segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Mensagem de Final de Ano


MEDICINA TRADICIONAL: O FUTURO APRENDENDO COM O PASSADO

A prática da Medicina Natural e Tradicional (MNT) ainda suscita um amplo leque de reações que vão desde o “entusiasmo acrítico” até o “ceticismo desinformado”, reconhece, em Havana, a doutora Martha Pérez Viñas, que sustenta que “devemos encontrar o ponto de equilíbrio que proporcione o benefício social”.
Minha entrevistada, Diretora Nacional de MNT do Ministério de Saúde Pública, revela que as publicações sobre estes temas “são ainda insuficientes”; para tanto, “as pesquisas devem continuar se estendendo”. No que diz respeito a Cuba, é valorizada a garantia de que sejam os profissionais de saúde, cada um dentro da sua especialidade, os encarregados pela prática dessa medicina.
As medicinas tradicionais são diferentes no contexto global, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) utiliza um enfoque amplo e inclusivo em sua definição. Cada país traz suas próprias definições segundo as características locais, históricas e sociais.
Em Cuba – diz Pérez Viñas –, a MNT é uma especialidade de perfil amplo com um enfoque integrador dos problemas de saúde que emprega a promoção, a prevenção, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação de pacientes com diversas modalidades dessa medicina.
Entre tais modalidades, Pérez Viñas cita a fitoterapia, a apiterapia, a Medicina Tradicional Asiática – que inclui a acupuntura e técnicas afins –, a massagem e os exercícios terapêuticos, a homeopatia, a terapia com florais de Bach, a hidrologia médica – que emprega lama, águas minero-medicinais e talassoterapia –, a ozonoterapia e a orientação nutricional naturalista.
Esclarece ainda que existem diferenças no emprego de cada uma dessas modalidades. Na prevenção de doenças ou na busca de uma melhora, recorre-se frequentemente à orientação nutricional naturalista e aos exercícios terapêuticos. Para cura ou tratamentos, são particularmente úteis a acupuntura, a fitoterapia, a apiterapia e a terapia floral; e os reabilitadores também empregam muito a hidrologia médica. A homeopatia também é utilizada internacionalmente em doenças de tipo epidêmico.
É bom lembrar que, nas Medicinas Tradicionais, existe um uso popular transmitido de geração para geração relacionado fundamentalmente com o emprego de recursos naturais (plantas, mel e derivados, águas e lamas), como todo fruto da experiência e da observação.
Também é de conhecimento geral que a quinina é extraída de material vegetal e que esse alcaloide segue sendo útil para o tratamento de muitas formas de paludismo; ou que outro alcaloide, a atropina, empregada em oftalmologia para dilatar a pupila ou como antiespamódico em infecções gastrointestinais, foi descoberta na planta Atropa belladona.
As diversas modalidades de MNT autorizadas em Cuba para uso no Sistema Nacional de Saúde, incluindo os produtos naturais empregados, estão validadas por pesquisadores e aprovadas pelo Birô Regulatório de Proteção à Saúde, porque, levanta a especialista, “são acessíveis, replicáveis, possuem segurança, eficácia e permitem um acompanhamento oportuno em seu controle de qualidade”.
Por isso, a especialista ressaltou a importante contribuição que os meios massivos de comunicação podem trazer para o desenvolvimento desses programas mediante uma divulgação responsável baseada nas experiências cubanas, que se fortalecem cada dia mais com “nossa cienticificidade”, e o aperfeiçoamento do processo de formação de recursos humanos para a prática assistencialista.
A diretora atual da OMS, Margaret Cham, fez um chamado a todos os seus membros para que “juntem medicina tradicional e oriental em formas altamente eficazes no sistema de atendimento básico”. Nosso país passa por esse caminho, garante a doutora Perez Viñas, para isso contamos com a força do sistema nacional de saúde.
A medicina natural e tradicional continua abrindo caminhos no mundo à medida que os cientistas descobrem suas infinitas possibilidades. É como se o futuro estivesse aprendendo com o passado.
JOSÉ A DE LA ROSA - Jornal Granma

