terça-feira, 30 de abril de 2013

Brasil terá indicador de bem-estar e felicidade

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=brasil-tera-indicador-bem-estar-felicidade&id=8771&nl=nlds
Já entrou no ar o site que coletará dados para o Índice de Bem-Estar Brasil, um indicador inédito no país que vai mensurar o nível de bem-estar dos brasileiros a partir das necessidades e anseios da população.
As discussões sobre a felicidade ganharam relevância mundial a partir da Rio+20, quando se propôs a criação de um índice de felicidade como alternativa ao PIB.
Este é o objetivo do novo projeto, que pretende complementar os indicadores que estimam o crescimento econômico e o desenvolvimento nacional.
O trabalho é resultado de uma parceria entre a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), o Movimento Mais Feliz e a rede social MyFunCity.
O objetivo é permitir que os cidadãos avaliem a qualidade das cidades a partir de 12 indicadores relacionados ao trânsito, segurança, meio ambiente, bem-estar, saúde e educação.
FIB - Felicidade Interna Bruta
O Índice de Bem-Estar Brasil (WBB) será desenvolvido com base em dados fornecidos pelos cidadãos sobre temas como clima e atividades ao ar livre, transporte e mobilidade, família, redes de relacionamento, profissão e dinheiro, educação, governo, saúde, segurança e consumo.
A construção do indicador se dará mediante ação conjunta entre academia, empresa e movimentos sociais. Seu objetivo é possibilitar o entendimento do que é considerado importante e essencial pela população e quais as demandas do país.
O processo para elaboração do índice é composto por três fases.
A primeira é a coleta de dados para chegar à primeira proposta do que é essencial para cidadãos de todas as classes sociais e regiões do país. A partir daí, serão realizadas audiências públicas em dez cidades brasileiras com a presença de gestores públicos e sociedade civil para apresentar dados coletados, compartilhar sugestões e críticas que possibilitem qualquer ajuste necessário no processo. A última fase será a apresentação do primeiro indicador, prevista para dezembro deste ano.
A partir da adoção do WBB, espera-se, ao refletir o grau de bem-estar da população, construir políticas públicas e ainda oferecer condições de prospecção de oportunidades de negócios orientados à promoção do bem-estar.
O questionário completo que vai reunir as informações sobre o bem-estar e a felicidade dos brasileiros está disponível no site http://www.wbbindex.org, com versões em português e inglês.

Sementes de Sucupira para artrite reumatoide e dor

Pesquisadores da Unicamp identificaram substâncias na semente da sucupira capazes de inibir o desenvolvimento de células cancerígenas.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificaram uma substância na planta conhecida como sucupira (Pterodon pubescens Benth) capaz de inibir o crescimento de células de câncer de próstata em estudos in vitro.
Os testes são coordenados pela pesquisadora Mary Ann Foglio, do programa de pós-graduação do Departamento de Farmacologia, visando o estudo dos compostos isolados em modelos experimentais utilizando o combate às células cancerígenas em camundongos.
Segundo ela, o nome da molécula de interesse, extraída do óleo da semente de sucupira, é 6alfa-acetóxi-7beta-hidroxi-vouacapano. A sucupira é uma planta do Cerrado tradicionalmente conhecida pelos seus efeitos antiinflamatórios e de combate à dor.
Os pesquisadores da Unicamp se basearam em dados de literatura que relacionam a atividade antiinflamatória com o controle do crescimento de alguns tipos de tumores. Além disso, dois estudos de mestrado realizados no CPQBA já haviam comprovado efeitos antiinflamatórios e analgésicos dos extratos da sucupira.
Existem várias espécies de sucupira e cada uma tem suas funções medicinais diferentes, convém pesquisarmos para termos um aproveitamento melhor das suas propriedades.
Bowdichia virgillioides, (Sucupira Preta).
Uma breve descrição dessa planta: É uma planta da família das Fabaceae. Também conhecida como bowdiquia, cutiúba, sapupira-do-campo, sicupira, sicupira-do-cerrado, sucupira-açu, sucupira-do-campo, sucupira-parda, sucupiruçu.

Origem:
Ela tem origem no cerrado brasilieiro. Seus Princípios Ativos são: 2-6-dimethoxybenzoquinona, amido, matéria amarga, óleos essenciais, resinas, sucupirina, taninos.
Suas Propriedades medicinais:

Adstringente, antidiabética, anti-reumática, depurativa, hipoglicêmica, tônica.
Indicações:

Ácido úrico, amidalite, artrite, asma, blenorragia, dermatoses, dor espasmódica, diabete, eczema, erupções cutâneas, infecções bucais, mancha da pele, reumatismo (crônico, gotoso, deformante), rouquidão, sífilis.
Contra-indicações/cuidados:

Não encontrados na literatura consultada. Porém nenhuma planta deve ser consumida em excesso e nenhum tratamento deve ser feito sem orientação médica.
Outras espécies de sucupira:
Pterodon pubescens Benth (Sucupira Branca).

Suas sementes maceradas podem ser usadas no vinho ou em chás.
O chá de Sucupira é usado como auxiliar no combate a úlceras, gastrites, ácido úrico, amidalite, artrite, artrose, asma, diabete, vermes intestinais, além disso, é anticancerígeno e combate as inflamações no útero e ovário, é excelente para as articulações.
Sucupira essa que está sendo produto de estudos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e cuja reportagem foi veiculada no programa do Jô Soares com o ator Juca de Oliveira.
Para ver a entrevista do Juca de Oliveira no Jô Soares acesse o link do yotube. http://www.youtube.com/watch?v=Dch-Qkf6Ggg
Juca de Oliveira nessa entrevista falou sobre a sua experiência como ator e contou o relato sobre os efeitos milagrosos do chá de semente de sucupira usados por ele contra a artrite.
Ocorre que nesse programa do Jô, o Juca de Oliveira deu a receita do famoso chá da semente de sucupira e eu resolvi experimentá-lo.
Tenho problemas reumáticos (Artrite Reumatóide) há uns 15 anos e como não sou muito adepto de medicamentos alopáticos, pois eles fazem mais mal do que bem (não tenho nada contra os que são), resolvi fazer mais essa tentativa.
Uma vez que sempre ouvi falar sobre os benefícios da semente de Sucupira, contudo eu fazia de forma incorreta no vinho onde colocava umas 20 sementes e deixava curtir. Depois de uns 30 dias o tomava de manhã e a noite, logo em seguida parava pois o sabor ficava muito forte.
Após assistir a reportagem comecei a usar o chá, também fiz um gel com o macerado das sementes para massagear as articulações e como por milagre, as dores desapareceram quase que totalmente, em uma semana de uso do chá e do gel.
Espero que essa minha experiência possa ajudar algumas pessoas, pois eu sei muito bem o que é você dormir e acordar sentindo dores nas articulações do corpo.
Posto aqui a receita dada pelo Juca de Oliveira.

4 Sementes para um litro de água

Levar ao fogo 1 litros de água; quando levantar fervura acrescentar as sementes quebradas (maceradas).
Deixar ferver por mais 1 minuto e meio e desligar o fogo. Tampar a panela e esperar esfriar.
Beber cerca de 1 litro e meio por dia (eu bebo 1 litro).
A panela em que é feito o chá fica com uma resina grudada nas bordas que é impossível de remover, assim ele disse mas acho que é possível sair sim.
Por isso uma panela especial deve ser usada para esse fim, eu uso um copo de um tamanho grande esmaltado onde não fixa a resina.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Meditação e Saúde na Terapia Integração Craniossacral

