoca cáries, não é tóxico e resiste, sem perder seu potencial adoçante, aos processos de aquecimento, evaporação e cozimento.
Alerta: doses acima de 20 a 30 g/dia têm efeito diurético e acima de 30 a 70 g/dia provocam diarréia, em algumas pessoas esses efeitos ocorrem mesmo em doses baixas, como 10 g/dia. O sorbitol, assim como o manitol e o xilitol, aumentam a perda de minerais pelo organismo, principalmente o cálcio, podendo também provocar a formação de cálculos.
Manitol – Presente nos vegetais, trata-se de um adoçante natural com valor calórico de 4 calorias/grama, poder adoçante 70% superior ao da sacarose e um sabor levemente adocicado e refrescante. Não produz fermentação no organismo, mas provoca um significativo efeito laxante quando ingerido em doses elevadas. Quando absorvido pelo organismo estimula a secreção de insulina ao ser parcialmente convertido em glicose, porém não causa hiperglicemia. A OMS (Organização Mundial de Saúde) estabelece uma dose diária máxima de 50 a 150 mg/kg de peso corpóreo.
Xilitol - Fornece 4 calorias/grama e sabor semelhante ao da sacarose, apresentando uma sensação refrescante na saliva, que aumenta quando associado ao aroma de menta. É considerado um dos melhores preventivos contra cáries. Precaução: doses acima de 30 g/dia podem provocar diarréia quando consumido pela primeira vez.
Frutose – extraída do açúcar das frutas é um edulcorante natural e de sabor agradável. É importante o diabético estar bem compensado para usar produtos à base de frutose, já que ela é calórica. Tem poder de adoçamento 173 vezes maior que a sacarose. Excesso de frutose pode causar aumento de triglicérides e pessoas com problemas no metabolismo de lipídios e gorduras devem evitar o consumo desse edulcorante. Estudos comprovam que o uso por tempo prolongado dificulta a absorção do cobre, mineral importante na síntese da hemoglobina (responsável pela pigmentação dos glóbulos vermelhos).
Lactose - açúcar extraído do leite, costuma ser muito usado como diluente nos adoçantes de mesa. Fornece 4 calorias/grama e precisa da presença de insulina para ser metabolizado no organismo. Seu potencial edulcorante é cerca de 15 % maior que a sacarose.
Malto dextrina - açúcar extraído do milho, também muito usado como diluente nos adoçantes artificiais. Como a lactose, é insulino-dependente e tem 4 calorias/grama, sendo cerca de 50% mais doce que a sacarose.
Dextrose - outro açúcar derivado do milho com ampla aplicação na indústria alimentícia. Sua doçura é cerca de 70% maior que a da sacarose. Possui 4 calorias/grama e também necessita insulina para sua metabolização.
Com essas informações, vocês poderão selecionar, junto com o médico, os adoçantes que mais lhe pareçam adequados.
Ref. webgráfica: Sociedade Brasileira de Diabetes / www.diabetes.org.br
Texto extraído do livro Alimentação Consciente – Conceição Trucom - Edição Independente esgotada.
Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para a alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.
Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações, citada a autora e a fonte www.docelimao.com.br.

Problemas emocionais podem prejudicar funcionamento intestinal.

Alterações, como estresse e ansiedade, causam problemas intestinais. Segurar vontade de ir ao banheiro resseca as fezes e também prejudica.
Praticar atividades físicas e se alimentar bem traz diversos benefícios para a saúde, inclusive para o funcionamento do intestino. Fora isso, beber água e controlar as emoções também são fatores que ajudam.
O cirurgião do aparelho digestivo Fábio Atui explicou no Bem Estar desta quarta-feira (29) que alterações emocionais, como ansiedade e estresse, podem prejudicar a digestão. O intestino tem cerca de 100 milhões de neurônios conectados ao cérebro e tem relação direta com a sensação de bem-estar, já que 80% da produção de serotonina (hormônio do bem-estar) é produzida por ele.
Esse bem-estar pode ser prejudicado pela dificuldade para evacuar. Muitas pessoas se sentem desconfortáveis em ir ao banheiro fora de casa, mas isso pode ser um problema para a saúde.
Em uma enquete feita no site do Bem Estar, 61% dos internautas responderam que se sentem constrangidos em ir ao banheiro fora de casa. Mas, é importante saber que ir ao banheiro na hora que aparecer a vontade elimina as fezes do corpo e não as deixam paradas dentro do intestino. Caso essa vontade seja reprimida, as fezes ficam armazenadas até que a vontade venha novamente e elas começam a ficar ressecadas.
A gastroenterologista Luciana Lobato acrescentou que, quando a pessoa inibe a vontade de ir ao banheiro, o reto perde a sensibilidade, o que exige maior quantidade de fezes para que a vontade de evacuar venha novamente.
Esse problema pode começar desde a infância, quando os pais reprimem a criança que faz cocô na calça. Isso pode fazer com que ela acostume a segurar essa vontade e causar problemas no futuro.
Além disso, as meninas são educadas a não falarem sobre esse assunto desde pequenas e isso também prejudica porque elas desenvolvem a vergonha de ir ao banheiro, principalmente no local de trabalho ou na casa dos namorados.
Já os homens podem expressar essa necessidade desde pequenos e não se sentem desconfortáveis. Tanto para eles quanto para as mulheres, os médicos consideram normal ir ao banheiro uma vez a cada 3 dias ou 3 vezes por dia, desde que isso não cause desconforto.
Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Fábio Atui, é importante observar os sinais de alerta nas fezes: sangue, cor preta, muco, cheiro diferente e formato de serpentina são alguns fatores. A gastroenterologista Luciana Lobato acrescentou também o emagrecimento rápido, anemia e prisão de ventre em pessoas acima de 50 anos como sinais importantes e de risco para doenças graves.
Digestão
O processo começa na mastigação e termina no intestino grosso, onde o bolo fecal é eliminado. Para ter uma boa digestão, é importante não comer rápido, mastigar bem os alimentos e não tomar muito líquido durante as refeições, principalmente as bebidas doces e com gás. Fora isso, os alimentos gordurosos são mais difíceis de serem digeridos, então os médicos recomendam evitá-los.
A boa digestão ajuda a formar o bolo fecal e é aquela que a pessoa come e não se sente estufada, com gases e pesada. Isso acontece quando ela come alimentos saudáveis, com fibras e pouca gordura, e seu intestino consegue aproveitar os nutrientes.
A gastroenterologista Luciana Lobato recomenda uma alimentação com verduras, legumes frescos ou cozidos superficialmente e frutas após as refeições.
Segundo ela, as fibras presentes nestes alimentos ajudam a formar o bolo fecal, mas o excesso de fibras pode causar fermentação. A alimentação deve incluir também carboidratos, principalmente os integrais.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Estratégias alimentares

1. Mastigação: processo fundamental para uma boa digestão! Mastigue pelo menos 30 vezes antes de engolir para que o alimento seja devidamente triturado e seus nutrientes sejam melhor absorvidos.
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2. Fracionamento da dieta: alimente-se de 3 em 3 horas, fazendo no mínimo 3 refeições (café da manhã, almoço e jantar) e 2 lanches saudáveis entre as refeições principais. Evite pular refeições!
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3. Consumo de frutas e hortaliças: coma pelo menos 3 porções de hortaliças e 3 porções de frutas diariamente. Elas possuem uma boa quantidade de vitaminas e minerais, além de fibras, que equilibram e desintoxicam o corpo.
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4. Consumo de industrializados: evite consumir alimentos industrializados (enlatados, refrigerantes, biscoitos doces e recheados, empanados, embutidos etc), pois eles comumente contêm alta concentração de sódio e aditivos químicos que fazem mal à saúde
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5. Água: beba pelo menos 2 litros de água (6 a 8 copos) por dia, dando preferência para seu consumo no intervalo entre as refeições. A água é essencial para o bom funcionamento intestinal.
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6. Açúcar: o açúcar branco tem sido considerado o mal do século, intoxicando o corpo e causando inúmeros malefícios à saúde. Esforce-se para ficar longe dele e não deixar que esse vilão agrida sua saúde! Modere o seu uso ou corte-o de sua alimentação.
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7. Moderação no consumo de gorduras: tenha cuidado com a quantidade de gorduras saturadas e trans que você consome, fique alerta aos rótulos! Dê preferência por alimentos que contenham gorduras mono e poliinsaturadas (azeite, peixe, castanha etc).
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8. Dar preferência a grãos integrais: aumente o consumo de grãos integrais, pois eles possuem uma maior quantidade de vitaminas, minerais e fibras do que os refinados. Caso não seja economicamente possível para você, adicione uma colher de sopa de farelo de arroz em algumas preparações.
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9. Consciência alimentar: responsabilize-se pelo o que você come. Saiba que o que você ingere está afetando direta ou indiretamente sua saúde. Faça da alimentação uma aliada do bem estar e da qualidade de vida para você e sua família!
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[Autora: Isis Moreira]

