quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Da gripe ao câncer: como a vitamina C pode prevenir doenças?

http://www.olharvital.ufrj.br/2006/index.php?id_edicao=183&codigo=10
Beatriz da Cruz
Os crescentes avanços da ciência e da medicina elevam a expectativa de vida da população a cada década, bem como a preocupação das pessoas para chegar à terceira idade com qualidade de vida e boa saúde.
Alimentação e hábitos saudáveis nunca tiveram tanto destaque. Por isso o Por uma boa causa deste mês traz dicas de como levar uma vida mais saudável, a começar com os benefícios da laranja e nutrientes da fruta.
De acordo com Wilza Peres, professora do Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC), a vitamina C presente na laranja é um importante antioxidante hidrossolúvel, que protege as células do organismo, em especial, as células oculares, o fluido seminal e o LDL (conhecido como mau colesterol). É importante também na regeneração da forma ativa da vitamina E (antioxidante lipossolúvel), agindo junto a ela na proteção contra a peroxidação do LDL, que marca a etapa inicial da aterosclerose.
Outra substância com importante papel são os flavonoides, que evitam a oxidação do LDL (mau colesterol) não permitindo que ele se acumule nas artérias. Os flavonoides são fitoquímicos presentes no suco de laranja e atuam de forma conjunta com a vitamina C, aumentando o poder antioxidante.
Outra função da vitamina é participar da síntese do colágeno, hormônios adrenais, carnitina e do metabolismo da tirosina. Ela ajuda ainda a aumentar a absorção do ferro, transformando-o de férrico (presente nos vegetais) em ferroso. “O ferro é importante para a síntese de hemoglobina e mioglobina (fazendo parte da fração ‘heme’). A hemoglobina é a substância presente nas hemácias (células sanguíneas) responsável por carregar oxigênio pelo sangue”, diz a especialista.
Contra gripes e resfriados
A laranja é sempre lembrada como forma de prevenir gripes e resfriados, porque é conhecido o efeito da vitamina C no sistema imunológico e na produção de interferon, substância com ação antiviral. Muitas pessoas, sabendo desses benefícios, recorrem a complexos farmacêuticos como forma de ingestão do nutriente.
No entanto, a nutricionista adverte que a alimentação adequada e balanceada cobre todas as necessidades nutricionais do indivíduo. “Uma dieta rica em frutas e hortaliças, em geral, dispensa o uso da suplementação de ferro e vitamina C. A suplementação de vitaminas e minerais está preconizada no caso de aporte insuficiente pela alimentação e em certas condições fisiológicas e clínicas específicas”, afirma Wilza.
Segundo a professora, os nutrientes devem ser ingeridos diariamente, nos valores recomendados pela Dietary Reference Intakes (ingestão alimentar de referência) e publicados pelo Institute of Medicine e Food and Nutrition Board da US National Academy of Sciences. Ela alerta para o fato de que os valores de ingestão variam de acordo com a faixa etária.
Moderação
“O consumo excessivo de vitamina C pode levar a um quadro de hipervitaminose C. Podem ocorrer diarreia, provavelmente pelo grande carreamento de água para o interior do intestino, além de náuseas e vômitos. Tem sido relatado que o excesso de ácido ascórbico, ou vitamina C, e seus metabólitos excretados na urina pode causar a formação de cálculos de oxalato (cálculo renal)”, explica Wilza.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde aconselham o consumo diário de cinco porções de frutas e legumes. “A laranja pode fazer parte dessas porções, mas cabe destacar que outras frutas cítricas podem substituir a laranja, tais como: caju, morango, limão, acerola, kiwi, abacaxi, dentre outras. Também são boas fontes de vitamina C alguns vegetais como brócolis, couve e couve-flor”, ressalta a nutricionista.
O poder da vitamina C se estende ainda à prevenção do câncer, ao inibir a formação de nitrosaminas in vivo, que estão relacionadas ao risco de câncer de estômago e, segundo a professora, são formadas a partir de nitratos e nitritos usados como conservantes pelas indústrias, principalmente nos embutidos. Pelo fato de ser uma substância antioxidante, a vitamina C já contribui para reduzir o risco de câncer em geral e atenua danos oxidativos ao DNA. “Além de conter vitamina C e flavonoides, o suco de laranja é boa fonte de ácido fólico e potássio”, concluiu a professora.

Deficiência de ácido fólico e vitamina B12 ligada a depressão

Estudo publicado no “Journal of Affective Disorders”
Um estudo conduzido no âmbito de um programa finlandês de prevenção da diabetes tipo 2 demonstrou que um baixo nível de ácido fólico e de vitamina B12 está associado a um maior risco de sintomas melancólicos depressivos.
O ácido fólico é uma vitamina que ajuda na produção de químicos que controlam as funções cerebrais, tal como estado de humor, sono e apetite. Esta vitamina está presente em vegetais de folhas verdes. A vitamina B12 desempenha um papel essencial na formação de glóbulos vermelhos, funções cerebrais e sistema nervoso.
Os sintomas típicos da depressão estão associados à chamada depressão melancólica. Por outro lado, a depressão não-melancólica pressupõe outro tipo de sintomas que passam pela ansiedade, sentimentos de preocupação e baixa autoestima.
A investigação, que teve por base 3000 finlandeses de meia-idade e idosos, sugere que a depressão melancólica e não-melancólica são provavelmente subtipos depressivos que não têm as mesmas causas relativamente à dieta e pró-inflamação. Esta foi a primeira vez que se estudou estes dois subtipos separadamente.
Os resultados do estudo demonstraram que nos participantes com os maiores níveis de ácido fólico a ocorrência do risco de depressão melancólica era 50%menor comparativamente aos que apresentavam os níveis mais baixos.
Por outro lado, os participantes com os níveis mais elevados de vitamina B12 apresentavam um risco três vezes menor de apresentarem sintomas depressivos melancólicos em relação àqueles com os níveis mais reduzidos.
Os investigadores não conseguiram encontrar associações semelhantes relativamente aos sintomas de depressão não-melancólica. No entanto, os pacientes com depressão não-melancólica apresentavam um risco duas vezes maior de síndrome metabólico comparativamente com os que não apresentavam este tipo de sintomas depressivos.
Jussi Seppäla, médico e diretor do departamento de psiquiatria do South-Savo Hospital District, na Finlândia, explica que “esta descoberta tem implicações de ordem prática no tratamento de pacientes com depressão. Por exemplo, deve-se evitar medicação que cause aumento de peso em pacientes com depressão não melancólica, as passo que os sintomas depressivos melancólicos poderão exigir um maior cuidado em relação à qualidade da dieta do paciente”.
ALERT Life Sciences Computing, S.A.