Amano Firdauz
Meditação e Terapia Integração Craniossacral andam lado a lado e o terapeuta precisa sintonizar com sua natureza meditativa para que a sessão seja verdadeiramente efetiva.
O estado interno do terapeuta é vital para dar suporte ao campo que é criado na sessão entre o terapeuta e o cliente. A orientação interna do terapeuta vai criar como um efeito de farol para guiar o sistema do cliente em direção à saúde.
O que é realmente meditação?
Existem muitas práticas que apontam para a meditação, porém a meditação é nossa luminosa natureza consciente.
No Budismo, é usado o termo shunyata, ou vazio, para descrever aquela natureza.
A palavra shunyata tem um significado profundo: shunya, o vazio, significa espaçoso, vasto, quieto, enquanto ta significa luminosidade consciente.
Esta luminosidade quieta e consciente é nossa natureza e é a própria saúde; porém, podemos não perceber esta verdade se nossa visão estiver encoberta por condicionamentos limitantes.
É como o sol encoberto por nuvens: o sol está sempre lá, mas na sombra. Às vezes as nuvens são poucas ou não há nuvens, e o sol fica bem visível; outras vezes, as nuvens são espessas e o sol quase não é visivel.
Então, através dos tempos, mestres benevolentes têm nos ajudado a nos orientarmos para o sol através da realização, presença, práticas ou sadhana que eles transmitiram. Estas sadhanas são chamadas meditação, mas na realidade são indicadores para a meditação que é nossa natureza luminosa e desobstruída.
Lembro-me da primeira vez que encontrei Poonjaji e havia recentemente terminado um longo retiro budista de meditação. Poonjaji disse-me que eu havia praticado bem, mas tinha feito 3 erros que ele queria esclarecer: “desista do meditador, desista de qualquer coisa a ser ganha e desista do tempo”, e então ele me perguntou: “agora, como você está?”
Será que como terapeutas craniossacrais podemos desistir do terapeuta, desistir de qualquer ganho, desistir do tempo, mesmo que não seja o tempo todo, mas por alguns momentos, e deixar a Respiração Primária e o Sopro da Vida tomarem conta do nosso trabalho?
Na minha própria experiência, às vezes consigo, e às vezes os condicionamentos de pensamentos e emoções parecem estar impedindo o caminho. E quanto mais e mais eu reconheço o sol, nossa natureza búdica, o ordinário e o miraculoso dissolvem-se em um.
O grande Mestre Zen Thich Naht Hahn disse: “Nós procuramos pelo milagre de andar sobre as águas e negligenciamos o milagre de andar sobre a terra”.
Como terapeutas, em nosso trabalho temos o privilégio de ver o milagroso e o ordinário se fundirem sempre.
Quando olhamos para o milagre da criação do embrião, as forças criadoras e as forças da matriz original da saúde, e percebemos que somos moldados por estas mesmas forças, que desta maneira são ordinárias.
No Budismo Tibetano a meditação apresenta duas ramificações, são como as asas de um pássaro voando para a Iluminação: uma asa é a asa do vazio ou sabedoria e a outra, a asa do coração suave e gentil. As duas asas são necessárias para voar.
Lembro-me que durante um retiro de meditação com um de meus mestres, Ven Lati Rimpoche, estava tendo dificuldades e então fui buscar seus conselhos. Ele disse-me muito amavelmente que eu desse espaço para o imperfeito Firdauz na minha meditação. As lágrimas caíram e meu coração foi profundamente tocado e à medida em que eu me dava mais espaço, as meditações se aprofundaram naturalmente e me senti preenchido por amor e gratidão.
Uma das meditações para o coração é a meditação do perdão. Esta meditação começa com o perdão por nossos chamados defeitos, depois o perdão pela nossa ignorância e pela ignorância dos outros. Desta maneira abrimos caminho para a quietude do nosso coração brilhar, porque de outra maneira as nuvens da raiva, ressentimento, vingança e mágoas podem estar no meio do caminho.
Finalmente, a saúde e meditação são nossa natureza verdadeira, nosso estado natural e uma vez percebidos e realizados nada mais precisa ser feito.
Serviço: Amano Firdauz, é Terapeuta Craniossacral e professor de Integração Craniossacral Aquática. Para saber mais sobre Craniossacral
www.craniossacral.com.br

Emagrecer é fácil?

Agradecimento.
O nosso blog, agradece ao Dr. Faber,  ainda que sem pedir previamente a sua autorização e o fazendo neste momento, a oporunidade de publicar esse artigo e com ele permitir  que, as pessoas percerbam que um dos pré requesitos na busca da saúde e qualidade de vida é a força de vontade e o aprendizado. Especialmente no desequilibrio em questão.
Para uma querida cliente e para todos que se acham na mesma situação.
 