Fuja dos mitos na hora de acabar com a ressaca

http://www.minhavida.com.br/saude/galerias/12556-fuja-dos-mitos-na-hora-de-acabar-com-a-ressaca?utm_source=news_mv&utm_medium=saude&utm_campaign=936918
  Muitas receitas populares não e resolvem e ainda pioram os sintomas
Por Fernando Menezes
Com a chegada das festas de fim de ano pensamos em relaxar, rever os amigos e família e aproveitar bem os dias de descanso. Com tantas oportunidades é mais do que comum exagerar no consumo de álcool e sentir os efeitos de seu excesso em nosso corpo no dia seguinte. Esse quadro em que o organismo está intoxicado pelo álcool é chamado de veisalgia, conhecido popularmente como ressaca.
As características mais comuns relatadas incluem dor de cabeça, sensibilidade a luz e ruídos, náuseas e sede. Em casos mais graves pode causar diarreia, vômito e letargia. Além dos sintomas físicos ela pode incluir sintomas psicológicos, como depressão e ansiedade. "Todos esses problemas estão relacionados à desidratação causada pelo excesso de álcool", diz a nutricionista funcional Pollyana Esteves.
O desconforto da ressaca é tanto que não faltam receitas populares para prevenir e curar os sintomas. Veja a seguir o que é verdade e o que é mito e pare de sofrer com os efeitos dela
As mulheres sofrem mais do que os homens - É verdade
Na maioria dos casos, as mulheres, além de ter menos resistência ao álcool, sofrem mais quando estão de ressaca. "O metabolismo das mulheres é naturalmente mais lento do que o dos homens. Por isso, a ressaca dura mais nas mulheres do que nos homens", explica a nutricionista Pollyana Esteves. Além disso, o fígado feminino é mais sensível do que o masculino, fazendo com que o álcool tenha seus efeitos ampliados nas mulheres, mesmo em menores doses.
Tomar uma colher de azeite antes de beber diminui a absorção de álcool - É mito
Diz a lenda que mandar uma colher de óleo garganta abaixo antes da balada irá forrar o estômago com uma camada de óleo, que diminuirá a absorção de álcool pelo organismo. A explicação parece fazer sentido, mas não traz esse efeito na prática. "Tomar uma colher de azeite não interfere em nada absorção de álcool pelo estômago. Na verdade pode até piorar o enjoo que sentimos quando ingerimos muita bebida alcoólica. O melhor meio de diminuir os efeitos do álcool é comer alimentos antes de beber", explica a nutricionista.
Fumar enquanto bebemos amplifica os efeitos do álcool - É verdade
A combinação cigarro e álcool é desastrosa. A fumaça do cigarro que vai para os pulmões atrapalha a absorção de oxigênio, deixando o corpo mais vulnerável à intoxicações. "Com a falta de oxigênio, todo o corpo tem suas funções alteradas, inclusive o fígado e o sistema nervoso, partes do corpo que mais sofrem com os efeitos do álcool. Por isso quem fuma e bebe ao mesmo tempo, sofre ainda mais com a ressaca", explica Polyana Esteves.
Tomar café puro acelera a recuperação - É mito
Uma das receitas caseiras mais famosas para acabar com a ressaca é tomar um café forte, sem açúcar para estimular o corpo. Tomar café para aplacar a ressaca só se for com açúcar. A glicose ajuda a quebrar o álcool que está no sangue, acelerando o processo de desintoxicação do organismo. "O café realmente tem efeito estimulante, mas não ajuda a metabolizar o álcool", diz Polyana Esteves.
Consumir comidas gordurosas no dia seguinte atrapalha a recuperação - É verdade
Durante uma ressaca, o fígado está sobrecarregado tentando metabolizar a grande quantidade de álcool ainda existente no corpo. Colocar mais alimentos que dão trabalho ao fígado só vai atrasar mais a eliminação das toxinas do álcool. "Todo o corpo trabalha de maneira diferente quando estamos de ressaca. Por isso, devemos comer apenas alimentos leves que serão fáceis de digerir", diz a nutricionista. Comer qualquer alimento logo depois da bebedeira não vai ajudar em nada e ainda pode aumentar o enjoo. A refeição deve ser feita antes ou durante a ingestão de bebidas alcoólicas para ter qualquer efeito.
Vinho causa uma ressaca mais intensa do que a cerveja - É verdade
O vinho tinto contém uma substância chamada tanino, um polifenol que pode causar dor de cabeça em algumas pessoas. Somado à desidratação causada pelo álcool, os taninos podem tornar a dor de cabeça muito mais intensa do que o normal. Outras bebidas que contém esse tipo de polifenol são o uísque e os licores maltados.
Em teoria, as bebidas como cerveja, vodka e gin causariam menos dor de cabeça. Isso porque essas bebidas, se consumidas em grande quantidade, também causam os sintomas típicos da ressaca, como enjoo e dor de cabeça.
Comer massa depois da bebida e antes de dormir diminui os sintomas - É mito
Comer qualquer alimento logo depois da bebedeira não vai ajudar em nada e ainda pode aumentar o enjoo. A refeição deve ser feita antes ou durante a ingestão de bebidas alcoólicas para ter qualquer efeito. Além disso, enquanto a comida ajuda a desacelerar a absorção de álcool pelo corpo, comidas ricas em gorduras são as que fazem isso melhor. Então, antes de tomar sua primeira rodada de cerveja, consuma um bife de carne vermelha em vez de um macarrão (carboidratos), que talvez você escape de uma ressaca.
Água é a melhor receita - É verdade
O melhor modo de amenizar e tratar os efeitos da ressaca é hidratar o corpo. Por isso, a água é uma ótima opção, e deve ser consumida não só durante uma ressaca, mas também quando estamos ingerindo bebidas alcoólicas. "Uma boa dica para combater a desidratação causada pelo álcool é intercalar cada dois copos de bebida alcoólica com um de água", diz a nutricionista Pollyana Esteves.
No entanto, a água não é a única saída para hidratar o corpo. Sucos, água de coco e bebidas isotônicas são boas maneiras de compensar a falta de água no organismo. "Alguns chás, como o de hortelã, também podem ajudar tanto por hidratar o corpo como para facilitar a digestão do álcool", diz a especialista.
E muito cuidado com os energéticos, que costumam ser associados ao consumo de álcool! Eles são diuréticos, ou seja, além de não hidratar eles favorecem a desidratação, potencializado os efeitos do álcool e da ressaca.
Tomar mais bebida alcoólica melhora a ressaca - É mito
Aquela velha história de que tomar mais álcool ajuda a curar a ressaca é um dos piores erros para aliviar o desconforto. "O seu corpo já está tentando se livrar de todo aquele álcool, e ingerir mais dessa substância pode até trazer alguma sensação de bem estar no começo, mas logo irá piorar os sintomas e atrasar a recuperação", explica a nutricionista.
Remédios ajudam a diminuir os sintomas- É verdade
Alguns remédios, como analgésicos, realmente fazem efeito. Eles afinam os vasos sanguíneos, afastando a dor de cabeça e a sensação de enjoo. Mas jamais consuma remédios com bebidas alcoólicas, como se os medicamentos tivessem ação preventiva. Eles podem reagir com a bebida e causar problemas como tonteira, vômito, perda da coordenação motora e redução dos reflexos, entre outras reações mais graves.
O ácido acetilsalicílico, encontrado na Aspirina e em outros analgésicos, se combinado com álcool, pode causar irritação na mucosa gástrica e aumentar o risco de hemorragia gastrointestinal. Já na interação de álcool com Paracetamol, princípio que é encontrado em medicamentos como o Tylenol, o risco de causar danos ao fígado é grande

