terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cientistas analisam cérebros de médiuns durante psicografia

Redação do Diário da Saúde
Psicografia científica
Cientistas brasileiros e norte-americanos usaram as mais modernas técnicas de neuroimagens para analisar o cérebro de médiuns brasileiros.
Os estudos foram feitos durante sessões de psicografia, uma forma de comunicação em que o espírito de uma pessoa já falecida escreve por meio das mãos do médium.
A nova pesquisa revelou resultados intrigantes da atividade cerebral, como um estado descrito pelos cientistas como "dissociativo".
Os médiuns mais experientes apresentaram uma redução na atividade cerebral, apesar do complexo conteúdo escrito produzido por eles.
Os resultados foram publicados na revista científica PLOS ONE.
Ciência e mediunidade
"Já se sabe que as experiências espirituais afetam a atividade cerebral. Mas a resposta cerebral à mediunidade, a prática de supostamente estabelecer comunicação ou ser controlado por uma pessoa já falecida, tem recebido pouca atenção científica," disse Andrew Newberg, da Universidade Thomas Jefferson (EUA), que coordenou o estudo.
Segundo ele, a partir destas primeiras constatações, novos estudos sobre o assunto deverão começar a ser feitos.
Foram analisados 10 médiuns, cinco deles classificados como "experientes" e cinco como "menos experientes".
Todos receberam uma injeção de um marcador radioativo (radiofármaco) para capturar sua atividade cerebral durante processos normais de escrita e durante a prática da psicografia, que envolve um estado similar ao transe.
Os médiuns foram analisados usando um exame chamado SPECT (single photon emission computed tomography, tomografia computadorizada por emissão de fóton único), que é capaz de registrar as áreas ativas e as áreas inativas do cérebro a cada momento.
Transe mediúnico
O estudo mostrou que os psicografistas experientes apresentaram menores níveis de atividade no hipocampo esquerdo (sistema límbico), giro temporal superior direito e regiões do lobo frontal do cingulado anterior esquerdo e giro precentral direito durante a psicografia, em comparação com sua escrita normal, fora do transe mediúnico.
As áreas do lobo frontal estão associadas com o planejamento, raciocínio, produção da linguagem, movimento e resolução de problemas.
Os cientistas levantam a hipótese de que isto reflete, durante o transe mediúnico, uma ausência de foco, autopercepção e consciência durante a psicografia.
Já os médiuns menos experientes apresentaram exatamente o efeito oposto, o que os cientistas sugerem estar associado ao maior esforço que eles fazem para executar a psicografia.
Avaliação neurocientífica da mediunidade
Os textos psicografados foram analisados pelos cientistas, que verificaram que os textos produzidos durante o transe mediúnico apresentaram complexidades maiores do que aqueles produzidos espontaneamente pelo próprio médium para referência, que não eram oriundos de psicografia.
Em particular, os médiuns mais experientes produziram textos com maiores pontuações no quesito complexidade, que normalmente exigiriam mais atividade no córtex frontal e temporal - exatamente o oposto do que os exames verificaram.
O conteúdo produzido durante as psicografias versava sobre princípios éticos, a importância da espiritualidade, e a aproximação entre ciência e espiritualidade.
"Esta que é a primeira avaliação neurocientífica já realizada dos estados de transe mediúnico revela alguns dados interessantes para melhorar a nossa compreensão da mente e sua relação com o cérebro. Estas descobertas merecem estudos mais aprofundados, tanto em termos de replicação quanto de hipóteses explicativas," concluiu o Dr. Newberg.
O estudo foi orientado pelo Dr. Newberg e contou com a participação dos brasileiros Julio Fernando Peres (Universidade da Pensilvânia), Alexander Moreira Almeida e Leonardo Caixeta (Universidade Federal de Juiz de Fora) e Frederico Leão (Universidade de São Paulo).

Plantas medicinais contra diabetes são avaliadas por cientistas

Cristine Amarante e Fábio Bruno de Souza descobriram que a planta medicinal conhecida como "insulina vegetal" é rica em flavonoides, o que pode explicar sua ação antidiabética.
Plantas para diabetes
Ervas popularmente receitadas para o combate ao diabetes estão prestes a ter sua eficácia comprovada pela ciência.
Uma pesquisa do Laboratório de Análises Químicas do Museu Paraense Emílio Goeldi mediu os teores de flavonoides das quatro espécies de plantas medicinais mais ofertadas aos frequentadores do mercado Ver-o-Peso, em Belém (PA).
O estudo verificou que, pelo menos em uma delas, os níveis de flavonoides superam os encontrados no chá preto, e estão entre os maiores já encontrados.
Flavonoides
Os flavonoides podem preservar a função das células que produzem a insulina, hormônio que controla a taxa de açúcar no sangue.
Esses compostos são encontrados em frutas, vegetais e bebidas como o vinho e o chá.
"Como já se sabe, [os flavonoides] apresentam alta capacidade antioxidante e atuam como 'varredores' de radicais livres", explica a professora Cristine Amarante, que orientou o trabalho realizado por Fábio Bruno de Souza.
Os radicais livres - átomos e moléculas originados como subprodutos do metabolismo - têm funções importantes para o organismo, mas também estão associados ao envelhecimento e a doenças como câncer.
Conhecimentos tradicionais e científicos
A pesquisadora avalia que há uma aproximação real entre os conhecimentos tradicionais e científicos, e um interesse comercial crescente pelas riquezas naturais amazônicas.
"O difícil acesso aos centros de atendimento hospitalares, exames e medicamentos pela população carente, associados com a fácil obtenção e a grande tradição do uso dessas plantas, contribuem para sua utilização, principalmente na região amazônica, onde as condições sociais são precárias para grande parte da população", acrescenta.
A pesquisa constatou algumas diferenças entre as recomendações das erveiras (vendedoras de ervas) para o preparo dos chás, tanto no método - infusão ou decocção - como no tempo.
"Os testes comprovaram nossa hipótese, de que essas ervas contêm apreciáveis teores de flavonoides, sendo, portanto, boas fontes da substância. Mais do que isso: a que é conhecida como insulina - justamente por esse uso - mostrou teores acima até do chá preto, que é uma bebida conhecida por apresentar uma das maiores concentrações desses compostos. Para essa erva, o tempo de aquecimento por 15 minutos foi o modo de preparo que mais liberou flavonoides.
"As outras, embora tenham apresentado teores de flavonoides inferiores aos da insulina, mostraram valores comparáveis aos encontrados no vinho tinto. Porém, para estas o tempo de aquecimento acima de 10 minutos causa uma redução do teor. Agora vamos repetir a amostragem. Para ir mais fundo, dependemos da aquisição de equipamentos de ponta, que permitam identificar os flavonoides presentes. Entramos com projetos em alguns editais para isso," explicou a pesquisadora.
Próximos passos
O próximo passo será tentar identificar os flavonoides presentes, priorizando a planta conhecida como "insulina vegetal" (Cissus sicyoides) - a espécie que apresentou o melhor resultado e que é conhecida por esse nome em função do uso antidiabético.
Os pesquisadores estão estudando ainda as plantas pata-de-vaca (Bauhinia variegata), mira aruíra (Salacia impressifolia) e pedra de ume caa (Myrcia sphaerocarpa).