Até o ano passado, se alguém quisesse me encontrar em uma multidão, era muito fácil. Era só procurar o gordo. Agora, 25 quilos mais magro, já não vai ser fácil de me achar levando-se em conta somente meu perfil. Por isso resolvi escrever este post, para discutir um pouco mais da obesidade, das conseqüências e do seu tratamento.
Em 1997, durante um congresso internacional na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, um médico brasileiro me disse: “Paulo, como nós podemos estudar tanto, ajudar tanta gente e continuarmos gordos. Temos que dar um jeito de emagrecer!”
Essa frase ficou martelando na minha cabeça nesses anos todos.
Em 2010, durante um atendimento a um paciente antigo, ele me disse: “Dr. Paulo, o senhor. está muito gordo. Seus pacientes vêm aqui para procurar saúde, eles não podem encontrar um médico gordo desse jeito. Agradeci a sinceridade do paciente e respondi “M, da próxima vez que o senhor vier ao consultório eu não estarei mais gordo”. E cumpri a promessa.
Vamos começar com 3 frases importantes, frases “de gordo”:
- Quero emagrecer para comer as coisas que tenho vontade.
- Não me imagino sem poder comer minha comida favorita.
- Meu maior prazer é quando como uma comida bem gostosa.
Se você se identificou com as frases acima, é bom começar a pensar em abandonar esses dogmas, senão vai continuar gordo, ou vai emagrecer e engordar de novo. Este artigo é para quem está disposto a mudar e emagrecer. Eu, por exemplo, engordei bastante durante a fase preparatória para a defesa do doutorado, 13 anos atrás (época do encontro com meu colega em Nova Iorque), e me mantive gordo até o final do ano passado. Minha alimentação foi ótima durante esses anos, baseada em verduras, legumes, carne e frutas, já há alguns anos parei completamente com as bebidas alcoólicas (com exceção de um brinde de final de ano e alguns pequenos goles para experimentar algum vinho especial), e não me lembro qual foi a última vez que comi algum derivado de trigo, batata ou açúcar. Também tomo bastante sol (sem filtro solar), já que a vitamina D está relacionada à obesidade (Vilarrasa N, Vendrell J, Maravall J, Elío I, Solano E, San José P, García I, Virgili N, Soler J, Gómez JM. Is plasma 25(OH) D related to adipokines, inflammatory cytokines and insulin resistance in both a healthy and morbidly obese population? Endocrine. 2010 Oct;38(2):235-42). Então, por que continuava gordo?
Antes de começar discutir as causas da obesidade, vale a pena falar um pouco da cirurgia bariátrica (as famosas cirurgias para emagrecer), geralmente baseadas na retirada ou diminuição de parte do estômago. Se alguém por acaso quiser seguir esse caminho “fácil”, saiba que vai ter problemas importantes de saúde para o resto da vida. Como o estômago é essencial para a absorção de alguns nutrientes (como vitamina B12, Ferro e ácido fólico), a maioria dos pacientes vai ter que repor esses nutrientes para sempre, muitas vezes na forma injetável. Portanto, é trocar um problema por outro, que a longo prazo pode ser ainda pior. Eu nunca me submeteria a essa cirurgia, que em minha opinião deveria ser indicada para somente para casos extremos. (Muñoz M, Botella-Romero F, Gómez-Ramírez S, Campos A, García-Erce JA. Iron deficiency and anaemia in bariatric surgical patients: causes, diagnosis and proper management. Nutr Hosp. 2009 Nov-Dec;24(6):640-54. Salameh BS, Khoukaz MT, Bell RL. Metabolic and nutritional changes after bariatric surgery. Expert Rev Gastroenterol Hepatol. 2010 Apr;4(2):217-23).
Dito isso podemos começar discutir a obesidade.
Há basicamente três causas mais comuns para a obesidade:
- As causas hormonais, em especial as disfunções da tireóide.
- A resistência à insulina.
- A compulsão alimentar.
Muitas vezes duas ou três causas citadas acima são combinadas, ou seja, é muito comum a pessoa ter ao mesmo tempo compulsão alimentar e resistência à insulina. É essencial um acompanhamento médico para qualquer tratamento para emagrecer. Vou discorrer um pouco sobre cada uma delas.
1. Diminuição da função da tireóide. Como a principal função da tireóide é regular o metabolismo, a relação entre obesidade e diminuição da tireóide já foi bem investigada, embora em obesos mórbidos (os extremamente gordos, com índice de massa corpórea acima de 40) ainda há controvérsias (Rotondi M, Leporati P, La Manna A, Pirali B, Mondello T, Fonte R, Magri F, Chiovato L. Raised serum TSH levels in patients with morbid obesity: is it enough to diagnose subclinical hypothyroidism? Eur J Endocrinol. 2009 Mar;160(3):403-8). O tratamento consiste basicamente de reposição de hormônios da tireóide, embora seja possível tratar de outras formas, como através da acupuntura, fitoterapia e homeopatia (Shen M, Qi X, Huang Y, Lü Y, Cai W. Effects of acupuncture on the pituitary-thyroid axis in rabbits with fracture. J Tradit Chin Med. 1999 Dec;19(4):300-3. Hu G, Chen H, Hou Y, He J, Cheng Z, Wang R. A study on the clinical effect and immunological mechanism in the treatment of Hashimoto’s thyroiditis by moxibustion. J Tradit Chin Med. 1993 Mar;13(1):14-8. Schmidt JM, Ostermayr B. Does a homeopathic ultramolecular dilution of Thyroidinum 30cH affect the rate of body weight reduction in fasting patients? A randomised placebo-controlled double-blind clinical trial. Homeopathy. 2002 Oct;91(4):197-206. Parmar HS, Kar A. Possible amelioration of atherogenic diet induced dyslipidemia, hypothyroidism and hyperglycemia by the peel extracts of Mangifera indica, Cucumis melo and Citrullus vulgaris fruits in rats. Biofactors. 2008;33(1):13-24). De qualquer forma, se a questão for somente essa, basta fazer voltar os níveis normais de hormônios da tireóide no sangue para que o paciente, se não tiver problemas na dieta, voltar ao peso normal.
2. Resistência à insulina. Infelizmente no nosso país (e em outros também), o consumo de produtos de trigo (pão, massas, biscoitos, entre outros) e açúcar são a base da alimentação. Como pode existir um café-da-manhã sem um pãozinho? Fico espantado como em festas, ou mesmo nos cofee-breaks de eventos médicos não há um só alimento sem carboidratos. Um misto de pães, bolachas, torradas, salgados (quase sempre cobertos de farinha e fritos ou assados), acabam se transformando em “comida gostosa” (e muito ruim para a saúde). Sobremesa significa açúcar. Sucos são adoçados com açúcar, e refrigerantes são servidos durante as refeições. Essas substâncias são conhecidas como hidratos de carbono, ou carboidratos.
Os carboidratos são digeridos até açúcares, como a glicose e a frutose. Há carboidratos “melhores ou piores”, ou seja, há carboidratos que não provocam o aumento muito grande de glicose no sangue. Alguns dos piores foram citados acima, como a farinha de trigo e o açúcar. O aumento constante da glicose no sangue acaba provocando um problema chamado resistência à insulina, ou seja, a insulina que deveria levar a glicose para dentro das células com o objetivo de transforma-la em energia, deixa de funcionar corretamente (Roberts CK, Liu S. Effects of glycemic load on metabolic health and type 2 diabetes mellitus. J Diabetes Sci Technol. 2009 Jul 1;3(4):697-704).
O número de diabéticos nos EUA tem crescido assustadoramente, e há projeções que em 40 anos quase 30% dos americanos estarão diabéticos (Boyle JP, Thompson TJ, Gregg EW, Barker LE, Williamson DF. Projection of the year 2050 burden of diabetes in the US adult population: dynamic modeling of incidence, mortality, and prediabetes prevalence. Popul Health Metr. 2010 Oct 22;8:29). A principal causa do diabetes (a do tipo 2, o diabetes mais comum) é a resistência à insulina,
A glicose não pode ficar “sobrando” no sangue (diabetes), por isso o pâncreas produz insulina, que vai dispor a glicose para as células do corpo fabricarem energia (principalmente as células musculares)( Choi K, Kim YB. Molecular mechanism of insulin resistance in obesity and type 2 diabetes. Korean J Intern Med. 2010 Jun;25(2):119-29).
Hoje em dia a obesidade também faz parte de uma “doença” (não é especificamente uma doença mas um conjunto delas), chamada de “síndrome metabólica”. A síndrome metabólica consiste basicamente de hipertensão, aumento da resistência à insulina, aumento das gorduras no sangue (colesterol, triglicérides) e obesidade. A Síndrome metabólica é uma das principais causas das doenças cardiovasculares como o infarto do miocárdio (“ataque cardíaco”) e do acidente vascular cerebral (“derrame”). Portanto estar gordo com resistência à insulina aumentada é um passo para morrer mais cedo. (Mottillo S, Filion KB, Genest J, Joseph L, Pilote L, Poirier P, Rinfret S, Schiffrin EL, Eisenberg MJ. The metabolic syndrome and cardiovascular risk a systematic review and meta-analysis. J Am Coll Cardiol. 2010 Sep 28;56(14):1113-32). O tratamento da sindrome metabólica é mais complexo, e envolve medicação, dieta pobre em carboidratos e aumento da atividade física (exercícios). (Isharwal S, Misra A, Wasir JS, Nigam P. Diet & insulin resistance: a review & Asian Indian perspective. Indian J Med Res. 2009 May;129(5):485-99. Brand-Miller J, McMillan-Price J, Steinbeck K, Caterson I. Dietary glycemic index: health implications. J Am Coll Nutr. 2009 Aug;28 Suppl:446S-449S. Kouki R, Schwab U, Lakka TA, Hassinen M, Savonen K, Komulainen P, Krachler B, Rauramaa R. Diet, fitness and metabolic syndrome – The DR’s EXTRA Study. Nutr Metab Cardiovasc Dis. 2010 Dec 24)
3. Por fim, vou falar da compulsão alimentar, e neste item vou falar um pouco da minha experiência pessoal. Essa é uma área bem mais complicada para o tratamento médico, e para compreendê-la é necessário “sentir na pele”. Muitos colegas tratam a compulsão alimentar com antidepressivos ou anorexígenos (remédios para tirar a fome), mas o mais importante é a consciência e a mudança da postura em relação à comida.
Muitos gordinhos foram superalimentados quando criança, e muitos vêm de famílias onde a comida tem uma importância fundamental. Nestas famílias o “carinho” é feito através da comida, onde a mãe oferece a “comida gostosa” como forma de agradar a criança. Infelizmente essa relação carinho/comida faz com que o indivíduo acabe gostando de comer, e para se sentir gostado, ingere uma quantidade enorme de comida. Esse caminho acaba levando a uma espécie de doença, onde em cada dificuldade da vida, a ansiedade é combatida colocando-se mais e mais comida dentro do estômago, como forma de compensação. E a pessoa vai ficando cada vez mais gorda, se sentindo pior, e necessitando de mais comida, que a exemplo das drogas (como a cocaína ou a heroína) produz um bem estar durante alguns minutos, mas que é seguido de culpa e diminuição da auto-estima. E se essa atitude não for combatida como um vício em drogas, nenhum tratamento será eficaz, com a recaída levando a uma nova crise, onde a pessoa emagrece 10 e engorda 20 quilos.
Eu pessoalmente combati esse problema, que era a minha principal causa de continuar gordo. Alguns alimentos como a castanha-de-cajú e o requeijão eram problemáticos. Eu não podia nem experimenta-los que desencadeavam a compulsão. Tomei a resolução que iria abandonar estes alimentos para o resto da vida. Mas o mais importante foi entender que enquanto eu me rendesse ao mecanismo de “prêmio-recompensa” da comida, eu estaria perdido e gordo para sempre. E acabei entendendo que ou eu seria magro ou comeria comida gostosa, e tive que escolher. E escolhi ser magro.
O tratamento que fiz envolveu alterações da quantidade e da qualidade da comida, o uso de medicamentos da Medicina Tradicional Chinesa (compostos de ervas) e acupuntura, que eu mesmo me apliquei nos pontos para corrigir o metabolismo. Eu também nunca parei de fazer exercícios físicos, mas a partir do momento que iniciei a dieta mantive a regularidade, nadando pelo menos 3 vezes por semana.
O resultado foi um emagrecimento de 25 quilos em 3 meses, sem perda muscular. Hoje estou bem mais feliz, porque estou mais magro, e também porque me libertei da prisão que é a “refeição por prazer”. É uma liberdade que nunca soube que existia.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Meditação é o remédio

"Meditar é a mesma coisa que ir a um spa e ficar relaxando". Se você pensa assim, não está distante do senso comum, mas pode estar perdendo a oportunidade de experimentar os benefícios da meditação. Técnica tradicional no Oriente, a meditação é objeto de estudo entre especialistas ocidentais há décadas. Aos poucos, vem ganhando adeptos no Brasil e seus benefícios já são detectados até mesmo em experiências clínicas.
Ricardo Zanardi Ramalho é médico da família e clínico geral em São Paulo. Há seis meses, vem aplicando, em Unidades Básicas de Saúde da cidade, técnicas de meditação para grupos da terceira idade, dependentes químicos e pessoas com transtorno de ansiedade, depressão e estresse. Alongamentos, exercícios leves, e de concentração e respiração completam o tratamento. Os resultados ainda não são rigorosamente científicos, mas Ramalho conta que, ao fim da prática, os pacientes apresentavam melhorias: muitos tinham a pressão arterial reduzida, alguns portadores de distúrbios do sono relataram grande melhora e deixaram de usar medicações controladas. “A meditação exige esforço, empenho, é um processo ativo”, diz Ramalho. “Ela envolve desenvolvimento cerebral e provoca mudanças estruturais no cérebro”.
Essas mudanças observadas pelo médico vêm sendo detectadas em estudos científicos há várias décadas. Desde meados dos anos 1970, o médico Herbert Benson publica livros e artigos científicos sobre o tema. Hoje, além de professor da Faculdade de Medicina de Harvard, é diretor do Instituto Benson-Henri (BHI), do Hospital Geral de Massachusetts, que investiga a interação mente/corpo por meio de preceitos da medicina, ou o que ele chama de relaxation response (resposta de relaxamento). Benson, sua equipe e inúmeros cientistas mundo afora já conseguiram provar que meditar diminui o metabolismo, os batimentos cardíacos e o ritmo da respiração, provoca relaxamento muscular e sensação de bem-estar, reduz a pressão sanguínea e aumenta a temperatura corporal periférica. Este último reflexo, dizem os especialistas, seria a razão de os monges budistas não sentirem frio mesmo em baixas temperaturas.
Você pensa que meditar é fácil?
Na população em geral, principalmente no Ocidente, onde desde cedo as pessoas têm seus cérebros treinados a serem hiperativos e muito mais focados nos aspectos externos do que internos, este treinamento pode gerar um certo desconforto, ansiedade e fazê-la desistir antes mesmo que possa alcançar os benefícios iniciais (que são muitos) e conhecer de fato o processo. É como um macaco que pula de galho em galho e fica extremamente irritado quando necessita fixar-se a um mesmo galho por um longo período de tempo.

O aviso é do médico Ricardo Zanardi Ramalho. No começo, ficar na mesma posição durante muito tempo causa dores. Além disso, a concentração profunda exige muito esforço e dedicação. Alguém já tentou se concentrar em sua própria respiração e no funcionamento do seu organismo, sem pensar em mais nada? Esta repórter tentou várias vezes durante a apuração da reportagem e, das duas, uma: ou relaxava tanto que adormecia ou se pegava pensando em milhões de coisas ao mesmo tempo, sem nem perceber em como os pensamentos tinham ido da concentração aos problemas que perturbam diariamente...

A ciência provou até que quem medita por um longo período pode sentir menos dor do que aqueles que não meditam. Um grupo da Universidade de Montreal publicou um trabalho, há quatro meses, mostrando por meio de imagens de ressonância magnética, como o cérebro de quem medita reage a estímulos de dor. Embora o praticante conheça a dor, ela não é processada na parte do cérebro responsável por avaliar, raciocinar e memorizar informações. "Achamos que [quem medita] sente as sensações, mas encurta o processo, impedindo a interpretação dos estímulos dolorosos”, diz o principal autor do trabalho, Pierre Rainville. É como se quem medita desligasse certas áreas do cérebro receptivas da dor, mesmo experimentando-a.
O monge Bhante Yogavacara Rahula em visita ao Brasil
Para os budistas, há uma fórmula subjetiva para essa explicação científica da dor. Em recente visita ao Brasil, na qual palestrou sobre meditação para especialistas e leigos na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, uma das mais respeitados do país, o monge Bhante Yogavacara Rahula, do monastério Bhavana Forest, nos Estados Unidos, explicou que sofrimento = dor x resistência. A fórmula significa que quanto mais resistência você oferece à dor, mais você se apega a ela, causando mais sofrimento. Em caso de resistência zero, o sofrimento decorrente da dor é nulo. Uma mente bem treinada faz com que você não dê tanto peso às intempéries, e isso o afasta daquilo que é ruim. “O segredo é não lutar contra as realidades da vida, contra a impermanência”, afirma Rahula. “Dor é dada, sofrimento é opcional”, diz.
Rafael Ortiz, ortopedista do Hospital das Clínicas, explica. "Toda experiência cognitiva surge por um tempo e desaparece. Só que as nossas lembranças fazem com que o Sistema Nervoso Central continue reverberando aquela sensação já experimentada por meio de estímulos nervosos”, afirma. Por exemplo: se você estiver de olhos fechados e sentir algo tocando sua bochecha, pode concluir várias coisas. Se acontecer no meio de uma floresta, e sentir medo, pode achar que é uma aranha. Se estiver com o namorado, que se trata da mão dele. “A experiência adquirida muda como você interpreta as sensações”, diz. A intenção da meditação é fazer com que as pessoas se desapeguem dessas memórias e, com isso, consigam se livrar da dor rapidamente.
Ortiz começou a meditar há nove anos mais por uma busca existencial do que por problemas de saúde. Hoje diz que os benefícios da meditação Vipassana – a que ele pratica e uma das várias técnicas existentes – são inúmeros. Antes, o médico tinha muita dificuldade para respirar com o nariz por conta de uma má formação do palato e por crises de rinite – agora não mais. Ele também sofria de asma e tomava muitos remédios, abandonados atualmente. Quando criança, era avaliado como se tivesse transtorno de déficit de atenção. “Eu me tornei uma pessoa mais calma nos últimos anos. E, sem dúvida, tem a ver com a meditação”, afirma. Segundo Ortiz, as pessoas confundem felicidade com excitação. Depois da meditação, ele descobriu que a felicidade está ligada à paz e à tranquilidade.
O médico Rafael Ortiz curou seus problemas respiratórios, e sente-se mais calmo e preparado para lidar com dificuldades
A hoje empresária chocolatier Cintia Sanches Lima era executiva de marketing de uma multinacional antes de descobrir o que diz serem os benefícios da meditação. Por estresse e desconforto físico, teve duas infecções respiratórias fortes, que a obrigavam a dormir apenas três horas por noite. Resolveu pedir demissão. "A meditação foi uma surpresa pra mim", diz, sobre seu primeiro contato com esta técnica milenar: uma reportagem de TV. Ela viajou para o Nepal e passou 45 dias em um monastério para aprender técnicas de meditação. Hoje pratica todos os dias e há mais de um ano não tem mais crises respiratórias. "Minha saúde melhorou muito. Se começa um resfriado, eu sinto bem no começo, muito antes de se manifestar, e passo a me cuidar melhor", afirma. Além da saúde, Cintia percebeu uma mudança em seu comportamento. "Eu comecei a pensar melhor, a mente fica clara e aberta. Também ajuda na criatividade", afirma. Segundo ela, foi assim que conseguiu empreender, com sucesso, seu próprio negócio. Mas ela avisa: a meditação não é um remédio que começa a fazer efeito rapidamente. "Você continua com os problemas, mas sabe lidar melhor com eles. São ferramentas que ajudam no seu controle mental", diz.
No budismo, a sensação de paz interior tem a ver com a clareza mental que a técnica permite aos praticantes. Segundo os ensinamentos de Buda, o sofrimento humano é decorrência de um tripé: cobiça (desejar além do necessário para satisfazer prazeres e vícios), raiva (o apego estimula a raiva, a vingança e a violência) e ignorância (não conhecer a interação corpo/mente). Desapegado desses sentimentos, prossegue a teoria, o homem consegue manter um afastamento sadio das situações para tomar atitudes mais bem pensadas, justas. A meditação, por meio de transformações fisiológicas, teria a função de fazer com que o praticante alcance uma capacidade cognitiva acima da média e experimente a vida com menos agressividade, com menor resposta ao estresse.
A meditação pode ser usada no combate a:
• hipertensão;
• doenças ligadas ao estresse;
• depressão, ansiedade e raiva excessiva;
• insônia;
• infertilidade;
• artrite;
• irregularidades nos batimentos cardíacos;
• no tratamento da dor em doenças crônicas,
• e para melhorar o sistema imunológico.

Em casos em que não a doença não pode ser curada, a meditação pode ser usada como recurso terapêutico a quem não responde bem a tratamentos convencionais, ou em conjunto com eles.

A calma produzida pela meditação foi explicada cientificamente em 2009, por pesquisadores ligados ao Hospital Geral de Massachusetts. Eles analisaram a densidade da massa cinzenta em uma área do cérebro chamada amígdala (que nada tem a ver com a amígdala da garganta), reguladora da resposta ao estresse, como liberação de hormônios, aumento da pressão sanguínea e expressão facial de medo. Os participantes relataram altos níveis de estresse no mês anterior ao experimento. Depois de oito semanas de práticas como meditação, yoga e vivências em grupo, todos os participantes relataram uma significante redução do estresse. E, quanto maior a diminuição do estresse experimentada, maior a diminuição da densidade da amígdala direita. Isso significa, também, que essa parte do cérebro modela o comportamento inicial de percepção automática do estresse (como xingar o motorista do carro da frente que te deu uma fechada). Se a densidade da amígdala diminui, esse tipo de resposta ao estresse será menos frequente.
Foi por isso que Natália Parizotto, pesquisadora e estudante de Serviço Social, começou a meditar há três anos. “Para parar de chorar e brigar, melhorar o relacionamento com as outras pessoas. Eu reagia de uma forma que não era devida”, diz. Hoje ela consegue ter controle sobre suas reações, pensa melhor antes de agir – ou seja, não tem mais um comportamento automático frente aos estímulos de estresse. “Eu consigo fazer atividades mais chatas e dou menos peso (a elas). Eu diferencio o que é a coisa em si do meu estado de espírito”, diz. Mas essa tranquilidade em tomar decisões diminui quando ela fica muito tempo sem meditar –Natália relata que perde a paciência mais facilmente e volta a ter um pouco do comportamento explosivo anterior.
Andreza deixou a carreira administrativa e hoje estuda terapias holísticas depois de se livrar da síndrome do pânico com a ajuda da meditação
Esse processo também é explicado pela ciência. Em janeiro deste ano, pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison publicaram um artigo dizendo que a resposta automática ao estresse até então conhecida – aquela que aumenta os níveis de adrenalina, faz você correr ou gritar em situações de perigo, o chamado “instinto de sobrevivência” – confunde o cérebro. Essa resposta pode romper com a habilidade de pensar claramente e tomar decisões complexas. Já o praticante de meditação fica menos alerta diante de um estímulo de estresse, mas com maior capacidade de tomar decisões estratégicas.
Obviamente essas mudanças nas tomadas de decisões surtem efeitos sobre o estado psicológico do indivíduo. Segundo um trabalho do Centro de Dependência e Saúde Mental (CAMH), no Canadá, publicado no Archives of General Psychiatry em dezembro de 2010, a meditação oferece a mesma proteção que antidepressivos contra recaídas. Durante 18 meses após uma crise e posterior melhora, pacientes que foram tratados com remédios tiveram o mesmo índice de recaída que aqueles tratados apenas com meditação. Há, nessa descoberta, duas boas notícias: 1) os pacientes costumam parar de tomar remédios por conta dos efeitos colaterais, mas ninguém para de meditar, e, 2) meditar não gera despesa financeira.
Foi com meditação que a terapeuta Andreza Gonçalves de Oliveira conseguiu sair de um quadro de depressão que envolvia síndrome do pânico. Ela trabalhava em uma multinacional e adoeceu, tamanha era a pressão cotidiana. Largou a área administrativa há um ano e meio, e, em 2010, passou a se dedicar à meditação e ao estudo de terapias holísticas. Foi nessa época que desistiu de buscar ajuda médica e psicológica para os sintomas do pânico. “Você simplesmente não aceita sua condição quando entra em depressão. Com a meditação, a sua mente vai se aquietando e passa a observar melhor a realidade”, afirma. Foi então que ela percebeu que estava doente e que tinha que se cuidar. Os 10 dias em um retiro “me libertaram dos sentimentos que eu tinha de apego pelas coisas, de medo, de raiva, sentimentos guardados durante muitos e muitos anos”, afirma. Foi o fim do problema psiquiátrico e das visitas assíduas a médicos, e um novo recomeço.
Algumas descobertas científicas sobre a meditação
• 2002: um grupo de cientistas ligado à Faculdade de Medicina de Harvard provaram que a resposta de relaxamento (RR) melhora a memória de idosos saudáveis, de forma mais efetiva quando eles realizam tarefas simples de atenção. Já os estados de ansiedade diminuem de forma marginal.

• 2003: pela primeira vez, cientistas relataram aumento do número de anticorpos em pessoas que meditaram durante oito semanas após serem vacinados contra a gripe, em relação ao grupo controle. A descoberta foi feita por um grupo liderado por Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin.
A espessura da ínsula (verde) e o córtex pré-frontral cerebral em quem medita é mais grossa
• 2005: em dezembro, Sara Lazar, do Hospital Geral de Massachusetts, conseguiu mostrar, através de imagens de ressonância magnética, que a meditação aumenta a espessura do córtex pré-frontral cerebral – região associada ao planejamento de comportamentos cognitivos complexos. A espessura da ínsula direita – ligada às sensações corporais e às emoções – também se mostrou mais grossa em praticantes de RR em relação ao grupo de controle. Foi a primeira evidência de que a meditação está associada a as alterações na estrutura do cérebro.

• 2008: estudo publicado em julho pelo BHI mostrou, pela primeira vez, que a RR produz uma mudança no padrão de ativação dos genes – e maior ela é quanto mais tempo a meditação é praticada. O mesmo trabalho mostrou que os praticantes tiveram menos danos fisiológicos celulares ligados ao estresse do que o grupo de controle.

• 2009: a amígdala direita é responsável pela resposta automática ao estresse: produz hormônios, aumenta os batimentos cardíacos... cientistas ligados ao Hospital Geral de Massachusetts descobriram que, depois de oito semanas de prática de meditação, houve redução da densidade da massa cinzenta da amígdala dos participantes. Quanto menos relatavam estresse, maior a redução.

• 2009: pesquisadores do Centro Médico de Pesquisa Avançada em Yoga e Neurofisiologia, na Índia, descobriram que praticar meditação cíclica duas vezes ao dia melhora a qualidade objetiva e subjetiva do sono na noite seguinte. Meditação cíclica é uma técnica que combina posturas de yoga intercaladas com repouso.

• 2010: em junho, um grupo da Universidade do Estado da Flórida publicou estudo mostrando que o treinamento mental reduz significativamente o estresse e a supressão do pensamento e aumenta a recuperação fisiológica de alterações relacionadas ao alcoolismo. Dessa maneira, a meditação atinge os principais mecanismos ligados à dependência alcoólica e pode ser um tratamento alternativo para prevenir recaídas entre os mais vulneráveis.

• 2010: um grupo ligado ao BHI, liderado por Marlene Samuelson, provou que mulheres brancas submetidas a um programa de 2,5 horas semanais de práticas mente/corpo durante 12 semanas tiveram uma significativa redução na frequência de 12 queixas cotidianas, como dor de cabeça, confusão visual, tontura, náusea, prisão de ventre, diarréia, dor abdominal, dor nas costas, dor no peito, papitações, insônia e fadiga.

• 2010: em dezembro, um grupo da Universidade de Montreal descobriu por que quem medita sente menos dor. Essas pessoas têm a capacidade de desligar algumas áreas cerebrais responsáveis pela sensação da dor, mesmo experimentando-a. Dois grupos, um de controle outro de pessoas que meditavam, fora submetidos a estímulos de dor. Os que meditavam tiveram respostas menores para a dor, bem como um funcionamento menor das áreas do cérebro responsáveis pela cognição, emoção e memória. Eles sentiam dor, mas cortavam o processo rapidamente, refreando a interpretação que o cérebro tinha desse estímulo.

• 2010: em dezembro, um grupo do Centro de Dependência e Saúde Mental (CAMH), no Canadá, publicou um estudo provando que a meditação tem o mesmo efeito protetor que os remédios contra recaídas em pessoas com depressão.

• 2010: estudo da Universidade da Pennsylvania mostrou melhora na função neuropsicológica e aumentos significativos no fluxo sangüíneo cerebral em indivíduos com perda de memória submetidos a um programa de meditação de oito semanas.

• 2011: ao passo que a meditação faz diminuir a densidade de massa cinzenta da amígdala, ela aumenta a densidade de uma região do cérebro chamada hipocampo, responsável pelo aprendizado e memória, e associada ao bem-estar, compaixão e introspecção. Foi o que descobriu um grupo do Hospital Geral de Massachussets, que publicou o estudo em janeiro na Psychiatry Research: Neuroimaging.

• 2011: pesquisadores da Universidade da Cidade de Nova York publicaram em fevereiro um trabalho que mostra a meditação pode ser útil na redução da ansiedade. Os participantes relataram que se sentiram mais calmos, relaxados, equilibrados e centrados após um mês de prática.

Cientistas listam 1.600 efeitos colaterais de remédios

O estudo lista e propõe hipóteses para os mecanismos moleculares que explicam 1.162 dos 1.600 efeitos colaterais conhecidos.
Visão turva, pseudo-obstrução pulmonar, movimentos corporais involuntários, paralisia respiratória.
Estes são alguns dos 1.600 efeitos colaterais produzidos pelos medicamentos usados atualmente pela Medicina.
Longe de serem detalhes a serem considerados males menores em relação a um tratamento que resolve um mal maior, os efeitos colaterais já estão entre as principais causas de internação no ocidente.
Os efeitos colaterais são difíceis de prever e, na prática, são necessários ensaios específicos para testar a segurança dos fármacos em fases pré-clínicas - desta forma os efeitos colaterais quase sempre só são descobertos depois que o remédio chega aos consumidores.
Química e biologia dos efeitos colaterais
Um estudo publicado por cientistas do Instituto de Pesquisa em Biomedicina (IRB Barcelona - Espanha) está tentando preencher esta lacuna nas informações.
O objetivo do estudo é lançar alguma luz sobre as bases moleculares dos efeitos colaterais e fornecer aos pesquisadores as ferramentas para projetar drogas mais seguras e prever seus efeitos indesejados.
O estudo lista e propõe hipóteses para os mecanismos moleculares que explicam 1.162 dos 1.600 efeitos colaterais conhecidos.
Os pesquisadores Miquel Duran e Patrick Aloy agruparam todos os medicamentos que causam cada efeito colateral conhecido.
Em seguida, eles estudaram as proteínas com as quais os remédios interagem e sua estrutura química.
"Para a maioria dos efeitos colaterais nós temos uma hipótese biológica e, para muitos destes casos nós temos também informações químicas sobre a droga, o que pode ser útil para prever um efeito secundário específico," explica Aloy.
Dos 1.162 efeitos colaterais para os quais foi encontrada uma descrição molecular, 446 podem ser explicados apenas com base na biologia e 68 apenas com base na química, enquanto que para 648 (56%), são necessárias considerações tanto biológicas, quanto químicas.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Relaxamento como aprendizado para a espiritualidade

