terça-feira, 12 de março de 2013

Mente quieta, saúde em alta

Meditar exige disciplina e muito esforço. Passamos muito tempo cuidando do mundo externo. Mas é preciso reservar um tempo do dia para a higiene não só física, mas também mental
Por Gilbert Bang*
Você passa boa parte do dia e da noite envolvido com inúmeras atividades. Mas qual é o momento em que você dá uma parada, mesmo que rápida, para pensar em si mesmo? Se você pensou que isso ocorre antes de dormir, a resposta não valeu. Geralmente, o dia foi tão atribulado que esse não é o melhor momento para se cuidar. O corpo está tenso, os pensamentos a todo o vapor e você dificilmente alcança os benefícios de estar sozinho consigo.
Parar, nem que seja por dez minutos, e se concentrar em algo que faz bem parece, para muitos, uma perda de tempo. Pedir que alguém se desligue de tudo que precisa ser feito – e aquietar a mente por poucos minutos – pode ser um martírio. Entretanto, muitos já se renderam aos benefícios da meditação, uma boa alternativa para desconectar-se do mundo exterior e concentrar-se apenas em si. Tanto para acalmar os pensamentos e ter condições de tomar decisões importantes com mais tranquilidade quanto para experimentar um momento exclusivamente seu.
Algumas pessoas podem ter a impressão de que quem medita “não está fazendo nada”. Ao contrário: meditar exige muita disciplina e, consequentemente, esforço. Passamos muito tempo da vida cuidando do mundo externo. Justamente por isso, deveríamos reservar um tempo do dia para o autocuidado e para a higiene não só física, mas também mental.
A meditação nada mais é do que um exercício de atenção concentrada, que pode ser realizado por qualquer pessoa, independentemente de idade, gênero ou crença. Cada técnica – e vale lembrar que há milhares delas – tem objetivos específicos. De qualquer forma, o foco é vivenciar o momento presente, buscar o relaxamento e o crescimento pessoal e espiritual.
As técnicas meditativas podem ter como meio de concentração ritmo respiratório, sons, objetos, movimentos e visualização de imagens. Não é preciso meditar apenas sentado, da forma clássica como a maioria das pessoas imagina. Há técnicas de meditação ativa que podem ser realizadas enquanto a pessoa está andando.
Durante a meditação, as ondas cerebrais de baixa frequência (alfa, teta e delta), que estão relacionadas ao estado de relaxamento, tomam conta do cérebro. Em contrapartida, as ondas beta, de alta frequência – que se relacionam com o estado de vigília ou atividade normal –, aparecem em menor quantidade. Com o cérebro tomado por ondas de baixa frequência, o organismo todo desacelera: diminuem a frequência cardíaca, a pressão arterial e o ritmo respiratório. Os efeitos não são sentidos apenas de forma fisiológica. O lado emocional também é afetado de forma benéfica. Entre as sensações descritas por meditadores estão o relaxamento mental, a paz interior, a felicidade, a satisfação, a harmonia e a menor tendência a perder o controle diante de situações inusitadas.
Cada vez mais, a medicina comprova os benefícios de terapias alternativas – entre elas, a meditação. Prova disso é o crescente número de pesquisas sobre o tema, muitas delas feitas no Instituto Henry Benson de Medicina para Mente/Corpo, coligado à Universidade de Harvard, nos EUA. Lá, os médicos receitam meditação para pacientes com hipertensão arterial, problemas cardíacos, insônia e dores – inclusive as crônicas.
Nos pacientes com transtornos de ansiedade e depressão, por exemplo, a meditação ajuda a reduzir o medo da doença e a aumentar a qualidade do sono e a concentração. Para os pacientes oncológicos, os benefícios são demonstrados no controle da ansiedade tanto no diagnóstico quanto no tratamento.
Recomendo a todos a meditação. A reação será positiva. É essencial, porém, o esclarecimento sobre a técnica, efeitos e rotina necessária para alcançar os objetivos.
* Médico fisiatra do Centro de Reabilitação do Hospital
Israelita Albert Einstein (HIAE)

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