terça-feira, 13 de novembro de 2012

Falando um pouco sobre medicina ayurvédica: Sistema digestivo

por Paulo Cesar Ruchinski
 A Ayurveda diz que as doenças começam pelo desequilíbrio do sistema digestivo. Quando este processo não acontece corretamente produzimos uma substância que chamamos de “Ama” ou de forma que todos entendam “toxinas”. Este resíduo alimentar entra na formação dos tecidos, tem uma característica fria e pegajosa e vai circulando pelo corpo. Estas toxinas encontram um desequilíbrio de “Dosha” que quer dizer, desequilíbrio de funções importantes no corpo, então encontram um órgão “Dushya”, ou melhor, um órgão debilitado e isto forma uma fusão difícil de controlar. Aí então temos uma doença instalada.
Precauções:
Sempre que tivermos uma cobertura branca na língua, estamos produzindo “Ama”. Observar se após raspar a língua ela permanece branca. Caso isso ocorra, então esta cobertura é um tipo de toxina que temos que eliminar do corpo, digerir.
Usar na alimentação:
Gengibre (Zinziber officinalis): Atualmente o gengibre fresco está disponível em quase todos os lugares. O gengibre é um delicioso aperitivo e promove o poder digestivo. É bom para Vata e Kapha em excesso.
Pimenta-do-reino (Piper nigrum): Diminui Vata e Kapha e aumenta Pitta. Também há outra variedade, a branca, que é preparada a partir da pimenta-do-reino removendo-se a pele com métodos especiais. Ambas têm as mesmas propriedades.
Coentro (Coriandrum sativum): São usadas as folhas e as sementes. As folhas não deveriam ser cozidas, porque perdem o sabor ao aquecer. As sementes têm forma arredondada e cor amarela. Pacificam humores em excesso, especialmente Pitta.
Cominho (Cuminum cyminum): Há muitas variedades vendidas com este nome. As sementes de cominho são de cor marrom clara com extremidades pontudas, boas para cozinhar. O cominho é muito rico em várias vitaminas e minerais, sendo bom para curar fraqueza ou fadiga. Promove a digestão. É bom para pacificar Vata e Kapha; aumenta Pitta.
Erva-doce (Funiculum vulgare). Diminui Vata e Pitta e promove a digestão. Principalmente após a refeição como digestivo, mastigado ou em chá.
A melhor coisa a se fazer quando sentimos algum problema com o sistema digestivo é parar de comer, e simplesmente tomar água morna. Isto dará um tempo para que o sistema se equilibre, e a água morna terá a função de acelerar o processo. Em casos crônicos a melhor coisa a fazer é uma dieta bem equilibrada de 5 a 10 dias, dependendo do biotipo de cada pessoa.
Tirar das refeições todos os alimentos de difícil digestão, como os alimentos que vem do solo: batata, cará e mandioca, com exceção da cenoura. Todos os alimentos que produzem gases no organismo como a couve-flor, rabanete, pepino e pimentão. Alimentos ácidos como o tomate e as frutas ácidas. Não ingerir molhos, alimentos aquecidos em micro-ondas, congelados, enlatados, conservados, embutidos, alimentos frios, bebidas geladas. Os pães devem ser colocados na chapa ou torrados para tirar o efeito do fermento, que provoca gases. Evitar todos os tipos de açucares com exceção do mel. Tirar todos os tipos de carne e derivados, leites e derivados. Procurar comer tudo fresco e bem cozido e acrescentar os temperos mencionados acima.
Pelos sistema védico temos três tipos de digestão: Digestão primária, que ocorre no sistema digestivo que todos conhecemos. Digestão secundária que ocorre no fígado, onde ocorre a digestão dos 5 elementos e a digestão terciária que ocorre em nível celular, gerando a formação de cada tecido. O primeiro tecido a ser formado é o Rasa (plasma), a melhor parte do plasma forma o Rakta (sangue), a melhor parte do sangue forma o Mansa (músculo), a melhor parte do músculo forma o Meda (adiposo, gordura), a melhor parte do tecido adiposo forma o Asthi(ossos), a melhor parte do tecido ósseo forma o Majja(tecido nervoso) e a melhor parte do tecido nervoso forma o Shukra(tecido reprodutor), tudo isto levando cerca de 30 dias para se completar.
Pelo conceito Ayurvédico temos treze Agnis (fogos digestivos). Sete dhatu agnis(fogos digestivos de cada tecido). Temos o Jatharagni, que está no sistema digestivo, na parte inferior do estômago e cinco Bhuta Agnis, os fogos digestivos de cada elemento, a saber: éter, ar, fogo, água e terra.
Além de todo este complexo sistema digestivo ainda precisamos verificar como está a função dos sub-doshas de Pitta, pois são eles que fazem todo equilíbrio do organismo no que diz respeito a digestão.
Sadak Pitta, a digestão da mente digere os pensamentos é diz as como resolvemos situações na vida. Alochak Pitta é a digestão do que vemos e como nos vemos no mundo. Sadak Pitta é a digestão do sistema digestivo propriamente dito, onde se encontra o Jattaragni. Brajak Pitta é a digestão da pele e de tudo que é colocado sobre ela. Ranjak Pitta é a digestão no fígado, dos Bhuta Agnis e onde são formados os glóbulos vermelhos.
É este sistema complexo que a Medicina Ayurvédica verifica no funcionamento de cada indivíduo. Se um destes sistemas se debilita o resto do sistema se debilita.
Para isto os condimentos picantes como gengibre e pimenta, os digestivos como cominho e coentro, cúrcuma(açafrão da índia), alho e limão são essenciais para o bom funcionamento do complexo sistema digestivo na visão Ayurvédica.