Postado por Mauricio Salem
Como compreender o espírito durante o nosso dia a dia? Será que ele esta fora ou dentro de nós? Em que lugar ele esta? Qual seu formato? Como fazer para encontrá-lo? Estas são perguntas comuns que a maioria de nós teve quando criança, quando iniciamos o questionamento de quem ou o que somos, em busca de uma identidade.
Faltam respostas coerentes na busca do intangível através do tangível, talvez a resposta seja mais simples que se imagina.Uma das formas para encontrar sua alma esta no mergulho no sono profundo , aquele sono que renova e nos reconecta com a essência de nos mesmos.
Apartir da disciplina da meditação encontramos uma quietude mental, através da qual adquirimos uma capacidade de testemunhar nossos pensamentos sem intervir, julgar ou reagir a eles. Ao compreendermos este intrínseco plano mental, compreendemos como se processa o primeiro pensamento que alimenta e da forma ao intelecto e a nossa auto imagem como seres conscientes. Após esta desconstrução e possível compreender o vazio e o silencio mental como uma manifestação da plenitude e do divino que habita todo o ser vivo. Precisamos apenas do angulo certo para poder compreender a realidade de que somos apenas células no corpo de um sercósmico chamado Deus.
Mas o esta reflexão tem a ver com nossa atual sociedade e os conflitos nela existentes? Vivemos e contribuímos para uma sociedade repleta de estímulos e informações porem carente de um tempo contemplativo em nossa rotina. Enfim não acessamos a nossa espiritualidade no dia a dia.
O resultado todos já sabem. Todos os dias milhares dentre todos os 6 bilhões de seres humanos do planeta entraram em sofrimento por não saber resgatar esta conexão com o divino. Mas como recuperar-se desta perda ilusória, que nem física é mas repercuti em nossos corpos ? Vamos refletir sobre isto….
Nossa atual sociedade urbana
Nos dias de hoje os excessos de estímulos geram em nossos corpos, mentes e intelectos um constante estado de alerta e turbulência. O individuo exposto ao ambiente urbano e virtual saturado de informações, age e reage com muita intensidade e freqüência, adquirindo dificuldade em atingir o estado de repouso, tanto físico quanto mental.
O mente e intelecto sobrecarregados de atividade, buscam organizar as imagens e informações coletadas pelos órgãos dos sentidos, visão, audição, olfato, tato, paladar. Gerando pensamentos e mais pensamentos que alimentam os desejos e estados de ansiedade, estes por sua vez deflagram uma busca no plano físico por ações de forma a obter os objetos do desejo, muitas destas ações são inúteis e não necessárias, mas por ilusão geram ocupação e um prazer ao sistema ego, intelecto e corpo.
Então o corpo como agente da ação se expõem a uma exigência física desgastante e desnecessária no intuito de satisfazer as ilusões e falsas necessidades da mente agitada e turbulenta, em resumo perdemos tempo. Um tempo preciso que recebemos ao nascer e ficamos como um cachorro correndo em círculos atrás do próprio rabo.
Qual o impacto desta descoberta na vida e no dia a dia? Com quebrar este padrão?
Um conjunto de praticas de relaxamento e concentração ,corretamente ensinados, na infância tornam-se um aliado para o futuro pré adolescente . Afinal nosso aparelho respiratório dita o ritmo do nosso metabolismo. Tanto para participar de uma atividade quanto para o repouso. E saber compreender este mecanismo e a chave para a estabilidade emocional necessária ao mundo adulto.
Um adolescente necessita em torno de mais de nove horas de sono por dia, sendo este sono parte do processo natural de amadurecimento. As intensas mudanças nas taxas hormonais atrasam em algumas horas a produção da melatonina, hormônio regulador do sono. A conseqüência disto é que as “oito horas” normalmente dormidas são biologicamente insuficientes, daí surge o mau humor, irritação e baixo rendimento escolar assim como déficit de atenção entre outras coisas. Influenciando na forma do pensar e agir do indivíduo nesta fase de desenvolvimento.
Analisando tecnicamente… Os níveis de secreção de gonadotrofinas (GnRH) atingem picos elevados na puberdade especialmente durante o sono. Durante a infância, a liberação destes hormônios, que são gerados no hipotálamo e distribuídos via o sistema vascular porta-hipofisário até a parte anterior da glândula hipófise, são suprimidas até o início da puberdade. Durante o sono os hormônios luteinizantes (Lh) são liberados em pulsos de variações entre 60 a 90 minutos. Estes pulsos ocorrem também durante o dia, porém na puberdade apresentam diferenças. Estas vão diminuindo na medida em que saímos desta fase e entramos na fase adulta onde ocorrem a estabilização no ciclo circadiano (dia e noite) .
Então ter um sono tranqüilo ao longo da fase infanto juvenil é importante para que este pulso não ocorra em excessos além do devido. Com a pratica do Hatha Yoga, meditação, exercícios de relaxamento consciente, técnicas de yoganidrá e de aprendizado durante o sono, educamos a nossa consciência corporal à capacidade de compreender com mais eficácia às mudanças e à adaptação.
Nossas crianças e jovens oscilam entre a atividade intensa e o ato de dormir imediatamente ou a luta contra o sono. O hábito de relaxar não é incentivado e com isto as fases que poderiam gerar um sono mais tranqüilo são suprimidas. Os hábitos decorrentes disto têm reflexo direto no comportamento familiar e social. O imediatismo de respostas e reações, priva a mente de sua capacidade de acomodação e resiliência frente aos acontecimentos.
Compreendendo esta realidade entendemos assim a importância de introduzir o ensino do relaxamento para as turmas de crianças e adolescentes , moradoras dos centros urbanos. Um verdadeiro desafio a atual estrutura educacional em entender que tudo tem um tempo de acontecimento. E ao ensinar a criança o habito de relaxar contribui assim para atenuar a ansiedade do futuro adolescente. De acordo com Darwin evoluir é saber se adaptar.
Ao compreendermos nossa capacidade diária para distanciarmos, mesmo que temporariamente, de nossos ciclos de pensamentos e desejos. “Re-startamos” nosso sistema corpo-intelecto-pensamento e obtemos o tempo de processamento necessário para o desenvolvimento de uma mente contemplativa, objetiva e inteligente emocionalmente.
Patanjali coloca:
Sutra do Yoga de Patanjali, em Sânscrito
“O Sono (Nidra) é um meio de expressão sustentado pela experiência de não existir.”
Yogasutras I-10
O Desligar-se do ego “sofrido”, “desperto” e “acordado” para mergulhar no sono profundo. Ensina ao nosso consciente como reencontrar-se consigo mesmo, com sua real natureza, com o seu eu maior. E aprender a despertar e espreguiçar nos recobra esta experiência, libertando-nos dos primeiros pensamentos ilusórios de dor e sofrimento. Isto não significa que você ira fugir de suas obrigações , apenas ira fazê-las com uma mente mais serena calma e objetiva.
* Mauricio é um dos editores do site www.yogaeduc.com.br, onde este artigo foi publicado originalmente, em 20 de agosto de 2008. Se desejar mais informações envie um e-mail para contato@yogaeduc.com.br

