sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Tempo ocioso é fundamental para revigorar o corpo e a mente

Executar atividades conhecidas como um "sinal de tédio" pode fazer com que as pessoas fiquem fisicamente alertas. Foto: Kaptain Kobold
Vida corrida, horário para chegar e para sair, vício do celular e redes sociais, TV ligada, buzinas e 1001 coisas para fazer. Que tal deixar tudo isso de lado e induzir o cérebro ao descanso, sonhar acordado e se desligar de tudo por algum tempinho? Embora não pareça, o tempo ocioso é fundamental para a revigoração do corpo e da mente.
Pesquisadores norte-americanos defendem que o tédio é uma maneira do cérebro comunicar que a pessoa deveria estar fazendo alguma coisa e, por isso, há mais chances de aprender como se divertir e ganhar auto-controle.
O professor de neurociência Mark Fenske, da Universidade de Guelph, em Ontario, explicou ao jornal New York Times, que executar atividades conhecidas como um “sinal de tédio”, a exemplo de fazer rabiscos, pode fazer com que as pessoas fiquem fisicamente alertas. Ele também comentou que a inquietação das crianças com o tédio pode ajudá-las a intensificar os aprendizados e absorver mais informações.
De acordo com uma pesquisa, publicada no segundo semestre de 2012, no periódico Perspectives on Psychological Science, quando as pessoas estão descansando ou desligados das atividades cotidianas, o cérebro entra no chamado “modo padrão” ou “default”, que está relacionado aos componentes do funcionamento socioemocional, como autoconhecimento, julgamentos morais, desenvolvimento do raciocínio e construção de sentido do mundo que nos rodeia.
“O foco para dentro afeta a maneira como construímos memórias e sentidos e o modo como transferimos o que aprendemos para novos contextos. O equilíbrio é necessário entre a atenção exterior e interior, já que o tempo gasto com a mente vagando, refletindo e imaginando também pode melhorar a qualidade da atenção externa que as crianças podem sustentar”, explicou uma das autoras da pesquisa, a professora Mary Helen Immordino-Yang, da Universidade do Sul da Califórnia.
* Publicado originalmente no site EcoD.

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