terça-feira, 2 de outubro de 2012

Organização Mundial da Saúde quer incentivar medicina alternativa

A Organização Mundial da Saúde (OMS) quer incentivar a prática da medicina alternativa e o uso dos medicamentos naturais associadas a esta prática. A recomendação foi feita durante o Congresso Mundial da entidade realizada na semana passada em Pequim, na China.
A OMS quer que a prática milenar seja não apenas respeitada, mas encorajada e integrada aos sistemas nacionais de saúde e prevenção.
"As pessoas têm o direito e o dever de participar individual e coletivamente no planejamento e na implementação do sistema de saúde [ao qual elas estão submetidas], o que pode incluir o acesso à medicina alternativa," disse a OMS em comunicado.
Terapias, práticas e medicamentos
A medicina alternativa abrange um campo muito amplo e inclui uma série de terapias, práticas e medicamentos, principalmente à base de ervas medicinais. Sua prática e o valor cultural associado variam de região para região. Em alguns países a prática é referida como medicina complementar ou como medicina tradicional.
"O conhecimento da medicina alternativa, de seus tratamentos e de suas práticas deve ser respeitado, preservado, promovido e divulgado em larga escala, e apropriado com base nas circunstâncias de cada país," afirma o comunicado da OMS.
Legalização da medicina alternativa
A entidade afirma que os governos devem criar canais adequados para a verificação e qualificação dos praticantes da medicina alternativa, bem como para o licenciamento dos medicamentos naturais utilizados por ele.
Medicina chinesa
O Congresso sobre Medicina Alternativa foi realizado na China, o país onde a medicina alternativa é mais forte em todo o mundo.
Recentemente a FDA autorizou o uso da Salvia miltiorrhiza em testes clínicos nos Estados Unidos, tornando esta erva medicinal - conhecida como Danshen - o primeiro medicamento do tipo a ter seu uso autorizado naquele país.
Segundo o governo chinês, a indústria das ervas medicinais rendeu ao país uma receita de US$25,9 bilhões em 2007, equivalente a 26,53% da receita de toda a indústria farmacêutica.

Espiritualidade é essencial no sucesso na medicina tradicional chinesa

Redação do Diário da Saúde
Visão holística do homem
A longevidade e a vitalidade obtidas através da medicina tradicional chinesa devem-se à abordagem holística da disciplina.
Na verdade, a medicina chinesa não se restringe ao tratamento de doenças, ela envolve cuidar da pessoa como um todo - corpo, mente e espírito.
De acordo com uma nova análise recém-publicada sobre as origens e o desenvolvimento da medicina tradicional chinesa, a prática é profundamente influenciada pela filosofia e pela espiritualidade.
Talvez seja por isso que, até hoje, a ciência moderna tem sido incapaz de explicar a maioria dos mecanismos por trás dos efeitos benéficos das práticas da medicina chinesa, restringindo-se e negar esses efeitos ou atribuí-los ao efeito placebo.
Medicina tradicional chinesa
Os pesquisadores examinaram em detalhes seis aspectos da medicina tradicional chinesa:
sua história;
suas crenças fundamentais;
a espiritualidade nos rituais de cura chineses;
a espiritualidade na farmácia tradicional chinesa;
a espiritualidade nas teorias de manutenção da saúde, e
a espiritualidade dos mestres da medicina tradicional chinesa.
A análise mostrou, entre outras coisas, que a essência da medicina tradicional chinesa está em seus fundamentos na espiritualidade, na religião e na filosofia, o que a torna muito diferente da medicina ocidental.
Uma das premissas básicas, subjacente a toda a medicina chinesa, é que a mente e o corpo de uma pessoa são inseparáveis.
Para estar bem de saúde, a pessoa deve ter um bom espírito e dar atenção ao cultivo do seu espírito - na medicina ocidental, por outro lado, não há espírito, e a mente é considerada um suproduto emergente da atividade fisiológica do cérebro.
As diferenças aparecem quando se percebe que os médicos chineses veem "pessoas", e não "doenças". Para eles, "curar doenças" significa "curar pessoas".
Harmonia
Veja a conclusão dos autores:
“A boa saúde e a longevidade são o que mais buscamos”. Mais e mais pessoas estão preocupadas com formas de prevenir doenças e fortalecer o corpo, o que é a ênfase da medicina tradicional chinesa.
"Ela dá atenção às dores físicas mas, ao mesmo tempo, também se preocupa com o sofrimento espiritual.
"Portanto, a medicina tradicional chinesa pode ensinar as pessoas a serem indiferentes quanto a ter ou não ter [as coisas], de existir com poucos desejos e se sentir à vontade, para manter o corpo saudável e a mente tranquila, e para alcançar a harmonia entre o corpo e a mente e, desta forma, alcançar a harmonia com o mundo e com a natureza."
O estudo foi feito por Lin Shi (Universidade Normal de Pequim) e Zhang Chenguang (Universidade de Minzu).