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Entenda a relação entre filosofia do Tao, saúde e bem-estar

"Filosofia do Tao busca uma maior harmonia com a natureza a partir da natureza interior da pessoa. Se a pessoa estiver com seu eu interior ruim, ‘vê’ o mundo ruim. Se a pessoa estiver bem o mundo é maravilhoso"
Taoísmo é um conjunto de ensinamentos filosóficos de prática e origem chinesa.
Sua crença vem através da existência de uma força que rege os fenômenos na natureza. Essa força ou energia universal está ligada à fauna, flora e aos elementos da natureza: terra, fogo, água, ar e madeira.
*O Taoísmo, chegou até nós pelo sábio Lao Tsé através de sua obra Tao Té Ching escrita há mais de cinco séculos antes de Cristo. Sua filosofia é profundamente espiritual. Sua influência foi profunda nas culturas chinesa e japonesa, e permanece viva, não só nesses países.
O Tao Té Ching é uma daquelas obras perenes da humanidade da qual, se nos aproximarmos dela com abertura de espírito, colheremos ensinamentos preciosos que nos ajudarão a trilhar nossa vida com mais paz e harmonia.
É difícil se traduzir a palavra ‘Tao’. Algumas das suas traduções são: a Essência, a Suprema Realidade, a Lei Universal que está em tudo o que existe, a Divindade, o Insondável. ‘Té’ pode ser traduzido por caminho, diretriz, revelação; e ‘Ching’, por livro, escrito, documento. Uma tradução que gosto é o Livro do Caminho da Essência. O Tao deve ser mais sentido, intuído, do que compreendido intelectualmente.
 
A essência do Tao
O ser humano deve viver em harmonia com a natureza através da exploração do seu meio interior. Então se o seu mundo interior estiber bem, você consegue fazer o mundo externo melhor, pois você se sintoniza com a harmonia cósmica.
O principal fundamento do Tao ressalta exatamente o autodesenvolvimento espiritual, a libertação do sofrimento e a busca da transformação de algo mais sublime de seu interior.
O taoísmo é fortemente influenciado por outros tipos de pensamentos como o budista, o confucionismo. O taoísmo perpetra em toda a cultura chinesa: nas artes (construção, arquitetura, literatura...) medicina. Tanto que se você hipoteticamente retirar o taoísmo e o budismo da cultura chinesa, toda essa cultura desaparece.
Medicina tradicional chinesa e o Tao
Por isso que no princípio da MTC se busca a raiz da doença e não o tratamento dos sintomas. Por exemplo, a gastrite é conseqüência de uma alteração da energia do estômago. Então aplica-se o princípio taoísta de buscar a causa do desequilíbrio nessa região. Na busca da origem da doença, você encontra respaldo na natureza e no ambiente para a sua cura.
*Por Leonel Vieira: psicólogo clínico e organizacional

Intolerância Alimentar. você tem alguma?..

* Dra. Cristiane Spricigo de Lima
Alguma vez você já se perguntou por que determinado alimento não lhe faz bem? Pois é, você pode ser intolerante a alguma substância contida naquele alimento. Determinar que um alimento faz bem a todos é um grande erro. O que faz bem a uns pode causar sérios problemas a outros.
Os alimentos são misturas complexas de uma série de moléculas alergênicas e, por este motivo, muitos imunologistas consideram "um milagre o fato de o homem sobreviver à alimentação.”
Muitas pessoas confundem alergia e intolerância alimentar, pois os sintomas são semelhantes. Clinicamente, os mais importantes sintomas comuns a ambas as situações envolvem a pele, o trato gastrintestinal (sistema digestivo) e o trato respiratório. Adicionalmente, a intolerância alimentar causa, muitas vezes, cefaleias, dores nas articulações, fadiga e mal estar geral. Porém, suas causas são distintas, vamos lá:
Uma reação alérgica ocorre quando o sistema imunológico do organismo reage de maneira contrária até mesmo a uma quantidade mínima de um alimento específico ou agente ambiental. As reações alérgicas são de proporções exageradas para o material estranho que colocamos no nosso organismo.
A intolerância, por outro lado, é causada pela incapacidade do organismo se desintoxicar de alguns componentes dos alimentos. Neste caso, o sistema imunológico, não está envolvido. A intolerância pode tomar duas formas: ou o componente que o organismo deseja se livrar é um não-nutriente (corantes, conservantes) ou é um nutriente que pela constituição genética, o organismo não consegue digeri-lo. No primeiro caso, é provável que a reação do organismo seja pelo excesso consumido e no segundo nos falta enzimas suficientes para digeri-los.
O nosso organismo necessita de das enzimas para realizar as reações químicas que transformam uma substância em outra e, se nos falta uma enzima digestiva específica, enfrentamos problemas com a alimentação. Qualquer alimento pode causar uma reação de intolerância, mas o mais comuns são leite, trigo, crustáceos, chocolate, conservantes e corantes em geral.
As reações de intolerância alimentar incluem:
- Liberação não-alérgica de histamina. Os mariscos e os morangos causam esta reação em alguns indivíduos, que geralmente desenvolvem erupção cutânea.
- Defeitos nas enzimas. Indivíduos com uma deficiência de lactase, por exemplo, não podem digerir o açúcar do leite, a lactose. O tratamento consiste em dieta com pouco leite e derivados.
- Reações farmacológicas. Estas ocorrem em resposta a componentes alimentares, como as aminas. Elas são encontradas em alimentos que contêm nitrogênio (por exemplo, aminoácidos em alimentos como chá, café, bebidas de cola e chocolate). Os efeitos podem ser desencadeados por pequenas quantidades do alimento e incluem enxaqueca, tremores, sudorese e palpitações.
- Efeitos irritantes. Alimentos como o curry podem irritar o intestino. O glutamato monossódico pode causar uma doença conhecida como a síndrome do restaurante chinês, que resulta em dor no peito, palpitações e fraqueza.
A intolerância mais comum é a do leite que é provocada pela incapacidade de aproveitarmos a lactose(açúcar do leite) que produz alterações abdominais, na maioria das vezes, diarréia, que é mais evidente nas primeiras horas após o consumo. Este problema ocorre com cerca de 25% dos brasileiros.
A intolerância à lactose pode ser:
- Genética;
- Adquirida quando ocorrem fatores que possam causar doenças digestivas que promovem inchaço das vilosidades do intestino, que escondem a lactase e não deixam que ela exerça a sua função de hidrolisar a lactose;
- Decorrente de cirurgias, quando, por exemplo, uma parte do intestino é removida. Neste caso, a quantidade de lactase no intestino pode se tornar insuficiente para hidrolisar a lactose, mesmo se, anteriormente à operação, a pessoa era tolerante à lactose.
Mas, atenção, se determinados alimentos forem vetados definitivamente do seu dia a dia, você deve procurar substituí-los por outros fornecedores dos mesmos nutrientes. É esse, justamente, o objetivo da orientação alimentar: identificar o alimento agressor, através da dieta de eliminação, e evitar deficiências nutricionais, substituindo os alimentos causadores das manifestações adversas por outros nutricionalmente semelhantes. Desta forma, qualquer indivíduo com suspeita de ter uma intolerância alimentar deve ser diagnosticado e tratado por um médico e um nutricionista.
Para que o post não ficasse gigante, dividi o assunto em duas partes. Semana que vem falo sobre alergias alimentares.
 * Dra. Cristiane Spricigo de Lima:
Nutricioniasta Esp. Em Nutrição Esportiva


Fontes:
BRICKS, Lúcia Ferro. Reações Adversas aos Alimentos na Infância: Intolerância e Alergia Alimentar - Atualização. Revista de Pediatria. 1994.
EMSLEY, John, FELL, Peter. Foi alguma coisa que você comeu? Intolerância Alimentar: Causas e Prevenções. Editora Campus, 2001.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

