quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Desnutrição, um problema de peso

Por: Manuela Lopes
Você é do tipo que nunca teve paciência com a sua avó quando ela repetia pela octogésima sétima vez que peixe "faz muito bem para a memória" enquanto empurrava "só mais um pedacinho" para o seu prato?
Pois saiba que ela tinha sua dose de razão. A falta de proteína, nutriente abundante em qualquer tipo de carne, é uma das causas da desnutrição, condição que aflige milhares de brasileiros, principalmente crianças. Há estudos que afirmam que crianças que passaram os três primeiros anos de sua vida com subnutrição desenvolveram sérias dificuldades de compreensão e, consequentemente, de aprendizagem ao longo da vida.
O termo "desnutrição" é, na verdade, usado para caracterizar qualquer tipo de distúrbio alimentar, desde hipernutrição (excesso de nutrientes) até o assunto desta reportagem, a desnutrição protéico-calórica (ou subnutrição), que se caracteriza, como o nome já diz, pela falta de proteínas, que são basicamente os "tijolos" do corpo humano.
Há três tipos de desnutrição protéico-calórica: o marasmo, o kwashiorkor e a combinação de ambos, o kwashiorkor marasmático.
O marasmo ocorre quando a criança possui peso abaixo de 60% do esperado para sua altura e idade. Isto faz com que ela perca tecido muscular, gordura e às vezes até papilas gustativas. O cabelo fica escasso, quebradiço e pode vir a perder a coloração. Enquanto isso, a criança fica triste e quieta.
O kwashiorkor é menos aparente, pois a criança tem peso entre 60% e 80% do esperado, às vezes bem perto do normal. É causado, mais que pela falta de alimentação, pela falta de proteína em particular. A criança com esse tipo de desnutrição apresenta lesões características na pele, cabelo descolorido e edemas (acúmulo de líquido). Além disso, seu fígado costuma ser gorduroso e aumentado.
O kwashiorkor marasmático ocorre quando a criança tem todos os sintomas do marasmo, porém apresenta edemas.
O tratamento consiste, obviamente, em uma dieta com os nutrientes adequados para a recuperação. Caso não haja tratamento, a gravidade da situação da criança piorará gradativamente, até que seja tarde demais para uma reversão do quadro. A morte não é nem um pouco incomum nestes casos, principalmente de bebês.
As causas da subnutrição infantil estão intimamente ligadas a fatores sociais como a falta de recursos e de educação. Isso pode ser observado pela grande ocorrência na América Latina, e, principalmente, na África.
A solução não virá facilmente. Programas como a distribuição de cestas básica ou a popularização da farinha de casca de ovo, barata e rica em proteínas, ajudam provisoriamente. Porém, para a questão ser resolvida permanentemente, será necessária uma grande melhora nas condições de vida dos países de terceiro mundo. Uma mudança deste porte não ocorre de uma hora para a outra, portanto, é melhor que ela comece daqui a pouco. Daqui a muito pouco tempo, pois a questão é, literalmente, de vida ou morte.

Nenhum comentário: