sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Uma rede de energia

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A base da teoria da Acupuntura remonta aos meridianos , uma rede de "canais " invis íveis pelos quais circula a "energia" da qual se constituem todos os seres vivos . Esses canais estariam distribuídos pela superfície do corpo, percorrendo-o, também, internamente. Eles se constituem em 12 pares principais e oito extras , além de ramificações que formam uma complexa rede de circulação.Cada meridiano principal é ligado a determinado órgão que dá nome a ele. Exemplo: o meridiano do Coração é ligado ao coração, determinando as suas funções . Em maior ou menor número, de acordo com o comprimento, os meridianos possuem pontos nos quais se dá a sua maior concentração de energia. Quando há desequilíbrio físico ou mental, esses pontos tornam-se sens íveis e até mesmo doloridos . Através do conhecimento do médico serão aplicadas agulhas para estimulação dos pontos , restaurando-se o equilíbrio e restabelecendo-se a saúde do paciente.
É importante lembrar quer os conceitos Yin-Yang, meridianos , pontos e sua relação com os órgãos são filos óficos e milenares , nem sempre correspondendo, portanto, à terminologia médica atual, o que pode causar confus ão até mesmo para os profissionais Assim, historicamente, as relações entre as causas das doenças , seus mecanismos , diagnóstico e terapia foram evoluindo com base nesses conceitos filos óficos que devem ser respeitados pelos profissionais de Acupuntura. E, se o médico acupunturista afirma que o paciente está com um desequilíbrio de fígado, rins ou outro, trata-se de um diagnóstico do ponto de vista filos ófico da Medicina Chinesa, o que não quer dizer que haja, na realidade, uma doença de fígado ou dos rins como a considera a Medicina Ocidental.
Cabe ressaltar que apesar de manter alguns princípios básicos , as teorias que dão embasamento à acupuntura vem sendo constantemente revisadas , aperfeiçoadas e atualizadas à base de conhecimentos científicos contemporâneos .Assim nas últimas décadas alguns autores (Chan, 84; Cizzek e Szopinski, 85; Cai, 92;) demonstraram que as regiões da pele utilizadas como "pontos de acupuntura" apresentavam uma alta concentração de terminações nervosas sensitivas .
Nesses pontos a resistência elétrica é menor do que nas outras regiões do corpo.
(Hyvarinen e Karlson, 1977)
Constitui fato relevante para a acupuntura a demonstração do seu efeito analgésico por bloqueio da chegada ao cérebro de informações originadas em algioceptores periféricos , tal como foi demonstrado por Lico e col. (1974) em um trabalho realizado em animais anestesiados e em animais não anestesiados (despertos ).
Os autores estimulavam eletricamente a polpa dentária do cachorro (que contem aparentemente s ó algioceptores ) e registrava potenciais evocados no giro sigmóide ( área somestésica contralateral ) e a seguir aplicava acupuntura em alguns pontos do pescoço, verificando que a voltagem dos potenciais evocados se reduzia progressivamente até sua total supress ão.
A acupuntura pode ser realizada simplesmente pela introdução de finas agulhas nos pontos eficazes ou pela aplicação de estímulos elétricos pulsantes , por intermédio das agulhas , com uma freqüência que varia de 2 a 100 hz.
Em animais de experimentação é poss ível aplicar tais estímulos , e seguir os potenciais aferentes até as regiões centrais atingidas pelos estímulos , são as próprias vias somestésicas e os núcleos cuja estimulação elétrica ou química bloqueia a transmiss ão de impulsos nas vias de sensibilidade dolorosa, que já descrevemos . Essas vias ascendem pelos tratos espinotalâmicos , vão ao núcleo reticular gigantocelular da formação reticular, núcleo magno de rafe e extrato cinzento central periaquedutal, essas vias constituem o que se denomina (não muito apropriadamente) "via aferente da acupuntura". Sua estimulação promove analgesia, assim como os efeitos comportamentais da estimulação dolorosa.
Há aproximadamente 20 anos , descobriu-se que, com a aplicação de Acupuntura, havia aumento de algumas substâncias no cérebro; essas substâncias teriam efeito analgésico muito potente, chegando a superar centenas de vezes o efeito da morfina extraída das plantas . Produzidas naturalmente no cérebro, essas substâncias chamam-se endorfinas , possuindo algumas semelhanças bioquímicas com a morfina.
Hoje sabemos que a endorfina é, na realidade, um conjunto de substâncias intercelulares , sendo um fator fundamental para garantir o bom funcionamento do organismo, nos casos de estresse, ou em situações anormais que causam o desequilíbrio físico - ps íquico. A administração de naloxone e soro antibeta-endorfina e a hipofisectomia suprimem o efeito analgésico da estimulação (Bausbaum e Fields 1978; Han e col. 1984) A les ão eletrolítica das mencionadas regiões da via aferente da acupuntura também suprime o efeito analgésico desse procedimento.As vias centrais implicadas na analgesia intermediada por opiáceos ainda não são completamente conhecidas , mas parecem ser, pelo menos parcialmente as mesmas da acupuntura.(Le Bars e col.,1983 ; Watkins e col.1984 e Takeshinge e col. 1993) . As vias reconhecidamente envolvidas na analgesia endorfinérgica constituem-se de algumas alças excitadoras e inibidoras que resultam afinal, em bloqueio de vários estágios da transmiss ão da informação álgica.

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