As teorias de Hipócrates sobre as terapias de cura

A vida cura a vida. Pe.Paulo Wendling - Terapeuta Holístico
- Antes de tudo, não prejudicar! Hipócrates, o pai da Medicina O nosso trabalho se baseia no princípio de Hipócrates. "Primum Non Nocere" (antes de tudo, não prejudicar). A prática terapêutica holística, que segue a medicina de Hipócrates, considera o homem como um todo: corpo, mente, espírito. Hipócrates defendia a medicina do doente, a mesma propunha que a pessoa possui uma unidade 27 vital de acordo com a unidade cósmica. Um doente deve ser considerado no seu todo, a alma e o corpo expressos na força vital. Para haver saúde é necessário haver equilíbrio, harmonia entre a alma, a mente e o corpo. Por isso, a terapêutica holística é uma terapêutica que reconhece no homem um todo indivisível. Para Hipócrates a arte de curar "é seguir o caminho pelo qual a natureza cura espontaneamente". Estabeleceu, no Juramento, a proibição de administrar venenos, recomendando, no Tratado das Articulações: "escolher, quando se dispuser de vários procedimentos para agir, o mais simples". Esta é a proposta fundamental da terapêutica holística: seguir as orientações do Pai da Medicina: "curar sem prejudicar"! A natureza é que cura, dizia Hipócrates. O poder de curar, entende-se normalizar as funções orgânicas, só o possui a natureza do indivíduo, quer dizer, reside em sua força (energia) vital. Cada um possui uma força que mantém a sua vida. Esta força, Hipócrates chamou de "energia vital". Há uma disposição natural de cada organismo defender a sua própria vida e manter a saúde (vida). É a energia vital que cura: A ViDA CURA A VIDA! Esta energia vital mantém-se mediante alimentação e eliminações normais. Pela lógica de Hipócrates, alimentação entende-se aqui como alimentar o corpo, a mente e a alma e consequentemente as devidas eliminações. Por isso, raiva, ódio, olho grande, ganância intoxicam tanto quanto os alimentos ingeridos pelo corpo. Todo doente é vítima de debilitamento da sua energia vital por más digestões que o desnutrem e intoxicam. Esta força vital que se manifesta mediante a atividade do sistema nervoso, se fortifica com a ação dos agentes naturais, tais como: o ar puro, a luz, o sol, a terra, água, os alimentos vivos, as ervas; a força vital, por outro lado, se deprime, debilita e se destrói com os tóxicos provenientes da má digestão, o veneno contido nos alimentos e remédios, vacinas, drogas, antibióticos, raivas, ódios e toda forma de desequilíbrios e excessos. Arndt-Schultz estabeleceram a seguinte lei: "Um estímulo químico forte gera uma baixa energia vital e por outro lado um estímulo químico fraco gera uma alta energia vital". 28 O uso dos medicamentos químicos, gera baixa energia vital porque utiliza fortes estímulos químicos. Para Hipócrates o uso de estímulos energéticos positivos gera grande energia vital. Por isso, a terapêutica holística não se apresenta como uma alternativa para o modelo de tratamento que vigora na sociedade de hoje. Se fosse uma alternativa, seria apenas uma outra forma. A Terapêutica Holística visa equilibrar o que está desequilibrado, e isto não se faz somente pelo uso de remédios feitos de ervas, como a maioria pensa e age, mas sim, pela mudança profunda, e por vezes radical, da maneira de ser, pensar, de viver, de se alimentar, de trabalhar... Não basta colocar uma farmacinha com remédios naturais ao lado da farmácia química... Lembre-se: se remédio e medicamentos curassem não tínhamos doentes nem doenças... 2 - Os métodos hipocráticos No tempo de Hipócrates existiam os médicos-sacerdotes que tratavam os doentes mediante uma terapêutica religiosa que, combinando a medicina empírica com um conjunto de ritos e salmos, conseguia impressionar e acalmar a imaginação do paciente. É desta visão que muitas vezes falava-se, em tempos idos, que a "medicina era um sacerdócio e que o sacerdócio era uma medicina". Pela lógica, o sacerdote é terapeuta da alma e por que não ser terapeuta também do corpo, já que o homem deve ser visto como um todo? A cidade de Cós, onde Hipócrates nasceu 460 A. C., possuía um destes templos, ao qual Hipócrates tinha livre acesso. Era um dos mais importantes, porque a existência das águas termais tornavam-no grande atração para os doentes. Os ritos médico-religiosos que ali se celebravam eram presididos pela estátua do deus Esculápio, cuja, característica, o báculo com serpente enrolada. até hoje é o símbolo da medicina. Submetia-se o enfermo, antes de levá-lo à presença do deus, a purificações com abluções, banhos frios ou quentes, era privado de vinho e recebia conselhos sobre regime alimentar a seguir. 29 Portanto, a Terapêutica Holística hoje encontra seu fundamento e sua inspiração nos sanatórios-templos da Grécia antiga. Saber usar corretamente os recursos naturais é a terapia sugerida pelo pai da Medicina, Hipócrates. Se olhamos para a medicina hoje, vamos perceber claramente que esta não ocorria nos templos-sanatórios. É claro e lógico, os tempos eram outros e as circunstâncias completamente diferentes. Cirurgias, medicamentos, exames não faziam parte da rotina dos doentes. No centro desta medicina, como espaço mesmo, encontrava-se o templo de Esculápio. Seguindo rituais, que passavam pela mudança de hábitos alimentares e pelo uso de recursos naturais, o paciente era preparado durante semanas para vivenciar a noite decisiva de sua estadia no sanatório, o pernoite no templo, a assim chamada incubação. Nesta noite especial, em um lugar especial do templo, ele se deitava enquanto a atmosfera era preparada por meio da luz e das essências odoríficas correspondentes, e finalmente adormecia. O decisivo acontecia durante o estado de sono, segundo o ditado de que "O Senhor dá a cada um o que lhe corresponde durante o sono". O paciente sonhava com a solução de seu problema. Ou ele via diretamente imagens que surgiam diante de si, ou Esculápio aparecia diante dele e lhe dava a entender para onde seu caminho se dirigia. Sem uma desintoxicação do corpo não há uma intervenção do deus Esculápio para operar a cura a nível da alma. Entender isso é pressuposto básico para praticarmos a terapia holística hoje.

