terça-feira, 27 de novembro de 2012

Cientistas controlam ansiedade no cérebro usando luz

Agora que sabem da existência das rotas celulares específicas para ativação e desativação da ansiedade, os cientistas vão começar a efetuar testes para tentar inibir seus efeitos. Esta imagem de ressonância magnética mostra as amígdalas no cérebro humano
Rotas da ansiedade
Cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, usaram luz para identificar com precisão os circuitos neurais responsáveis pela ansiedade.
Trabalhando com animais de laboratório, os cientistas identificaram duas rotas principais no cérebro: uma que promove a ansiedade e outra que alivia a ansiedade.
Os transtornos de ansiedade são os mais prevalentes entre as doenças psiquiátricas, e incluem doenças como o transtorno de estresse pós-traumático, transtorno obsessivo-compulsivo e fobias. A ansiedade também contribui para outros importantes transtornos psiquiátricos, como a depressão e abuso de substâncias.
Amígdala cerebral
As rotas agora localizadas estão em uma região do cérebro chamada amígdala.
A amígdala está envolvida em vários processos, incluindo a sociabilidade e o medo, e também já era sabido que ela desempenha um papel na ansiedade.
Mas as pesquisas anteriores precisaram de modificações generalizadas da amígdala, por meio de drogas ou de sua ruptura física, métodos de força bruta que trazem pouco conhecimento prático para o tratamento dos efeitos produzidos em qualquer região do cérebro.
Optogenética
Agora os cientistas usaram uma ferramenta bem mais suave, a luz, resultado de pesquisas em uma área emergente conhecida como optogenética.
A optogenética combina genética e ciência óptica para manipular seletivamente a forma como um neurônio dispara no cérebro. Os neurônios são células eletricamente excitáveis que transmitem informações através de sinalizações elétricas e químicas.
Cientistas desligam neurônios no cérebro usando luz
As manipulações genéticas dirigidas induzem neurônios específicos a produzir uma proteína ativada pela luz normalmente encontrada em algas e bactérias.
Quando acionadas por certos comprimentos de onda da luz, estas proteínas permitem que os cientistas aumentem ou diminuam a atividade neuronal no cérebro e observem os efeitos dessa atividade sobre o comportamento dos animais de laboratório.
Diferença entre medo e ansiedade
Embora a optogenética já tivesse sido utilizada antes para estudar a função da amígdala no medo, esta é a primeira vez que a técnica é utilizada para estudar a ansiedade.
"Medo e ansiedade são diferentes", explica Karl Deisseroth, coordenador da pesquisa. "O medo é uma resposta a uma ameaça imediata, mas a ansiedade é um estado de elevada apreensão sem nenhuma ameaça imediata. Eles compartilham os mesmos efeitos, por exemplo, manifestações físicas tais como aumento da frequência cardíaca, mas seus controles são muito diferentes."
Agora que sabem da existência das rotas celulares específicas para ativação e desativação da ansiedade, os cientistas vão começar a efetuar testes para tentar inibir seus efeitos de forma mais duradoura.
Ainda não há previsão de quando os testes começarão a ser feitos em humanos.

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