Conheça a aplicação da medicina biomolecular

http://www.stancka.com.br/artigos_e_materias.php?idA=116
por Alex Botsaris
 Medicina ortomolecular foi um termo proposto pelo falecido químico e prêmio Nobel da medicina Linus Pauling. Ele criou o termo "ortomolecular" juntando o radical orto (correto em grego) com molecular - significando as moléculas - ou seja, uma medicina que fizessem as moléculas do organismo funcionarem corretamente. Na visão de Pauling seria necessário entender o mecanismo molecular envolvido nas doenças, para então propor tratamentos que fossem realmente eficientes. O eminente químico ainda estudou a fundo as ações da vitamina C nos animais e descobriu seu potencial como antioxidante, sendo um entusiasta do uso de megadoses dessa vitamina como forma de prevenir o envelhecimento.
Apesar de algumas das teorias de Pauling, na área da medicina, não terem se confirmado, várias das bases propostas por ele se revelaram tendências fortes para o futuro e vem se desenvolvendo de forma dinâmica atualmente. São elas que funcionam como base para as correntes da medicina ortomolecular atuais. Uma delas é a biologia molecular - uma parte da biologia que não pára de crescer - e que explica em termos de atividades e características químicas das moléculas, vários dos fenômenos biológicos descritos na medicina. Isso motivou a proposta de mudar o nome dessa corrente médica para medicina biomolecular. Hoje em dia, esse é o nome mais usado pela comunidade médico-científica, entretanto na área popular "ortomolecular" ainda é o mais usado popularmente.
Outra teoria lançada por Pauling, que vem se mostrando cada vez mais importante, na gênese molecular de diversas doenças, é a teoria do estresse oxidativo. Em poucas palavras, a fonte da energia corporal, que é utilizada para mover todo metabolismo do corpo vem da queima de moléculas de glicose e gordura, usando os átomos de oxigênio retirados do ar. Essa combinação com oxigênio, chamada de oxidação, eventualmente, pode formar compostos chamados de "radicais livres", que tem o potencial de causar danos a moléculas ou processos orgânicos. Esse dano causado pelos radicais livres, é que a ciência médica chama de "estresse oxidativo". Pauling mostrou que a vitamina C possuia uma ação antioxidante, por isso protegia o corpo dessas moléculas instáveis (os radicais livres). As pesquisas atuais mostraram que além da vitamina C, outras vitaminas, enzimas, além de uma série de outras substâncias, exercem atividade antioxidante, e que é a eficiência desse sistema como um todo, que protege o organismo do danos causados pelos radicais livres.
"Uma das propostas da medicina ortomolecular, que é muito interessante e inovadora, é a de utilizar alimentos, às vezes em quantidades específicas, visando benefícios de saúde ou prevenção de doenças"A importância do sistema antioxidante do organismo tem se mostrado tão grande, e está sendo tão valorizada pelos médicos ortomoleculares, que alguns colegas têm proposto de chamar o novo conhecimento de "oxidologia". Contudo, esse termo além de não englobar todos os processos da biologia molecular, não é consensual entre todos os médicos. Mesmo assim, muitos trabalhos científicos e mesmo alguns médicos vão usar esse termo para qualificar o sua área de conhecimento.
Uma das propostas da medicina ortomolecular, que é muito interessante e inovadora, é a de utilizar alimentos, às vezes em quantidades específicas, visando benefícios de saúde ou prevenção de doenças. Além dos vários antioxidantes que são empregados para reduzir o estresse oxidativo, aminoácidos vitaminas e lipídeos essenciais têm se mostrado eficientes em contribuir com o desempenho do cérebro, melhorar o humor e aumentar e eficiência do sistema imunológico. Todos esses benefícios tem sido agregados sem problemas como efeitos adversos, dependência e tolerância, que costumam ocorrer com as drogas clássicas da industria farmacêutica.
A busca de tratamentos menos invasivos e mais amigáveis tem levado muitos médicos a estudar essa nova escola e também estimula pacientes a buscar tratamentos ortomolecular. Pelas suas características, esses tratamentos exigem prescrições individualizadas, que são aviadas por farmácias de manipulação. Daí vieram alguns abusos e deslizes éticos, que apesar de serem feitos por uma minoria, acabaram se tornando públicos e serviram de munição para interesses comerciais feridos com a nova tendência. Certamente há uma influência do interesse comercial em desqualificar a medicina ortomolecular, amplificando o problema. Afinal, as farmácias de manipulação têm abocanhado mais de 15% do mercado farmacêutico no Brasil.
Considerando o contexto normativo, o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira, resistem em reconhecer a medicina ortomolecular como especialidade médica e entendem que ela é apenas uma estratégia terapêutica. Isso também se transformou numa fonte de conflitos, já que pelas normas éticas, o médico não pode divulgar uma especialidade não reconhecida pelo CFM. Na minha visão de futuro, movimentos como o da medicna ortomolecular são legítimos e consistentes, e será necessário encontrar um espaço correto para sua normatização. Enquanto isso não acontece, todos saem perdendo, principalmente os pacientes.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

A ciência da iridologia

http://revistavivasaude.uol.com.br/bem-estar/a-ciencia-da-iridologia/370/

Para os iridólogos, os olhos tem mais funções além da visão. Eles podem servir como indicadores de doenças. Saiba como funciona a iridologia no diagnóstico e prevenção de doenças.
Texto: Cristina Almeida
Embora a técnica já fosse conhecida pelas civilizações egípcia e grega, e até pela Medicina Tradicional Chinesa, foi Ignatz von Peczely, ao capturar uma coruja e acidentalmente quebrou uma das patas. Preocupado com o ocorrido, notou o surgimento de um sinal na parte colorida do olho da ave, a marca continuou mesmo após a correção da fratura, assim, o médico passou a observar alterações no organismo de seus pacientes através da íris, idealizando um mapa dos órgãos do corpo humano. Desta forma que surgiu a iridologia, método observacional que estuda a íris para conhecer o indivíduo integralmente. E isso só foi possível porque o olho é uma terminação do nervo óptico e, também, um prolongamento exterior do sistema nervoso autônomo. Considerando que a íris é formada por fibras nervosas, ela seria capaz de receber informações de todo o sistema nervoso, mostrando características psicofísicas, predisposições, desequilíbrios ou pontos fortes, a capacidade de recuperação de cada um, além do impacto do estilo de vida na saúde.
Para Celso Battello, presidente da Associação Mundial de Irisdiagnose “o olho, e principalmente a íris, é o mais inteligível e preciso microssistema que existe no corpo humano e veterinário”. Essa é a razão por que esse órgão apresenta marcas congênitas e adquiridas. “Apesar disso, é importante saber que a iridologia não serve ao diagnóstico clínico, mas funciona como uma ferramenta pré-diagnóstica, não devendo ser considerada uma alternativa sem outros procedimentos médicos.” Numa consulta, o paciente será examinado com o auxílio de um instrumento chamado iridoscópio, mas o profissional pode também valer-se de uma lupa. Para um iridólogo, esse instrumento representa o mesmo que um estetoscópio para um médico convencional. Mas adverte: “Os resultados da leitura da íris devem ser interpretados com bom-senso. A melhor coisa a fazer é confrontá-los e integrá-los a tudo quanto tenha sido apurado na consulta clássica. Afinal, a conversa com o paciente é o verdadeiro momento de uma visita médica”, conclui .
Como é feito o exame?
O exame não é invasivo nem doloroso e pode ser feito com um iridoscópio, instrumento dotado de lentes que permitem a observação da íris em seus mais microscópicos detalhes, ou com uma simples lupa. Existem, ainda, modernos recursos de captura de imagens, com várias graduações de aumento. Ao serem reproduzidas na tela de um computador, ou mesmo num vídeo, facilitam, em muito, a interpretação dos resultados
O que o iridólogo observa?
Cores, pigmentações, estrias, fendas e anéis. Cada íris é única em sua configuração, mas os mesmos tipos de sinais se repetem em homens e mulheres. No caso dos órgãos sexuais (útero e próstata), por exemplo, ambos correspondem à mesma área topográfica do mapa iridológico.
O que cada característica significa?
De acordo com o tipo de sinal e do setor da íris em que ele se encontra, o iridólogo será capaz de identificar quais são os pontos fracos e fortes da saúde de cada um: energia vital, predisposição ao envelhecimento, acúmulo de toxinas, fraqueza dos órgãos e aparelhos, graus de mineralização, vulnerabilidade ao estresse, potencialidade de recuperação do organismo e ainda os níveis de saúde. Aspectos psicoafetivos também podem ser notados. Por isso, já existe uma parte da iridologia denominada iridologia psicossomática
Como pode beneficiar o paciente?
Atua, predominantemente, de forma profilática ou preventiva.
Pode ser feita em crianças e idosos?
A iridologia não deve ser utilizada em crianças abaixo dos 6 anos de idade. Entre os idosos não há restrição.
Há riscos ou contraindicações?
A técnica é praticamente inofensiva, dados os baixos níveis desses aspectos.

