domingo, 28 de outubro de 2012

Os Sentimentos e as Emoções

http://www.docelimao.com.br/site/cerebro-a-mente/o-conceito/355-os-sentimentos-e-as-emocoes
Conceição Trucom *
 É comum a idéia de que, quando a mente humana entra em ação, em primeiro lugar se formou o pensamento. Mas, numa camada mais profunda do que aquela que em que se forma o pensamento, surge o sentimento, que gera o pensamento.
 As pessoas pensam porque sentem.
 A força criativa não é acionada diretamente pelo pensamento. Toda ação criativa é decorrente de um sentimento. Portanto, os sentimentos desempenham um papel muito importante, porque acionam todos os pensamentos e ações.
 A Mente Subconsciente é a sede de todas as emoções, de todos os sentimentos. A Mente Consciente é apenas uma área mental onde são registrados os sentimentos já experimentados. Esta é a razão porque as emoções e os sentimentos gravados na Mente Subconsciente se manifestam com tanta força.
 E agora chega o momento onde é fundamental diferenciar emoções de sentimentos, pois existe muita confusão, porque na verdade, elas caminham muito perto uma da outra. Até porque, todas afloram do mesmo ponto da mente, o subconsciente; embora as emoções sejam mais reptilianas, enquanto os sentimentos são mais límbicos.
 A grande diferença está no processo evolutivo do indivíduo, ou seja, se ele aceita ser movido:
 - Pelos instintos e a irracionalidade ou,
 - Pela espiritualidade, assumindo seu livre-arbítrio e todas as suas conseqüências.
A emoção é o estado afetivo intenso, muito complexo, proveniente da REAÇÃO, ao mesmo tempo mental e orgânica, sob a influência de certas excitações internas ou externas. Na emoção existe forte influência dos instintos, das inferioridades e da não-racionalidade.
 O sentimento se distingue basicamente da emoção, por estar revestido de um número maior de elementos intelectuais e racionais. No sentimento já existe alguma elaboração no sentido do entendimento e da compreensão. No sentimento já acontece uma reflexão e aproximação do livre-arbítrio, da espiritualidade e da racionalidade ou evolução humana.
 Feita esta diferenciação, existem três tipos de sentimentos — agradáveis, desagradáveis e neutros. Quando temos um sentimento desagradável, desejamos evitá-lo. Porém, o ideal é voltar à respiração consciente, que vai oxigenar, trazer clareza e; apenas observá-lo, identificando-o em silêncio. Inspirando, tomo consciência de que há um sentimento desagradável em mim. Expirando, percebo claramente que há um sentimento desagradável em mim. Raiva, tristeza ou medo, nomeado e identificado com clareza, fica mais sincera e profunda a forma de lidar com ele.
A respiração é a forma mais poderosa à nossa disposição para nutrir e fortalecer as  condições de como lidar com os desafios emocionais e afetivos. As filosofias orientais já dominavam este conhecimento e faziam uso desta ferramenta há milênios. Bons exemplos são a yoga e os mantras.
 Através da respiração é possível entrarmos rapidamente em contato com nossos sentimentos, observá-los por uma ótica mais clara e administrá-los. Se a respiração for leve e tranqüila — resultado natural da respiração consciente — a mente e o corpo irão lentamente se tornando leves, tranqüilos e claros. E da mesma forma os sentimentos.
 Na emoção a respiração é frágil, inadequada, ineficiente: não permite
 Verdadeira  InspirAção (Ar, Oxigênio) ou ExpirAção (limpeza).
 Na cura dos sentimentos desagradáveis é fundamental cuidado, afeição e não-violência. Não acredito em transformações sem amor. Mesmo porque, através da observação consciente, os sentimentos desagradáveis podem ser muito esclarecedores, proporcionando revelações e compreensão a respeito de nós mesmos, do desafio e da nossa sociedade.
 O sentimento verdadeiro é a compreensão, é o perdão e muitas vezes gratidão.
 Em vez da ação que busca se desfazer de partes de nós mesmos, devemos aprender a arte da transformação. Podemos transformar nossa raiva, por exemplo, em algo mais salutar como a compreensão. E, desta mesma forma, é possível tratar a depressão, a ansiedade, o medo ou a desesperança.
 Alegria é um sentimento. Euforia é emoção.
 Tristeza é um sentimento. Depressão é emoção. A tristeza é inevitável em algumas situações da vida, mas ela pode ser vivenciada juntamente com a paz, porque acontece a compreensão de que tudo é passageiro e transitório, como também aprendizado.
 Medo é um sentimento. Pânico é emoção. Os medos são muitos e até servem como autoproteção, autopreservação ou alerta. Mas o medo constante, sem motivo aparente ou real, que paraliza, revela falta de lucidez e confiança. Coragem (coração + ação) é fazer com medo.
Raiva é um sentimento. Ódio é emoção. É humano expressamos o sentimento de raiva, até como um posicionamento, um discernimento. Mas este sentimento deve ser rápido, passageiro, o tempo de aprender como transformá-lo em atitudes realizadoras, oportunidades do exercício da paciência, tolerância e compreensão. Jamais deixe que a raiva se transforme em mágoa, rancor ou ódio, pois este é o caminho da autodestruição.
 Amor é um sentimento. Paixão é emoção. O Amor anima e liberta. Junto com a paixão vem de brinde o ciúmes, a dor, insegurança e a possessividade.
As emoções nos levam às ilusões, às falsas expectativas, à distorção da realidade. Desta forma, ficam comprometidos o discernimento e a capacidade de julgamento. Fica faltando a inspiração que nos enche da luz da evolução espiritual.
 Os sentimentos nos fazem superar, crescer, transbordar, expandir para a conquista da paz.
Continua em Transformando os Sentimentos
 Este texto faz parte do livro Mente e Cérebro poderosos - Conceição Trucom - Editora Pensamento-Cultrix.
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* Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para o bem-estar e qualidade de vida.

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