Pão e saúde

http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=820&sid=8
 Por: Maria Ramos
Que o pão faz parte do dia-a-dia do brasileiro todo mundo sabe. Geralmente o café da manhã não começa sem ele. Mas será que o pão tem valor nutritivo? Ele é importante para a nossa saúde? Quem quer emagrecer deve cortar o pão da dieta? Qual a melhor opção: pão branco ou integral? E o que é este tal de glúten que vem escrito na embalagem? Ele faz mal?
Ufa! São realmente muitas dúvidas, não? Apesar de o pão estar na mesa do brasileiro há mais de 200 anos, as pessoas, em geral, sabem muito pouco sobre ele.
A importância do pão
Pães, assim como massas, batatas, mandioca e cereais, são alimentos ricos em carboidratos. Geila Felipe, nutricionista da Fiocruz e do Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição da região Sudeste, explica que os carboidratos são a base da nossa alimentação e a primeira fonte de energia que o nosso corpo usa.
Uma dieta pobre em carboidratos pode trazer efeitos indesejados, como fraqueza, mal-estar, desidratação, perda de massa magra, menor resistência a infecções, dentre outros problemas. Para o bom funcionamento do organismo, 50 a 60% das calorias que nós ingerimos devem vir dos carboidratos.
Afora isso, o pão tem uma importância cultural e religiosa muito grande. “Ele está associado ao ato de compartilhar, ao momento em que a família se reúne pela manhã e aproveita para conversar”, defende a nutricionista.
Pão engorda?
O pão, por si só, não engorda. O que engorda é o consumo excessivo de carboidratos, bem como de qualquer outro macronutriente, como proteínas e gorduras. A nutricionista Geila Felipe explica que é errado pensar que os carboidratos devam ser cortados da dieta de quem quer emagrecer. O importante, segundo ela, é não exceder os valores recomendados.
Entretanto, uma dica importante para quem quer perder peso é que existem dois tipos de carboidratos: os simples e os complexos. Os simples estão presentes nos alimentos de sabor adocicado, como mel, geleia, leite, açúcar e frutas. Já pães, massas, arroz, cereais, batata, mandioca e farinha pertencem ao grupo dos carboidratos complexos.
Quem quer emagrecer, deve preferir uma alimentação equilibrada, composta por verduras, legumes, frutas, feijões e carboidratos complexos integrais. Os alimentos integrais são digeridos mais lentamente e, por isso, dão uma sensação maior de saciedade, além de conterem fibras que ajudam a regular o intestino. Neste caso, o pão integral pode ser uma opção melhor do que o pão branco.
Quanto aos carboidratos simples, devem ser consumidos esporadicamente e com moderação. Para perder peso, o ideal é evitar alimentos como doces, chocolates e guloseimas em geral. A exceção fica para as frutas e o leite, que devem ser consumidos, uma vez que são fonte de fibras (no caso das frutas), vitaminas e minerais.
Praticantes de atividades físicas, com duração superior a uma hora, devem priorizar a ingestão de carboidratos antes, durante ou após a atividade. Já quem não pratica exercícios deve controlar a quantidade de carboidratos, especialmente no período noturno, em que o metabolismo do corpo fica mais lento.
O que é glúten?
Pão de arroz: sem glúten*
“Contém glúten”. Você já deve ter visto esse alerta nas embalagens de diversos alimentos, certo? O glúten é uma proteína encontrada nos cereais (trigo, centeio, aveia e cevada) e, portanto, está presente no pão. Essa proteína possui uma capacidade elástica que permite o pão ficar fofinho e gostoso, por não deixar arrebentar aqueles buraquinhos que se formam na massa quando ela cresce, ou seja, fermenta.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) exige que seja informado, no rótulo, que o alimento contém glúten, porque algumas pessoas têm alergia a essa proteína, uma moléstia chamada de doença celíaca.
Mas ao contrário do que afirmam os defensores da dieta do glúten, uma dieta da moda que invade academias e lojas de produtos naturais, a nutricionista Geila Felipe explica que, até o momento, não há razão para crer que o glúten faça mal a pessoas que não possuem a doença celíaca.
Segundo ela, não existe nenhuma comprovação científica para o argumento de que o glúten forma uma cola na parede do intestino, impedindo o seu funcionamento. “O que pode ocorrer são casos mais raros de pessoas que descobrem que possuem algum grau de alergia ao glúten já na vida adulta”, esclarece a nutricionista. Além disso, no glúten, está presente um aminoácido
O aminoácido é a menor estrutura de uma proteína  chamado glutamina que, segundo Geila, é essencial para nutrir as células do intestino: “Em caso de desnutrição grave de pessoas internadas, por exemplo, a glutamina é muito usada para impedir que bactérias presentes no intestino migrem para outros locais do corpo em busca de alimento e, desta forma, acabem provocando infecções”.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Acupuntura é patrimônio cultural da humanidade

 http://www.medicinabiomolecular.com.br/sdi4/sdi4-arquivos/pdf/news38.pdf
 Por Cláudia Rodrigues - Jornalista
Um pouco da história da acupuntura no Brasil!
MEU ACUPUNTURISTA É MÉDICO, E O SEU?‖
 Por recurso do Conselho Federal de Medicina o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, decidiu pela proibição da prática da acupuntura por quaisquer profissionais da saúde que não tenham formação em faculdades de medicina. A decisão da última terça-feira está valendo a partir da publicação oficial, ainda que as demais categorias recorram. Acupuntura no Brasil agora é ato médico. Exclusivo. A política médica que ganha hoje no país a exclusividade para a prática da acupuntura já desqualificou a técnica nos mesmos tribunais. No final dos anos 1960 a categoria posicionou-se contra a prática da acupuntura, considerando-a charlatanismo. Acupunturistas foram presos acusados de curandeirismo, estavam totalmente desprotegidos pela legislação. No início dos anos 1970 o Conselho Federal de Medicina rejeitou oficialmente a acupuntura e a reflexologia como atividades médicas. O Conselho de Medicina de São Paulo censurou publicamente o médico Evaldo Martins Leite por praticar acupuntura, Naquela época, ainda que em outros países a acupuntura estivesse sendo reconhecida e procurada como uma nova ferramenta de trabalho por vários profissionais, entre eles os médicos, no Brasil era uma vergonha ser médico e defender a acupuntura. Os resultados práticos dos efeitos da terapia oriental eram inegáveis e vários países foram envolvidos em estudos para testar sua eficácia sob os paradigmas da pesquisa ocidental. Em 1977 o Brasil chegou a reconhecer a acupuntura como ocupação profissional. A Organização Mundial de Saúde, na mesma época, além de reconhecer, recomendava a prática. Os usuários surgiam, os profissionais acupuntores, vindos das mais variadas áreas de saúde, se multiplicavam. Médicos brasileiros, contrariando o CFM, começaram a fazer a formação com o alemão naturalizado brasileiro Friedrich Jahann Spaeth na antiga sede da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1979. Spaeth, que era fisioterapeuta, massoterapeuta e acupunturista formado na Alemanha, fundou no Brasil, em 1958, a primeira instituição voltada para a prática da acupuntura, a Sociedade Brasileira de Acupuntura e Medicina Oriental. Antes dele, a acupuntura já existia nas comunidades chinesas desde 1812 e nas japonesas desde 1895. Os imigrantes orientais usavam-na entre eles, mas nunca se organizaram para difundi-la. Em 1961 desembarcou no Brasil Wu Tou Kwang, médico cirurgião vascular, que também passou a formar acupuntores, sempre defendendo a atividade como democrática, multidisciplinar, barata e eficaz. Na mesma década vieram os coreanos trazendo uma acupuntura diferente da japonesa e da chinesa. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o psicólogo Reuben B. Arnber, aluno de acupuntura de Wu Wei Ping, iniciava uma jornada política pela regulamentação da acupuntura. Mesmo sem apoio do Conselho Federal de Medicina, mais médicos passaram a frequentar cursos de acupuntura. A terapia oriental funcionava, eles podiam atestar, fervilhavam as pesquisas com revelações surpreendentes sobre o uso e a eficácia da técnica das agulhas. Politicamente era um problema a acupuntura ser lecionada por não-médicos, a autoridade principal do assunto não ter formação médica. Em 1980, pelo fato de não ser médico, Frederich Spaeth foi destituído da presidência da Associação Brasileira de Acupuntura pelos seus ex-alunos médicos. No raciocínio político, os médicos precisavam assumir a técnica, agora que ela era respeitada pela ciência. Banir os papas da acupuntura no país significava desvincular da ideia inicial, produzida pelos próprios conselhos de medicina, de que era charlatanismo. Perversão pouca é bobagem. E o judiciário ali, de testemunha na corrida do ouro. Na bela Recife de 1981, no I Congresso Brasileiro de Acupuntura, a manifestação de repúdio aos profissionais tradicionais de acupuntura por parte de médicos corporativistas tomou forma oficial e em 1984, em outro congresso da categoria, em Brasília, os médicos separaram-se oficialmente dos demais acupuntores para fundar a SMBA- Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura. Quatro anos depois o médico-deputado paulista Antonio Salim Curiati deu entrada ao projeto PL852/88 a favor da prática multidisciplinar da acupuntura. No mesmo ano a CIPLAN, comissão interministerial de Planejamento, após se reunir exclusivamente com representantes da SMBA, baixou resolução normatizando o emprego da acupuntura nos serviços públicos médicos assistenciais, restringindo a prática apenas para médicos. Em 1991, uma resolução em assembléia da OMS recomendou a intensificação de cooperação entre as medicinas tradicionais e a científica moderna, com medidas reguladoras dos métodos de acupuntura. O PLC Nº383/1991 para regulamentação da acupuntura foi aprovado, inclusive por todos os conselhos de medicina. Não durou muito o aparente sossego. Em 1993 a Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária publicou um relatório com recomendação de que a acupuntura fosse monopolizada pela classe médica. O seminário, que resultou na recomendação, foi composto por 12 médicos da SMBA, 2 médicos a favor dos acupunturistas de outras formações e um profissional não-médico. Os médicos Wu Tou Kwang e Evaldo Martins Leite recorreram ao senador Valmir Campelo convencendo-o a mudar de opinião e democratizar a regulamentação para todos os profissionais da área saúde. Um abaixo-assinado contra o monopólio médico da acupuntura, com 45.000 nomes, sendo 300 de assinaturas de médicos,
foi enviado ao Senado. Em 1997, uma nova manobra com emendas em plenário dos senadores médicos Lucídio Portela e José Alves tentou restaurar o monopólio da acupuntura para os médicos. Depois de muitos imbróglios, foi derrotada e a acupuntura se fortaleceu como profissão da área de saúde, respeitando suas origens não-médicas, podendo ser praticada por assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, biólogos, profissionais da educação física, biomédicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, médicos veterinários, nutricionistas, psicólogos e odontólogos. Entre os anos 1980 e o final dos anos 1990, segundo dados publicados no Journal of the American Medicine Association, as chamadas ―terapias alternativas‖ cresceram de 7% para 47% e a previsão era de que continuassem em elevação. No judiciário brasileiro somavam-se processos contra o exercício ilegal da medicina por acupunturistas não-médicos. O acesso ao livre exercício da profissão por outras categorias da área da saúde enfrentava atos arbitrários sucessivos do Conselho Federal de Medicina. As organizações pró-acupuntura multidisciplinar foram crescendo e se fortalecendo política e praticamente, já com base em evidências científicas, o que é raro nas terapias alternativas. Ainda em 1998, cientistas na Universidade da Califórnia comprovaram por meio de ressonância magnética que os pontos da acupuntura estavam mesmo ligados a importantes órgãos internos e funções do corpo. Era ciência, uma ciência caindo nas mãos de seus próprios criadores e eles faziam com ela o que bem quisessem, até formavam profissionais não-médicos! Foi um momento desesperador para os médicos corporativistas. Em 1999, ano de muito crescimento em pesquisas, fundações de instituições e popularidade da acupuntura, cresceram os debates. Nesse ano estimou-se que 5.000 médicos e 20.000 profissionais de outras áreas da saúde faziam uso da acupuntura. Em 2000, nova broma. Um grupo de médicos brasileiros enviou relatório ao Senado afirmando que na China, berço da acupuntura, ela era lecionada exclusivamente em escolas médicas. Não deu certo: num lance digno de profissionais éticos, o diplomata Affonso Celso de Ouro Preto, embaixador do Brasil na China, enviou carta ao Senado afirmando que, na China, ―a acupuntura é uma atividade socialmente independente da medicina alopática ocidental‖, sendo regulada pela Secretaria Nacional de Administração da Medicina Chinesa, sem qualquer ligação com a medicina alopata clássica. Em 2000, após o arquivamento da tentativa de monopólio da acupuntura pela classe médica no Senado, a Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura lançou a campanha com a pergunta – ―Meu acupunturista é médico, e o seu?‖ — que induzia o eventual usuário a duvidar da capacidade dos acupunturistas vindos de outras áreas da medicina. E assim, nesse ritmo, continuou nos últimos 12 anos. A briga contra o exercício da acupuntura por outros profissionais da saúde é a mesma velha briga da medicina por mercado, por vaidade, por poder, por medo de perder o poder, como fica claro
 nessa breve e resumida história sobre a batalha particular entre médicos corporativistas e todos os outros profissionais de saúde que foram surgindo ao logo da história por consequência natural, e podemos afirmar, por ciência, derrubando crenças médicas.
 A guerra de hoje é a mesma que atravessa séculos contra o exercício pleno e legítimo do trabalho das parteiras, das enfermeiras. A mesma que levanta piadas contra o trabalho dos psicólogos, dos terapeutas, a mesma luta covarde contra os direitos dos profissionais da fisioterapia, dos optometristas. É a mesma, é o de sempre, é mais do mesmo. Não surpreenderia tanto se esses profissionais da medicina não fossem tão bem formados, tão bem treinados em incontáveis horas de estudo e treinamento técnico. Fica difícil compreender como profissionais de alto gabarito podem usar de estratégias e manobras políticas tão baixas, idênticas às que utilizavam na Idade Média. O espírito competitivo, predador e excludente dos representantes oficiais dos médicos no Brasil ainda levará a categoria inteira para o fundo do poço, o mesmo velho poço que tem servido para sepultar todos aqueles que ao longo da história da medicina foram acusados de charlatões.

