sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ondas cerebrais produzem música

Redação do Diário da Saúde
Música do cérebro
Cientistas chineses traduziram dois tipos de exames de ondas cerebrais em música.
A pesquisa é mais um resultado de uma linha emergente de estudos que estão encontrando novas formas de compreender e decifrar as ondas cerebrais.
Primeiro se descobriu que o cérebro transmite informações em várias frequências, que lembram muito as estações de rádio.
Mais recentemente, cientistas mostraram como nosso cérebro toca sua própria música e até que o cérebro controla os movimentos usando ritmos musicais.
Mas esta é a primeira vez que o cérebro cria sua própria música, sem obedecer a nenhuma escala musical predeterminada. Ouça uma das "composições cerebrais":
Cérebro compositor
Jing Lu e seus colegas da Universidade de Ciência Eletrônica e Tecnologia (China) usaram dois tipos de exames para criar a música cerebral.
Um eletroencefalograma (EEG) foi usado para criar a altura e a duração de uma nota, enquanto um exame de ressonância magnética funcional (IRMf) foi usado para controlar a intensidade da música.
E o cérebro compositor não desafinou, conforme mostra o artigo científico publicado na revista PLoS ONE.
Diagnósticos e terapias
Segundo os cientistas, a música cerebral é muito mais do que uma curiosidade, representando um novo método para analisar os processos fisiológicos do cérebro, com múltiplos propósitos.
A música cerebral "expressa o funcionamento do cérebro como arte, proporcionando uma plataforma para cientistas e artistas trabalharem em conjunto para melhor compreender as relações entre a música e o cérebro humano," escreveram eles.
Os autores também sugerem que a combinação de dados de EEG e fMRI pode produzir resultados, na forma de música, que refletem melhor a atividade funcional do cérebro, podendo levar a melhorias no diagnóstico clínico e nas terapias de biofeedback.

Práticas integrativas: entrevista com Maria Inês Nogueira

Maria Inês Nogueira
As demandas atuais das práticas integrativas (Homeopatia, Acupuntura e Fitoterapia), o avanço do tema no âmbito do Sistema Único de Saúde e os desafios da formação de profissionais. Estes temas foram discutidos na mesa-redonda Racionalidades Médicas – Ontem, Hoje e Amanhã, realizada durante o X Seminário do Projeto Integralidade, que aconteceu entre os dias 20 e 22 de outubro, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Entre os participantes estava Maria Inês Nogueira, médica e professora Adjunta do Instituto de Saúde da Comunidade da (ISC), da Universidade Federal fluminense (UFF). “Este encontro resgatou a discussão das Racionalidades Médicas na área da Saúde Coletiva (há tempos isso não acontecia), reacendendo o debate sobre os desafios e as possibilidades de avanço do tema no âmbito do Sistema Único de Saúde”, comenta Maria Inês.
Nesta entrevista ao Ecomedicina ela fala mais sobre o tema das Racionalidades Médicas, abordando desde a importância de discutir o assunto até a formação profissional. Confira!
Ecomedicina: Em sua opinião, encontros e discussões como estas do Seminário do Projeto Integralidade são importantes? Por quê?
Maria Inês Nogueira: Na minha opinião, organizar encontros e discussões sobre as Racionalidades Médicas é uma necessidade na área da Saúde. Há um verdadeiro “vazio acadêmico” sobre o tema, daí a importância do Grupo Racionalidades Médicas e Práticas em Saúde, liderado pela Professora Madel Luz, que produziu trabalhos interessantíssimos ao longo desses últimos 20 anos.
Ecomedicina: Quais são as demandas atuais das práticas integrativas (Homeopatia, Acupuntura e Fitoterapia)?
Maria Inês Nogueira: As Racionalidades Médicas vitalistas, como a Homeopatia e a Medicina Chinesa/Acupuntura, além da Fitoterapia e demais práticas integrativas e complementares são recursos terapêuticos enriquecedores para se abordar o adoecimento humano na perspectiva da integralidade. As demandas por um cuidado integral em saúde e a integração entre prevenção, cuidado e promoção da saúde ocupam a pauta atual das discussões na área da Saúde. As práticas integrativas podem oferecer, sem dúvida, uma contribuição importante neste sentido.
Ecomedicina: Qual tem sido o avanço do tema no âmbito do Sistema Único de Saúde? Há perspectivas de que isso evolua? Quais são, hoje, os maiores desafios?
Maria Inês Nogueira: Uma demanda atualíssima seria a implementação dessas práticas integrativas no SUS, mais especificamente no nível da Atenção Primária. Conseguir mais verbas para pesquisas na área e qualificar os profissionais de Saúde para trabalhar com essas práticas são alguns dos principais desafios a serem enfrentados.
Ecomedicina: Em relação à formação profissional, há, hoje, uma formação para práticas integrativas? O que pode e deve ser mudado em relação a isso?
Maria Inês Nogueira: De um modo geral, a formação de profissionais na universidade para atuar nas práticas integrativas ainda é insuficiente. Isso também varia de acordo com a categoria profissional. Na graduação médica, por exemplo, a inserção das medicinas complementares (não biomédicas) no ensino acontece em poucas universidades. Na escola médica da UFF, sede de uma reforma curricular implementada em 1994, há disciplinas optativas sobre Homeopatia e Medicina Chinesa. Nós também introduzimos o tema Racionalidades Médicas na Disciplina Trabalho de Campo Supervisionado I (no 1º ano da graduação médica) – uma experiência que tem sido bem aceita pelos alunos. Acredito que a divulgação de estudos e pesquisas sobre o tema seria um dos caminhos para transformar essa situação.