Sons e instrumentos agem de forma terapêutica em pacientes

Por meio da vivência musical, pessoas encontram auxílio durante o tratamento de diversas doenças
Ainda do lado de fora de uma das salas do Hospital Universitário Walter Cantídio, em Fortaleza, é possível ouvir o som de dezenas de instrumentos que, conduzidos por pacientes, familiares e uma psicóloga, dão o tom à atividade de musicoterapia. Liderados por duas psicólogas e uma musicista, durante um dia na semana, cerca de 30 pacientes têm a oportunidade de estar em contato com instrumentos musicais. São pandeiros, sanfonas, colheres, chocalhos e tambores que se unem às melodias e colaboram para o bem-estar dos pacientes do hospital.
Durante as aulas, os pacientes têm a oportunidade de cantam e tocar Foto: Alex Costa
Atualmente, ouvir música não está mais associado apenas à diversão, pois as melodias também têm sido utilizadas como terapia, sendo um remédio tão eficaz quanto os vendidos nas farmácias, contribuindo no tratamento de problemas físicos, mentais e emocionais de diversas pessoas. A musicoterapia, como é conhecido o tratamento por meio da música, é a utilização do som e seus elementos na promoção da comunicação, relação, aprendizagem, mobilização e expressão dos pacientes.
Tratamento
A técnica, conforme explica a musicoterapeuta , Leomara Craveiro de Sá, acolhe o ser humano com transtornos como estresse, bloqueios emocionais e problemas neurológicos. Leomara destaca que são vários os fatores que justificam a utilização da música como terapia, dentre eles, a sua pluralidade de sentidos e significados, assim como suas características de expressão e comunicação não verbal.
Além disso, a música provoca sensações que facilitam a expressão emocional ao atingir o sistema límbico, região do cérebro responsável pela emoção e afetividade. A técnica teve início na década de 70, com os primeiros cursos de formação implantados no Paraná e no Rio de Janeiro. Nos últimos dez anos, porém, a atividade terapêutica começou a se desenvolver mais intensamente em outros estados. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), vários hospitais de Fortaleza trabalham com terapias alternativas, como arte, riso e pintura, sendo a maioria delas iniciativa de grupos voluntários. Porém, atividades relacionadas à musicoterapia, nos hospitais da Capital, são em sua grande parte iniciativa dos próprios médicos.
"Esse tipo de terapia atua nas dimensões corporal, psicológica, cognitiva, relacional e espiritual do paciente, podendo ser utilizada na prevenção e no tratamento de bebês, crianças, adolescentes, adultos e idosos, de acordo com a necessidade de cada um. A musicoterapia é para todos", afirma Leomara.
Além disso, a técnica pode ser aplicada individualmente ou de forma grupal, em hospitais, empresas, clínicas e ONG´s. "O paciente interage de forma ativa com o musicoterapeuta, num fazer musical conjunto. Nesse caso, podemos utilizar instrumentos musicais variados, objetos sonoros, sons do próprio corpo e a voz falada ou cantada", exemplifica. Leomara ressalta, ainda, que o paciente não precisa saber música para se submeter a um tratamento musicoterapêutico, já que a ideia é agregar.
Som Saúde
O grupo Som Saúde foi uma idealização da psicóloga e musicista Ré Campos, num desejo de unir suas duas grandes paixões: música e pessoas. Desde então, há seis anos, ela trabalha com pacientes que aguardam por cirurgias e altas médicas nos hospitais na tentativa de tornar a espera deles menos dolorosa. "Acreditando no poder terapêutico da música, nosso objetivo é fazer com que os pacientes passem o menos tempo possível aqui. A atividade de musicoterapia contribui para isso, pois atua como recurso e humanização, alivia a ansiedade e faz com que eles respondam melhor ao tratamento e fiquem mais tranquilos durante essa fase", pontua.
Após se submeter a uma cirurgia no coração e enquanto aguarda a permissão dos médicos para voltar para casa, o auxiliar de almoxarifado, José Aleide, frequenta a terapia musical ao lado de familiares e outros pacientes. "O encontro é fundamental pra que a gente possa se animar um pouco, já que o ambiente do hospital é desgastante. Além disso, durante a terapia de música, a gente relaxa, conversa e canta, o que nos faz muito bem", diz.
Durante a terapia musical, os pacientes participam ativamente do momento. Para tornar isso possível, Ré Campos tem o cuidado de levar instrumentos fáceis de manusear. "O som do instrumento é um mediador que estimula o canto e a expressão. Dessa maneira, tenho acesso a conteúdos psíquicos e emocionais dos pacientes", diz a psicóloga, que também faz terapia musical no Hospital Saúde Mental de Messejana. Entretanto, acredita que a saúde pública de Fortaleza precisa dar mais atenção a esse tipo de técnica, rara de ser encontrada na Capital, e de benefícios sociais e psicológicos essenciais.
Partilhas ajudam no processo de cura
"As práticas complementares de terapia acolhem o sofrimento, aliviam a dor na alma e reduzem o estresse causador de patologias a longo prazo", é o que afirma Adalberto Barreto, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), doutor em psiquiatria e antropologia. Há mais de 25 anos, exerce a metodologia da Terapia Comunitária Integrativa, iniciativa dele, atualmente aplicada no "Projeto 4 Varas", em Fortaleza.
Nos encontros, as pessoas compartilham experiências e problemas, recebendo auxílio de profissionais e dos próprios participantes FOTO: LUCAS DE MENEZES
"Durante a terapia, prezamos pela partilha de experiências entre os participantes que mostram as possíveis estratégias de superação dos sofrimentos do cotidiano e permite que a comunidade encontre, nela mesma, soluções aos problemas que, isoladamente, a pessoa, a família e os serviços públicos não foram capazes de encontrar", explica.
Na terapia comunitária desenvolvida no Projeto a pergunta principal é: "Quem já viveu algo parecido e o que fez para resolver?" A partir das histórias compartilhadas, os participantes descobrem que não estão sós, recebem apoio do grupo, criam novos vínculos e constroem uma nova rede de apoio. "Nesse tipo de terapia, a palavra é o remédio”, ressalta Barreto.
O grande desafio do "Projeto 4 Varas" tem sido, por um lado investir na prevenção, e por outro procurar criar um modelo de atendimento às pessoas que leve em conta os recursos e as peculiaridades da cultura local.
O Projeto atende à população com diversos profissionais, entre eles, massoterapeutas, terapeutas comunitários, psicólogos e psicoterapeutas. Em Fortaleza, as sessões da terapia acontecem em todas as regionais de Fortaleza através do Projeto 4 Varas. As reuniões acontecem todas as quintas-feiras, às 14 horas e é aberta ao público.