Salsa: Uma alternativa à prevenção da trombose

Marcello Henrique Corrêa
Uma nova proposta para a prevenção da trombose toma forma nos laboratórios da UFRJ. Os pacientes que sofrem da doença, que pode vir acompanhada de sintomas como inchaço e dor, podem ganhar um novo aliado no combate ao problema: a salsa. Para chegar a essa possível alternativa terapêutica, grupos do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM) e do Núcleo de Pesquisas em Produtos Naturais (NPPN) se uniram, em associação com pesquisadores da Universidade Severino Sombra (USS), da cidade de Vassouras.
De acordo com Russolina Zingali, professora de IBqM e uma das coordenadoras do trabalho (juntamente com Sônia Soares, do NPPN), a pesquisa tinha, inicialmente, as atenções voltadas para análises de propriedades antitrombóticas de venenos extraídos de serpentes. O interesse pelas plantas e, particularmente pela salsa, nasceu posteriormente. “Há cerca de quatro anos, a professora Ana Paula de Almeida, da USS, trouxe para o nosso grupo a questão referente à salsa”, relata Zingali. “A salsa tem propriedades interessantes, descritas até mesmo em nível popular e por isso ficamos interessados em conhecer melhor essa planta”, completa a pesquisadora.
Medicamentos tradicionais
A pesquisa visa preencher uma lacuna deixada pelos medicamentos comumente usados para combater à hipercoagulação, como a heparina, warfarin e hirudina. Esses medicamentos podem apresentar uma margem de segurança muito pequena, desequilibrando o sistema que controla a coagulação. Se esse sistema, chamado hemostase, estiver funcionando bem, sua função é selar vasos rompidos em cortes e lesões. Quando em desequilíbrio, pode produzir o trombo sem que um vaso tenha sido rompido, obstruindo a circulação, ou causar hemorragia, caso muito comum em medicamentos anti-coagulantes, de acordo com Russolina.
— No caso desses medicamentos, o limite entre a dose que possibilita a inibição de trombos e a dose que causa hemorragia é muito pequeno. Um tratamento com heparina, por exemplo, exige um controle rígido nas dosagens e uma observação atenta ao comportamento do sistema de coagulação do paciente —, explica Zingali. “O que observamos na salsa é que, mesmo sendo administrada diariamente nos modelos animais, a prevenção da formação de trombo foi possível e não houve um aumento significativo de hemorragia”, compara a professora.
Para chegar mais perto de um possível fármaco obtido a partir da salsa, o grupo realiza, no momento, análises mais detalhadas das substâncias presentes no vegetal. “Precisamos identificar substâncias com características antitrombóticas presentes na planta, pois como se trata de um extrato complexo, mais de uma substância pode estar relacionada à atividade anti-trombótica”, explica Zingali. Segundo ela, o objetivo do grupo é purificar os extratos até identificar um ou dois elementos principais ligados ao efeito desejado.
A pesquisadora também não descarta a possibilidade de utilizar o extrato completo e, a partir dele, produzir um medicamento. “Para isso, precisamos identificar quais as concentrações e preparações ideais para fazer o extrato. Vamos começar a ver, por exemplo, se é possível fazer pílulas de salsa, num futuro”, pondera a professora.
Opção nutricional
Segundo Russolina Zingali, além de análises farmacológicas, a busca pelo efeito terapêutico da substância na sua forma original de alimento também é uma das linhas de investigação do grupo. “Pretendemos seguir também por esse caminho, associando o conhecimento à parte nutricional, a partir de contatos com professores do Instituto de Nutrição, para começarmos a discutir formas de trabalhar a salsa como um alimento funcional, ou seja, que não serve só para fornecer nutrientes, mas também oferece um efeito terapêutico e de prevenção de doenças”, considera a professora.
Resultados e próximos passos
Para a pesquisadora, a obtenção de uma substância eficaz por via oral é o ponto mais interessante das pesquisas relativas à salsa. “O resultado mais relevante com a salsa foi verificar, no modelo animal, que a ingestão oral da substância permite a prevenção de formação de trombo. A administração do extrato da planta provou que é possível evitar a formação dos trombos dessa forma”, diz Zingali.
De acordo com ela, ainda é cedo para pensar em testes com pessoas, em casos clínicos. “Para observar esses efeitos em humanos, teríamos que tratar pacientes que já apresentem a doença. Sair do desenho experimental no laboratório para um desenho experimental clínico é um passo que exige mais trabalho”, afirma. A professora continua, cautelosa: “Antes disso, precisamos entender se as doses mais altas de salsa causam algum efeito colateral, ainda que tenhamos verificado a questão da hemorragia, porque há outros efeitos que precisam ser averiguados.”
Para os passos seguintes, o grupo planeja trabalhar no detalhamento das substâncias presentes no vegetal, ajudando a compreender melhor esse mecanismo de ação. “O outro passo é entender e estudar que formulações seriam eficientes para continuar prevenindo a formação de trombos. Dessa forma avaliaremos se será melhor trabalhar com extrato, com a planta inteira ou com comprimido”, informa a professora.
— Antes de sair com um medicamento, é preciso lembrar que somos um grupo essencialmente de pesquisa básica e ainda começando a trabalhar com pesquisa aplicada. Estamos tentando achar respostas sobre as substâncias para a pergunta inicial que move nosso estudo: ‘como elas agem?’ — afirma a especialista. “A partir dessa resposta, vamos analisar se essas substâncias são interessantes ou não. Aqui que entra a questão de criar um medicamento. Ainda estamos um pouco distantes desse quadro. No momento, é fundamental saber mais do comportamento dessas substâncias”, finaliza Russolina Zingali.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Treinando a Mente - Verso 1

