quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A fitoterapia é Pública

Texto: Raquel Marçal
Várias cidades brasileiras já oferecem à população acesso gratuito a dezenas de fitoterápicos
Há pouco mais de um ano, Betim, cidade de 377 mil habitantes na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ganhou um espaço de 440 metros quadrados, com móveis e equipamentos novinhos em folha. Trata-se da nova sede da Farmácia Viva, lugar onde a comunidade é orientada a respeito do uso correto das plantas medicinais e onde funciona um laboratório de manipulação de fitoterápicos que produz 73 formulações a partir de 27 plantas medicinais. Em Betim, o programa funciona desde 2004. Na época de sua implantação, recebia 400 receitas por mês, sempre prescritas pelos profissionais de saúde do município. “Hoje, atendemos 4,5 mil mensalmente, com a previsão de aumento de 100%, com a contratação de mais pessoal”, prevê a farmacêutica-chefe da unidade, Jaqueline Guimarães Carvalho.
Betim é uma das dezenas de cidades brasileiras que mantêm programas próprios para oferecer fitoterápicos na rede pública de saúde. O município mineiro é também um dos 12 recém-contemplados com recursos do Ministério da Saúde para serem aplicados em projetos locais de produção e distribuição de plantas medicinais e fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS). “O objetivo é aliar a saúde à sustentabilidade e ao desenvolvimento socioeconômico do país. Queremos mostrar que é possível desenvolver a cadeia produtiva com sustentabilidade”, explica o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. Quarenta e três prefeituras enviaram propostas pleiteando a verba de R$ 6,7 milhões, que será dividida entre Betim, Botucatu (SP), Brejo da Madre de Deus (PE), Diorama (GO), Foz do Iguaçu (PR), Itapeva (SP), João Monlevade (MG), Pato Bragado (PR), Petrópolis (RJ), Rio de Janeiro (RJ), Santarém (PA) e Toledo (PR).
O Ministério também financia 12 fitoterápicos industrializados, que devem ser adquiridos pelos estados e municípios interessados em disponibilizá-los à população. Atualmente, 14 estados fazem parte da parceria, porém o SUS ainda não tem informações sobre quantas cidades brasileiras ofertam os medicamentos em seus postos de saúde. Mas uma coisa é certa: para receber o fitoterápico, é preciso ter receita médica. E é justamente por causa dessa regra que o Ministério da Saúde promoveu em 2012 – e pela primeira vez – uma capacitação em parceria com a Associação Médica Brasileira de Fitomedicina (Sobrafito).
O curso foi realizado via internet e teve a participação de cerca de 300 médicos do SUS de várias especialidades, incluindo pediatras, ginecologistas, psiquiatras, ortopedistas e clínicos gerais. O próximo curso ainda não tem data prevista, mas segundo a Sobrafito, a expectativa é oferecê-lo duas vezes por ano. E já tem fila de espera. “Um curso médico de graduação possui 6.000 horas, das quais nenhuma é dedicada a medicamentos fitoterápicos na maioria das escolas”, diz o presidente da Sobrafito, Eduardo Pagani. “Para muitos é a primeira oportunidade de ter contato com esses conceitos.” O plano agora é incluir também farmacêuticos, enfermeiros e dentistas que trabalham na rede pública. Quanto mais profissionais conhecerem as vantagens da fitoterapia, melhor.
Os estados que aderiram ao programa de fitoterápicos do SUS
Acre, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo, Tocantins.
Fonte: Ministério da Saúde

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