segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Uso da medicina ayurvédica exige cuidados


A medicina ayurvédica, como a chinesa, superou as fronteiras de seu âmbito de prática tradicional; na Europa e na América do Norte são reconhecidas como medicinas complementares ou alternativas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e seu uso vem aumentando. Nos EUA estimou-se em 2004 que 154 mil pessoas recorreram ao ayurveda no último ano, um em cada seis usuários de medicinas alternativas. Na Espanha, menos. "As medicinais naturais são menos empregadas que em outros países, nossa visão é mais restritiva", afirma Gabriel Andrés, médico de Barcelona que há 20 anos exerce a medicina natural, especialmente o ayurveda.
Esse médico aponta que se busca no ayurveda uma abordagem da saúde que a medicina convencional não possui: "Se você tem amigdalite seis vezes por ano, o médico (alopático) receita antibióticos todas as vezes; a medicina ayurvédica tenta evitar o mal, segundo cada pessoa. Nossa medicina é mais 'prêt-à-porter', o ayurveda é sob medida".
"É uma medicina que lhe dá autonomia, lhe ensina a ser responsável por seu bem-estar", acrescenta Deva Paksha (brasileira apesar do nome), que se dedica ao ayurveda há oito anos e preside na Catalunha a associação Shankha, de pesquisa e difusão da cultura veda e da ciência ayurvédica.
Paksha salienta que o ayurveda exige "coerência e disciplina" no estilo de vida, mas que pode ser adaptado à forma de vida atual. Andrés aconselha para uma pessoa saudável uma ou duas consultas por ano para rever pautas nutricionais, físicas, emocionais... Seus pacientes o procuram sobretudo por problemas de dor, psico-emocionais e alergias.
"A medicina convencional não se concentra na promoção da saúde nem na prevenção, e não resolve bem o tratamento de patologias crônicas, como quando os medicamentos causam efeitos colaterais", acrescenta Andrés. Cada dia mais, diante dos problemas derivados de hábitos de vida pouco saudáveis, aposta-se em manter a saúde e em prevenir. Andrés acredita que podem ajudar nesse sentido medicinas como o ayurveda, e por isso deveriam ter mais espaço no sistema de saúde. A OMS, em seu plano de medicinas tradicionais 2002-2005, defendeu que sejam mais integradas aos sistemas de saúde dos países ricos e também dos pobres, onde são o único tratamento a que milhões de pessoas têm acesso.
A OMS já alertou que a ampliação do uso aumenta as exigências de segurança e qualidade. Faltam manuais terapêuticos e evidência sistematizada da eficácia das terapias. A eficiência de algumas plantas contra o colesterol ou a esquizofrenia foi testada nos EUA, mas não comprovada; e estudam-se outras contra patologia vascular e os efeitos de medicamentos contra o mal de Parkinson (o centro Nccam dos EUA ou a base PubMed oferecem dados).
Nos EUA em 2004 descobriram-se 70 produtos ayurvédicos não autorizados, 14 com doses de metais que representavam risco. Na Espanha há poucos produtos ayurvédicos, mas começam a ser vendidos, como as infusões da dietética Santiveri.
A falta de garantias de formação qualificada e de sistemas de homologação são outros aspectos que a OMS pediu aos governos e ao setor de ayurveda que corrijam. Indicou que na Índia deve-se apoiar o negócio turístico, mas vigiando a qualidade. Andrés queixa-se de que muitas pessoas banalizam os cuidados com a saúde e não exigem qualidade. Como médico, defende que só estes podem diagnosticar e devem supervisionar o tratamento, visão da qual divergem os terapeutas não-médicos. Andrés promove uma pós-graduação universitária ayurveda na Catalunha. Paksha afirma que o melhor antídoto contra a má qualidade é educar os terapeutas e os usuários.
Fonte: La Vanguardia - Marta Ricart