Dalai Lama
Pensando em todos os seres sencientes como ainda melhores que a jóia dos desejos que realiza as mais altas aspirações, que eu sempre possa considerá-los preciosos.
Essas quatro linhas mostram como cultivar um sentido de acolhimento a todos os seres sencientes. O ponto principal que esse verso enfatiza é o desenvolvimento de uma atitude que permita considerar os seres sencientes como preciosos, como jóias preciosas. Uma pergunta poderia ser feita: "Porque precisamos cultivar o pensamento de que outros seres sencientes são preciosos e valiosos?"
Em um sentido, podemos dizer que outros seres são a fonte principal de nossa alegria, felicidade e prosperidade, e isso não apenas nos relacionamentos do dia-a-dia com as pessoas. Podemos ver que todas as experiências desejáveis que nós cultivamos ou aspiramos alcançar, dependem da cooperação e interação com outros seres. Esse é um fato óbvio. Similarmente, do ponto de vista do praticante no caminho, muitos dos níveis elevados de realização obtidos e o progresso espiritual feito dependem da cooperação e interação com outros seres. Além disso, no estado de iluminação, a verdadeira compaixão búdica acontece espontaneamente, e sem nenhum esforço, apenas em relação aos outros seres, porque eles são os recipientes e beneficiários dessas atividades iluminadas. Assim pode-se ver que os outros seres são, em um sentido, a fonte verdadeira de nossa alegria, prosperidade e felicidade. Alegrias e confortos básicos da vida, tais como o alimento, o abrigo, a roupa, e a companhia do outro, são todos dependentes dos outros seres sencientes, como o são a fama e o renome. Nossas sensações de conforto e segurança são dependentes das percepções que as outras pessoas têm de nós, e dos afetos que nos dedicam. É quase como se nossa existência dependesse da afeição humana. Nossa vida não pode começar sem afeto, e nosso sustento, crescimento apropriado, e assim por diante, todos dependem disso. Para conseguir uma mente serena, quanto maior for sua preocupação com o outro, mais profunda será sua satisfação. No exato momento em que você desenvolve seu cuidado, o outro aparece mais positivo. Isso em conseqüência de sua atitude. Por outro lado, se o outro é rejeitado, ele aparecerá de forma negativa a você. Outra coisa muito clara para mim, é que no momento em que você pensa apenas em si mesmo, o foco de sua mente inteira estreita-se, e por causa desse foco estreito, as coisas desconfortáveis podem parecer enormes, trazendo medo, desconforto e uma sensação de esmagamento pela aflição. Entretanto, quando você pensa nos outros com um sentido de cuidar, sua mente se expande. Dentro desse ângulo mais abrangente, seus próprios problemas parecem não ter muita significância, e isso faz uma grande diferença. Se você tem senso de cuidado pelos outros, manifestará um tipo de força interna, apesar de suas próprias situações difíceis e problemáticas. Com esta força, seus problemas parecerão menos significativos e embaraçosos. Ultrapassando-os e cuidando dos outros, você ganha uma força interna, autoconfiança, coragem, e uma grande sensação de calma. Esse é um exemplo claro de como a maneira de pensar pode fazer a diferença.
O Guia do Modo de Vida do Bodhisattva (Bodhicaryavatara) diz que há uma diferença fenomenológica entre a dor do outro que você tenta tomar para si, e a dor que vem de sua experiência direta de dor e sofrimento. No primeiro caso há um elemento do desconforto, pois você está compartilhando a dor do outro; entretanto, como Shantideva nos mostra, há também uma certa estabilidade porque, de certo modo, você está voluntariamente aceitando aquela dor. Na participação voluntária na dor do outro há força e um senso de confiança. Mas no segundo caso, quando você passa por sua própria dor e sofrimento, há o elemento involuntário, e por falta de controle de sua parte, você se sente fraco e completamente oprimido. Nos ensinamentos budistas de altruísmo e compaixão, determinadas expressões são usadas, tais como: "Deve-se desconsiderar nosso próprio bem-estar e cuidar do bem estar do outro". É importante compreender estas expressões relativas à prática de compartilhar a dor e o sofrimento do outro, em seu próprio contexto. O ponto fundamental é que, se você não tem capacidade de amar a si mesmo, então simplesmente não há uma base sobre a qual possa construir-se um senso de cuidado pelo outro. O amor por você mesmo não significa que você tem uma dívida consigo próprio. Ao invés, a capacidade de amar e ser amável com si mesmo é um fato muito fundamental na existência humana: temos todos a tendência natural de buscar a felicidade e evitar o sofrimento. Já que essa base existe em relação a nós mesmos, podemos estendê-la a outros seres sencientes. Assim, quando encontramos expressões nos ensinamentos tais como "Desconsidere seu próprio bem estar e cuide do bem estar do outro", devemos entendê-los no contexto do nosso próprio treinamento, de acordo com o ideal de compaixão. Isso é importante, se não quisermos nos acomodar em formas autocentradas de pensar, que desconsideram o impacto de nossas ações sobre os outros seres sencientes. Como eu disse anteriormente, podemos desenvolver uma atitude de considerar os outros seres sencientes como preciosos, reconhecendo a parte que a gentileza deles tem em nossas próprias experiências de alegria, felicidade e sucesso. Esta é a primeira consideração. A segunda é a seguinte: através da análise e da contemplação você verá que muito de nossa miséria, sofrimento e dor é realmente resultado de uma atitude autocentrada, que busca nosso bem estar às custas do outro, enquanto que muito da alegria, felicidade e segurança em nossas vidas vêm dos pensamentos e emoções que cuidam do bem estar dos outros seres. Contrastando estas duas formas de pensar e sentir, podemos nos convencer da necessidade de considerar o bem estar do outro como precioso.,


