sábado, 1 de dezembro de 2012

Saúde no equilíbrio das moléculas

Terapia ortomolecular busca suprir deficiências de minerais e vitaminas para combater radicais livres.
O médico ortomolecular Tsutomu Higashi mostra ampliada da gota de sangue utilizada no exame: estresse oxidativo pode resultar em doenças degenerativas e crônicas.
Mais de um trilhão de moléculas compõe o organismo humano. Juntas elas funcionam como uma orquestra sinfônica - se estão em perfeita harmonia, há equilíbrio, e a saúde prevalece. Mas, basta que apenas um dos componentes não esteja bem, para que o resultado apareça no conjunto. Neste caso, como doença. É assim, buscando o equilíbrio das moléculas que a terapia ortomolecular atua, segundo o médico ortomolecular Tsutomu Higashi, de Londrina.
O médico explica que todo ser vivo é aeróbico, o que significa que depende de oxigênio para criar energia. Nesse processo é gerado um resíduo chamado de radical livre, que causa oxidação das moléculas. Até o limite de 3%, a quantidade de radicais livres produzida é considerada normal, mas acima disso já pode causar no organismo, segundo Higashi, estresse oxidativo, e resultar em obesidade, fadiga, estresse, doenças degenerativas e crônicas.
Alguns fatores colaboram para que esse nível de radicais livres aumente no corpo. Por exemplo, alimentação, uso de medicamentos, tabagismo e infecções por fungos, bactérias e vírus. ´´Para combater as infecções o organismo fabrica muito radical livre´´, afirma.
Higashi explica que apenas uma baforada de cigarro cria três vezes mais átomos de radicais livres do que nossas células aguentam. ´´Os raios ultravioletas B (UVB) também criam radicais livres, tanto que hoje a maioria dos cosméticos têm em sua composição anti-radicais livres´´, informa. O médico lembra que a terapia ortomolecular nasceu na década de 60 com o bioquímico Linus Pauling, que ganhou duas vezes o prêmio Nobel, de química e da paz. No Brasil, ela começou a ser introduzida na década de 80.
Metais como chumbo e mercúrio, a presença de agrotóxicos nos alimentos, e medicamentos que agem no fígado, são fatores importantes para aumentar a oxidação, mas até mesmo na ´´inofensiva´´ malhação isso pode acontecer. ´´Praticar exercícios é saúde, mas quando é muito, pode causar estresse oxidativo, da mesma maneira que o estresse do dia-dia, que causa maior liberação de adrenalina´´, alerta.
Segundo Higashi, mais de 80% das doenças não são curadas, mas são controladas e a ortomolecular pode ajudar nesse processo de tratamento e até mesmo de prevenção. Para reverter o excesso de radicais livres é preciso usar substâncias antioxidantes, vitaminas, minerais, aminoácidos, nutrientes e ácidos graxos que estão em falta no organismo.
Mas, não adianta, segundo o médico, começar a tomar vitaminas indiscriminadamente. ´´A toxicidade (das vitaminas) é baixa, mas se usar de qualquer jeito, aleatoriamente, o resultado é precário´´, afirma. Por isso, na ortomolecular, alguns exames apontam exatamente as deficiências de cada pessoa, e até mesmo como estão funcionando alguns órgãos como o pulmão e o intestino.
Um dos exames feitos para determinar a oxidação da células utiliza apenas uma gotinha de sangue. Com um microscópio que aumenta a imagem 18 mil vezes, é avaliado o tamanho, o formato e as membranas das células, além da quantidade de oxidação. ´´O interessante é que o paciente participa´´, ressalta.
Quanto a questão que a terapia ortomolecular não é acessível a todas as pessoas por causa do custo, Higashi lembra que é preciso pesar o custo-benefício. ´´À longo prazo, (a terapia ortomolecular) muda o ânimo e alonga a vida da pessoa´´, afirma.

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