Reduza a velocidade do envelhecimento com sabedoria

por Alex Botsaris
As leis da física são regras universais, que valem para todos os seres e corpos do universo. Uma delas, a entropia, é que determina o fluxo do tempo e as mudanças que levam ao envelhecimento. Entender bem esse processo e saber como minimizar os efeitos dele é um dos segredos que ajuda as pessoas a reduzirem a velocidade de envelhecimento e se manterem jovens e bonitas por mais tempo.
Atualmente, as pessoas são confrontadas com situações estressantes várias vezes ao dia e isso, por si só, já compromete a atividade de diversas funções do organismo porque aumenta o desgaste físico, psíquico e das moléculas. Lembre de pessoas que você conhece que já passou por uma situação muito estressante e dos consequentes sinais de envelhecimento na fisionomia.
Quando a pessoa não está bem preparada, o organismo é afetado com o prejuízo da homeostase - capacidade do organismo de manter estáveis seus parâmetros internos e controlar de forma adequada as funções orgânicas. Com isso são gerados problemas de sono, ansiedade, pressão alta, dores musculares, gastrite, entre outros problemas.
Um outro fator são os radicais livres. Trata-se de uma molécula altamente reativa ou formas instáveis de oxigênio, que podem reagir com proteínas estruturais, lipídeos (gorduras) da membrana das células ou mesmo o DNA causando lesões que atrapalham o funcionamento do organismo ou podem até matar células. Eles podem ser bloqueados pelos antioxidantes. Inúmeras pesquisas realizadas nos últimos 10 anos sugerem que os antioxidantes podem proteger contra o processo de envelhecimento, ao retardar seu curso e atenuar o surgimento de problemas da terceira idade.
Foi comprovada a ação benéfica dos antioxidantes no cérebro e na pele, através de estudos clínicos. Há redução da formação de rugas por uma ação de manter a integridade do *colágeno e da elastina. Existem pesquisas que indicam que eles reduzem a oxidação do colesterol LDL no sangue, prevenindo aterosclerose e pressão alta.
A estratégia que parece mais eficaz é combinar vitaminas, minerais e extratos vegetais para obtenção de um composto antioxidante de largo espectro. Temos: o Ginkgo biloba, o alecrim (Rosmarinus officinalis), o chá verde (Thea sinensis), o alho (Allium sativum), as frutas vermelhas (morango, framboesa, ameixa, cereja, amoras), o óleo de peixes de água fria, o açafrão (Curcuma longa), o óleo de germe de trigo (Triticum aestivum), além de flavonóides encontrados na laranja e no espinafre, por exemplo.
Há também os protetores do DNA, que evitam que moléculas tóxicas para os gens e mesmo radicais livres causem mutações, em efeito chamado de **antimutagênico ou antigenotóxico. Além de prevenir tumores, também atuam reduzindo o envelhecimento das células e, portanto, tendo um impacto positivo na velocidade de envelhecimento do organismo com um todo. Temos diversas plantas medicinais com substâncias ou extratos que apresentam potente ação protetora do DNA. Entre as principais estão: a fração de óleos essenciais sulfurados do alho (Allium sativum), os corantes vermelhos da framboesa (Rubus sp), uma planta medicinal chinesa chamada solidéu de baical (Scutellaria baicanlensis) que possui um potente protetor do DNA, urucum (Bixa orellana), a potente ação antigenotóxica do chá verde (Thea sinensis), alguns temperos como coentro (Coriandum sativum), gengibre (Zingiber officinale), curcuma (Curcuma longa), alecrim (Rosmarinus officinalis), hortelã (Mentha piperita), sálvia (Salvia officinalis), entre muitos outros.
As células-tronco têm chamado muito a atenção dos pesquisadores por serem uma arma poderosa para driblar a entropia e mesmo para curar muitas doenças. Existem evidências, por exemplo, que as doenças auto-imunes são resultantes do envelhecimento do sistema imunológico, que não consegue substituir de forma adequada as células de defesa do organismo, justamente porque as células jovens, conhecidas como células-tronco, diminui. Igualmente, diversas doenças e problemas ligados ao envelhecimento, como artrose, redução de memória e enrugamento cutâneo sejam decorrentes da redução de pool de células-tronco.
Dar uma boa direção ao processo de envelhecimento, para que ele ocorra com dignidade, dentro de um bom padrão estético, e com qualidade de vida é a grande questão. Tenha cuidado ao achar que um bisturi pode resolver os sinais da sua idade. Evite ao máximo as deformações geralmente conquistadas com esses procedimentos invasivos, quando desnecessários. O que vale deixar como mensagem sobre envelhecimento é perceber que não mudar nada é impossível. A questão é como mudar na direção certa, como evoluir da melhor maneira colocando o tempo a seu favor. Por mais que se combata e retarde o envelhecimento ele é inevitável e um dia vai chegar.
*Colágeno e elastina: fibras que dão firmeza e elasticidade aos tecidos, em especial a pele e o subcutâneo. Quando o nível colágeno e elastina reduzem, a pele fica flácida.
**Efeito antimutagênico ou antigenotóxico: é uma ação de proteção do DNA ou seja do ácido nucleico que forma os gens das células. Isso evita que surjam mutações que possam matar a célula ou transformá-la numa célula cancerosa.