Há outro fato a respeito de cultivarmos pensamentos e emoções em prol do bem estar do outro: nossos próprios interesses e desejos realizam-se como conseqüência de nosso trabalho para outros seres sencientes. Como Je Tsong Khapa expõe em sua Grande Exposição do Caminho da Iluminação (Lanrim Chenmo), "quanto mais o praticante se engaja em ações e pensamentos focados e dirigidos à realização do bem estar do outro, mais suas próprias aspirações ocorrerão em consequência, sem necessidade de nenhum esforço separado adicional." Alguns de vocês devem ter ouvido recentemente a observação, que faço freqüentemente, que de alguma forma os bodhisatvas, os praticantes compassivos do caminho budista, são sabiamente egoístas, enquanto pessoas como nós são tolamente egoístas. Pensamos em nós mesmos e negligenciamos os outros, e o resultado é que estamos sempre nos sentindo infelizes e miseráveis. Chegou o tempo de pensar mais sabiamente, não acham? Essa é minha crença. Em algum ponto surge a pergunta: "Podemos realmente mudar nossa atitude?"
Minha resposta, baseada em minha pequena experiência é, sem hesitação, "Sim"! Isto está muito claro para mim! A coisa a que chamamos mente é algo muito peculiar. Às vezes é muito teimosa e difícil de mudar. Mas com esforços contínuos, e convicção firmada na razão, nossas mentes às vezes são muito honestas. Quando realmente percebemos alguma necessidade de mudar, nossas mentes podem mudar. Apenas ansiar e orar não transformará sua mente, mas com convicção e razão, e razão baseada por último em sua experiência, você pode transformar sua mente. O tempo é um fator importante aqui, e com o tempo nossa atitude mental pode certamente mudar. Um ponto que tenho que tocar aqui é que algumas pessoas, especialmente aquelas que se vêem como muito realistas e práticas, são excessivamente realistas e obsessivas pela praticidade. Elas podem pensar: "Estas idéias de desejar a felicidade de todos os seres sencientes, de cultivar pensamentos de cuidado com o bem estar de todos os seres sencientes, são irrealistas e muito idealistas. Não contribuem de forma alguma para a transformação da mente ou para alcançar algum tipo de disciplina mental, porque são completamente inalcançáveis". Algumas pessoas podem pensar nestes termos, e sentir que talvez uma forma mais eficaz seria começar com um círculo próximo das pessoas com quem já se tem uma interação direta. Pensam que mais tarde podem aumentar e expandir esses parâmetros. Sentem que não há razão de pensar em todos os seres sencientes, já que há um número infinito deles. É concebível para eles que sintam algum tipo de conexão com os seres humanos de todo o planeta, mas sentem que os infinitos seres sencientes, nos múltiplos universos e mundos não têm nada a ver com sua própria experiência como indivíduo. Podem perguntar: "Qual o sentido que está em cultivar a mente que inclui todos os seres"? Em certo sentido, essa pode ser uma objeção válida, mas o importante aqui é entender o impacto de cultivarmos tais sentimentos altruístas.
O ponto aqui é tentar desenvolver o escopo de nossa empatia, de modo a estendê-la a todas as formas de vida que têm a capacidade de sentir dor e experimentar felicidade. É uma questão de definirmos os organismos vivos como seres sencientes. Esse tipo de sentimento é muito poderoso, e não há nenhuma necessidade de nos identificarmos, em termos específicos, com cada ser vivo, para que ele seja eficaz. Pegue, por exemplo, a natureza universal da impermanência. Quando cultivamos o pensamento de que coisas e acontecimentos são impermanentes, não precisamos considerar cada simples coisa do universo para nos convencermos da impermanência. Não é assim que a mente funciona. Então é importante apreciarmos esse ponto.
No primeiro verso, há uma referência específica ao agente "Eu". "Possa eu sempre considerar todos os outros seres como preciosos". Talvez uma breve discussão do entendimento budista a respeito do que esse "Eu" se refere, possa ser útil nesse estágio. Falando de forma geral, ninguém discute que pessoas: você, eu e outros, existimos. Não necessitamos questionar a existência de alguém que tem a experiência da dor. Dizemos "Eu vejo isso e aquilo..." e "Eu ouço isso e aquilo....", usando constantemente o pronome da primeira pessoa em nosso discurso. Não há como questionar a existência do nosso "Eu" convencional, que todos experimentamos no dia-a-dia. Questões aparecem, entretanto, quando tentamos entender o que esse "Eu" é realmente. Avaliando essas questões, podemos estender a análise para um pouco além da vida cotidiana; podemos, por exemplo, recordar nossa juventude. Quando você tem uma recordação de algo de sua juventude, você tem uma sensação próxima de identificação com o corpo e o "Eu" dessa época. Quando você era jovem, havia um "Eu". Quando você envelhece, há um "Eu". E há também um "Eu" que permeia estes dois estágios. Uma pessoa pode recordar as experiências de sua juventude. Uma pessoa pode imaginar suas experiências na velhice, e assim por diante. Podemos ver uma identificação acentuada com nossos estados corporais e com o sentido de "Eu" consciente. Muitos filósofos e, particularmente, pensadores religiosos, buscaram compreender a natureza do indivíduo, aquele "Eu" que mantém sua continuidade através do tempo. Isso tem sido especialmente importante dentro das tradições indianas. As escolas indianas não budistas falam de "Atman", que é traduzido aproximadamente como "Eu" ou "alma". Em outras tradições religiosas não indianas ouvimos também as discussões sobre a "alma" dos seres, e assim por diante. No contexto indiano, "Atman" tem o significado distinto de um agente que é independente das experiências empíricas do indivíduo. Na tradição hindu, por exemplo, há uma crença na reencarnação, que inspirou muitas discussões. Encontrei também referências a formas de práticas místicas em que uma consciência ou alma assume o corpo de uma pessoa morta recentemente. Se quisermos dar sentido à reencarnação, se quisermos dar sentido a uma alma assumindo outro corpo, então algum tipo de agente que é independente das experiências empíricas deve prevalecer. No geral, as escolas não budistas indianas chegam à conclusão que esse "Eu" se refere de fato a esse agente independente, ou "Atman". Ele refere-se ao que é independente de nosso corpo e mente. No geral, as tradições budistas rejeitaram a tentação de entender um "Eu" , um "Atman" ou uma alma independente de nosso corpo e mente. Entre as escolas budistas, há um consenso de que o "Eu" tem que ser entendido em termos de agregação de corpo e mente. Mas no que se refere ao que exatamente é isso a que estamos nos referindo quando mencionamos o "Eu", há divergências de opinião, mesmo entre pensadores budistas. Muitas escolas budistas sustentam que em uma análise final iremos identificar o "Eu" como a consciência do ser. Através da análise, podemos mostrar como nosso corpo é uma contingência, e o que continua através do tempo é a consciência do seres.

Claro, outros pensadores budistas rejeitam o movimento que identifica o "Eu" com a consciência. Pensadores budistas como Buddhapalita e Chandrakirti têm rejeitado a idéia de buscar um "Eu" eterno e duradouro. Eles dizem que seguir esse tipo de argumento é, em um sentido, sucumbir à enraizada necessidade de agarrar-se a algo. Uma análise da natureza do "Eu", segundo essa linha, daria em nada, pois o desafio é metafísico, é um desafio por um "Eu" metafísico em que, Buddhapalita e Chandrakirti argumentam, estamos indo além do domínio da compreensão da linguagem e da experiência cotidianas. E portanto, o "Eu", pessoa ou agente devem ser entendidos puramente em termos de como experimentamos nosso sentido de "Eu". Não devemos ir além do entendimento convencional do "Eu" e da pessoa. Deveríamos desenvolver um entendimento de nossa existência em termos de existência corporal e mental, de forma que o "Eu" e a pessoa são de alguma forma entendidos como designações dependentes de mente e corpo. Chandrakirti usou o exemplo da charrete, em seu Guia para o Caminho do Meio (Madhyamakavatara). Quando sujeitamos o conceito da charrete à análise, não encontraremos charrete que seja metafísicamente ou substancialmente real e que seja independente das partes que constituem a charrete. Mas isso não significa que a charrete não exista. Similarmente, quando submetemos esse "Eu", a natureza do "Eu", a alguma análise, não encontraremos um "Eu" independente do corpo e da mente que constituem a existência do indivíduo ou do ser. Esse entendimento do "Eu" como um ser dependentemente originado deve ser estendido também à nossa compreensão dos outros seres sencientes. Estes são, uma vez mais, designações dependentes da existência corporal e mental. A existência corporal e mental é baseada nos agregados, que são os constituintes psicofísicos dos seres.