sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Práticas integrativas: entrevista com Maria Inês Nogueira

Maria Inês Nogueira
As demandas atuais das práticas integrativas (Homeopatia, Acupuntura e Fitoterapia), o avanço do tema no âmbito do Sistema Único de Saúde e os desafios da formação de profissionais. Estes temas foram discutidos na mesa-redonda Racionalidades Médicas – Ontem, Hoje e Amanhã, realizada durante o X Seminário do Projeto Integralidade, que aconteceu entre os dias 20 e 22 de outubro, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Entre os participantes estava Maria Inês Nogueira, médica e professora Adjunta do Instituto de Saúde da Comunidade da (ISC), da Universidade Federal fluminense (UFF). “Este encontro resgatou a discussão das Racionalidades Médicas na área da Saúde Coletiva (há tempos isso não acontecia), reacendendo o debate sobre os desafios e as possibilidades de avanço do tema no âmbito do Sistema Único de Saúde”, comenta Maria Inês.
Nesta entrevista ao Ecomedicina ela fala mais sobre o tema das Racionalidades Médicas, abordando desde a importância de discutir o assunto até a formação profissional. Confira!
Ecomedicina: Em sua opinião, encontros e discussões como estas do Seminário do Projeto Integralidade são importantes? Por quê?
Maria Inês Nogueira: Na minha opinião, organizar encontros e discussões sobre as Racionalidades Médicas é uma necessidade na área da Saúde. Há um verdadeiro “vazio acadêmico” sobre o tema, daí a importância do Grupo Racionalidades Médicas e Práticas em Saúde, liderado pela Professora Madel Luz, que produziu trabalhos interessantíssimos ao longo desses últimos 20 anos.
Ecomedicina: Quais são as demandas atuais das práticas integrativas (Homeopatia, Acupuntura e Fitoterapia)?
Maria Inês Nogueira: As Racionalidades Médicas vitalistas, como a Homeopatia e a Medicina Chinesa/Acupuntura, além da Fitoterapia e demais práticas integrativas e complementares são recursos terapêuticos enriquecedores para se abordar o adoecimento humano na perspectiva da integralidade. As demandas por um cuidado integral em saúde e a integração entre prevenção, cuidado e promoção da saúde ocupam a pauta atual das discussões na área da Saúde. As práticas integrativas podem oferecer, sem dúvida, uma contribuição importante neste sentido.
Ecomedicina: Qual tem sido o avanço do tema no âmbito do Sistema Único de Saúde? Há perspectivas de que isso evolua? Quais são, hoje, os maiores desafios?
Maria Inês Nogueira: Uma demanda atualíssima seria a implementação dessas práticas integrativas no SUS, mais especificamente no nível da Atenção Primária. Conseguir mais verbas para pesquisas na área e qualificar os profissionais de Saúde para trabalhar com essas práticas são alguns dos principais desafios a serem enfrentados.
Ecomedicina: Em relação à formação profissional, há, hoje, uma formação para práticas integrativas? O que pode e deve ser mudado em relação a isso?
Maria Inês Nogueira: De um modo geral, a formação de profissionais na universidade para atuar nas práticas integrativas ainda é insuficiente. Isso também varia de acordo com a categoria profissional. Na graduação médica, por exemplo, a inserção das medicinas complementares (não biomédicas) no ensino acontece em poucas universidades. Na escola médica da UFF, sede de uma reforma curricular implementada em 1994, há disciplinas optativas sobre Homeopatia e Medicina Chinesa. Nós também introduzimos o tema Racionalidades Médicas na Disciplina Trabalho de Campo Supervisionado I (no 1º ano da graduação médica) – uma experiência que tem sido bem aceita pelos alunos. Acredito que a divulgação de estudos e pesquisas sobre o tema seria um dos caminhos para transformar essa situação.

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