Aromaterapia

A aromaterapia é uma medicina natural baseada no uso de plantas aromáticas com fins terapêuticos. O aroma e a essência extraídos de diferentes plantas medicinais exercem um papel essencial nesta abordagem de cuidados.
Os princípios básicos da aromaterapia
A aromaterapia, como o próprio nome indica, «aroma» + «terapia» , consiste em aproveitar as virtudes curativas dos perfumes difundidos pelas essências das plantas aromáticas (em geral, óleos essenciais). Ela também recorre aos benefícios dos óleos essenciais, vegetais e do hidrolato aromático para tratar algumas doenças. O modo de tratamento de cada planta varia em função do tipo de substância desejada. De acordo com o objetivo do tratamento, os óleos essenciais podem ser utilizados em uso interno, externo, em complexo ou loção.
O complexo é uma mistura de vários óleos essenciais extraídos de diferentes plantas, a loção resulta de uma mistura de óleos essenciais com outros óleos vegetais. Apesar de serem utilizados como medicina alternativa, os óleos essenciais devem ser levados a sério e é preciso consultar um especialista antes de cada tratamento.
Os óleos essenciais (leia o nosso arquivo sobre os óleos essenciais)
Os óleos essenciais são especialmente conhecidos na aromaterapia, são substâncias secretadas diretamente pelas plantas ou obtidas por compressão da planta. De acordo com o tipo de planta, o óleo essencial pode ser obtido a partir das raízes, da casca, dos frutos ou ainda da flor. A quantidade e as virtudes do óleo variam em função da parte da qualele for extraído. Vários métodos podem ser utilizados para obter o óleo essencial contido em uma planta, entre os mais comuns estão a destilação, a extração mecânica, a infusão e a extração por solvente.
Os óleos essenciais das plantas medicinais são o coração da aromateria. Podemos citar alguns exemplos como: o óleo de argânia, que é conhecido por suas virtudes dermatológicas e a hortelã, que é eficaz no alívio dos problemas digestivos. As pessoas que sofrem com distúrbios respiratórios podem tirar proveito dos benefícios de algumas plantas como o limão, o louro ou o alecrim. Em caso de estresse ou ansiedade, o manjericão é indicado por suas virtudes apaziguadoras.
A aromaterapia na prática
Na aromaterapia, a aplicação propriamente dita é feita por três vias: interna, externa e aérea. No primeiro método, o paciente ingere os óleos essenciais misturados com óleo vegetal e mel. A absorção do óleo puro é proibida pois ela pode provocar irritações na região das mucosas. Para um uso melhor, determinados produtos são apresentados em forma de cápsulas prontas para ingerir ou em supositórios. O método externo consiste em penetrar os óleos essenciais através das camadas cutâneas. A aplicação é feita com o auxílio de uma massagem profunda com uma mistura de óleos e ungüento.
Por fim, quando utilizados por via aérea, os óleos essenciais devem ser conduzidos ao sistema respiratório. Anteriormente, a difusão dos óleos essenciais era efetuada com uma cerâmica porosa, porém o rendimento da evaporação do aroma necessário à terapia era fraco. A utilização de uma lâmpada ou uma vela também não é recomendada pois elas podem alterar as virtudes terapêuticas do produto. Os meios mais eficazes de aromaterapia por via aérea são os ventiladores sem filtros e os difusores equipados de um túnel de vento. Com esses dois meios de difusão, as propriedades dos óleos são conservadas e há uma maior cobertura do tratamento.
Os benefícios da aromaterapia
As virtudes relaxantes da aromaterapia possibilitam o tratamendo da maioria das doenças provocadas pela ansiedade ou pelo estresse. Aliás, é graças a esta propriedade que a aromaterapia é indicada para aliviar os distúrbios depressivos em pacientes com câncer. Ao mesmo tempo, ela ameniza os sintomas relacionados à demência, como os distúrbios do comportamento. Utilizada por via externa, na massagem do couro cabeludo, ela impede a alopecia areata. Ela pode também aliviar os fenômenos de ferimentos causados pelo prurido.
Método terapêutico de grande eficácia, a aromaterapia também pode acabar com os distúrbios do sono, como a insônia. Fonte de energia e bem-estar, ela dá mais vitalidade às crianças prematuras. Apesar de não haver uma conclusão científica concreta, após terem sido submetidas a um tratamento aromaterápico, várias mulheres testemunharam uma redução dos sintomas relacionados à menopausa.
Contra-indicação da aromaterapia
Apesar do efeito terapêutico dos óleos essenciais não precisar mais ser comprovado, estes podem gerar alguns inconvenientes em caso de má utilização. Devido à sua concentração, os óleos essenciais podem irritar a superfície cutânea, por isso é preciso evitar a aplicação dos óleos essenciais que não foram misturados com um pouco de óleo vegetal. Os óleos essenciais são produtos naturais, mas isso não impede que pessoas sensíveis sofram com alergias após o seu uso.
Em algumas pessoas, os óleos essenciais à base de cetonas desencadeiam distúrbios neurológicos. O mesmo ocorre com os óleos essenciais de alecrim ou cânforas, que podem até mesmo provocar crises de epilepsia. Aplicados sobre apele, alguns óleos essenciais ,sob o efeito da fotosensibilização, deixam a epiderme menos resistente aos raios UV. Por fim, estudos estão sendo feitos para estabelecer se é preciso proibir o uso de óleos essenciais em grávidas e recém-nascidos