Banhos de AR

Oh! Deus Criador, bendito seja o ar, que se converte em vento para unir prados, florestas e reinos, criando unidade em cada elemento; que assim seja em nós. Oração ao Criador.
Dizia-se, em meio aos naturistas alemães, que um corpo que frequenta os banhos de ar, de água e de sol não precisa frequentar os médicos.
Pode-se dizer que a pele é o nosso segundo pulmão, porque ela inspira e expira, oxigênio e dióxido de carbono, respectivamente. Isto ocorre porque o sangue não flui somente nos vasos sangüíneos, mas nos capilares de todos os tecidos do organismo. Dr. Yum (1995) enfatiza ainda: Pode-se dizer que tanto a saúde, quanto a medicina começam e terminam na respiração. Portanto, ignorar a respiração é ignorar a própria vida, porque ela começa e termina com a respiração.
Mas, o banho de ar beneficia não só na pele, mas o corpo todo, todos os órgãos e sistemas.
O banho de ar é a terapia mais extraordinária em toda a Medicina, pois de forma suave e sutil elimina o cansaço, o estresse, bem como as toxinas do organismo.
Para praticar o banho de ar deve-se tirar toda a roupa e em seguida cobrir-se com um cobertor, deixando descoberta somente a cabeça. Pode-se ficar em qualquer posição: deitado, sentado ou em pé. Pode-se fazer exercícios ou atividades que o banho permita, menos fumar ou comer.
Deve ser feito em ambiente com pouca luminosidade e boa ventilação (sem o uso de ventilador ou ar condicionado), ou seja, com janelas abertas para que o ar circule, de preferência ao nascer e ao pôr do sol. Não é indispensável que haja Sol, mas, se ele brilha, isso reforça o efeito saudável do ar.
A técnica do banho de ar é simples e consiste em cobrir e descobrir o corpo, por tempos que variam de ½ a 2 minutos. Você mesmo pode contar o tempo, mas pode-se fazer gravações com tempo cronometrado, orientando quando deve cobrir-se e descobrir-se.
Na tabela a seguir temos um exemplo de um banho de ar de 25 minutos. Mas o ideal é começar por banhos de 10 minutos e ir aumentando conforme vai se adaptando ao tratamento e suas respostas.
Descoberto
(segundos)
Coberto
(segundos)
20
60
30
60
40
60
50
60
60
90
70
90
80
90
90
120
100
120
110
120
TOTAL: 25 MINUTOS
 Antes de começar o exercício tome um copo de suco desintoxicante ou água. Após o exercício, permaneça coberto por 3 a 4 minutos. E, tome um banho frio (sem sabonete) por 2 a 3 minutos. Deixe o corpo secar naturalmente, ou seja, não use toalha. Evite banhos de ar logo após uma refeição e, após o banho de ar, aguarde 1 hora para fazer a próxima refeição.
O banho de ar fortalece o sistema nervoso autônomo e normaliza todas as funções da pele. É desintoxicante, fortalece os órgãos internos, melhora a respiração e a circulação sangüínea e ‘acorda’ os movimentos intestinais. Em qualquer idade traz mais disposição, tranqüilidade e energia.
O banho de ar é a terapia mais indicada nos casos de câncer, dores de cabeça, prisão de ventre, cardiopatias, problemas de fígado e rins, artroses, bronquites, asma e outras.
O banho de ar deve ser feito em qualquer emergência. Não tem contra-indicações. Enfermos devem fazer de 8 até 12 banhos de ar por dia (30 minutos de intervalo) e pessoas saudáveis devem fazer 3 banhos de ar por dia como preventivo e para manutenção da saúde. Uma pessoa que tem gripe com freqüência deve praticar o banho de ar pelo menos duas vezes por dia: ao nascer e ao por do sol.
 Texto extraído do livro Alimentação para os dias de HOJE - Conceição Trucom - a ser brevemente publicado!
 * Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.
Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações, e citadas a autora e a fonte www.docelimao.com.br.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Garantia da saúde vai além do bem-estar físico

 http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&edicao=57&id=726
Por Alessandra Pancetti
10/06/2010
Na área da saúde, não é novidade que a ciência tem sido fundamental para garantir qualidade de vida e maior longevidade às pessoas. No decorrer dos últimos anos, avanços nas diversas modalidades da medicina, advindos de um maior conhecimento do funcionamento do corpo humano, do descobrimento de novas drogas e procedimentos, têm garantido tratamentos de antigas e novas doenças. Da mesma forma, a pesquisa básica em algumas áreas da biologia trazem potencial de futura aplicação para tratar doenças como a diabetes e o câncer, como é o caso das pesquisas com células-tronco. Até mesmo pesquisas em áreas como a física, aparentemente não relacionadas com a medicina, resultam em avanços nos diagnósticos e tratamentos, como os equipamentos de tomografia computadorizada e PET Scan (Tomografia por Emissão de Pósitrons, em português). Isso sem falar das nanotecnologias que, espera-se, ainda terão importante papel no desenvolvimento de drogas e tratamentos mais eficientes.
Entretanto, a melhora na qualidade de vida é mais do que a somatória dos avanços na área científica. Ela também é fruto dos progressos políticos, econômicos, sociais e ambientais que ocorreram no último século. Em muitos países, porém, tais melhoras não atingiram a população de forma homogênea. No Brasil, por exemplo, país de grande desigualdade social, a qualidade de vida da população com menor poder aquisitivo é muito diferente da oferecida para as camadas média e alta. E isso porque quando se fala de qualidade de vida em saúde, outros fatores como violência, alimentação, condições de trabalho, saneamento básico, doenças infecciosas relacionadas à infraestrutura e acesso ao atendimento médico-hospitalar, devem ser levadas em consideração. Como explica Paulo Marchiori Buss, em seu artigo “Promoção da Saúde e Qualidade de Vida”: “Particularmente em países como o Brasil e outros da América Latina, a péssima distribuição de renda, o analfabetismo e o baixo grau de escolaridade, assim como as condições precárias de habitação e ambiente têm um papel muito importante nas condições de vida e saúde”.
As diretrizes dos órgãos mundiais ligados à saúde procuram compreender as diferentes variáveis que integram a complexa malha que envolve saúde e qualidade de vida no planeta. Ainda em 1986, por ocasião da I Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, foi produzida a Carta de Ottawa pela Organização Mundial da Saúde (OMS), referência para todas as conferências da área desde então. Este documento traz as ideias que servem como base para o entendimento do que é saúde, dentro dos valores atuais – dando seguimento ao movimento que foi se desenvolvendo desde o Informe Lalonde , produzido em 1974, no Canadá, e que foi o primeiro documento tratando a saúde pública de maneira abrangente. Entre as ideias desenvolvidas na Carta de Ottawa, Paulo Buss nos remete às noções de cinco campos centrais de ação: as políticas públicas saudáveis, reconhecendo que as políticas públicas, em qualquer nível de governo, podem ser favoráveis ou desfavoráveis à saúde; a criação de ambientes favoráveis à saúde, reconhecendo a importância do meio ambiente na saúde; o reforço da ação comunitária, que assinala o papel da informação e participação da comunidade no processo; o desenvolvimento de habilidades pessoais, que se baseia na importância, novamente, da informação, e das atitudes pessoais; e a reorientação do sistema de saúde, que pretende modificar o modelo centrado na doença como um fenômeno individual.
No Brasil, além das péssimas condições de saúde de pessoas vivendo em situações de pobreza e risco, a prevalência de grande desigualdade na sociedade é um fator que ameaça a qualidade de vida da população em seu conjunto, como argumenta Paulo Buss. Em relação a isso, ele adverte, em outro artigo, “Países com grandes iniquidades de renda, escassos níveis de coesão social e baixa participação política são os que menos investem em capital humano e em redes de apoio social, que são fundamentais para a promoção e proteção da saúde individual e coletiva”. Assim, segundo Buss, devido às iniquidades e à pobreza, o Brasil carrega um fardo duplo na busca de melhorar a qualidade de vida em saúde da sua população.
O SUS e a busca pela equidade em saúde
Em relação às políticas em saúde, o Brasil se coloca como um país que apoia a participação do Estado para garantir a saúde, como um direito, a seus cidadãos – garantido em sua Constituição. Desta forma, em 1988 foi criado o SUS, ou Sistema Único de Saúde. A ideia era conferir acesso à saúde a todos os brasileiros, de forma inclusiva, semelhante às premissas igualitárias do Estado de bem-estar social europeu, como explica o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Carlos Octávio Ocké-Reis. Entretanto, Ocké-Reis argumenta que apesar de seus mais de 20 anos de existência, o SUS encontra-se ainda em construção, ou seja, “o Estado enfrenta dificuldades para materializar o direito social constitucional do acesso universal e integral de atenção à saúde”. E isso se reflete na lógica de mercado que se instalou e pontua a relação do Estado com os planos de saúde privados e com o próprio SUS.
Segundo Ocké-Reis, existem muitas contradições dentro do SUS, e uma delas é o fato do sistema de saúde brasileiro ter como característica a concorrência entre o público e o privado. “Parte dos cidadãos pode ser coberta por planos privados de saúde e, ao mesmo tempo, utilizar os serviços do SUS, resultando na dupla cobertura para aqueles que podem pagar ou podem ser financiados pelos empregadores: trabalhadores de média e alta renda, executivos e funcionários públicos”, diz. Ocké-Reis ainda chama a atenção para a falta de democratização das instituições que regulamentam os médicos liberais e os prestadores de serviço de hospitais privados – além do patrocínio oferecido aos planos de saúde particulares, desde de 1968, através do financiamento público em forma de isenção fiscal. Para o pesquisador do Ipea, a escolha de um modelo semelhante ao modelo norte-americano na gestão da saúde acabou por aumentar sua segmentação e privatização, aumentando também a diferença no atendimento da população.
Ocké-Reis acredita que a forma de garantir o direito à saúde, presente na Constituição brasileira, deve passar pelo estancamento dos incentivos financeiros do Estado ao setor privado, em direção à democratização da saúde. Tal ação aumentaria a receita para o gasto público em saúde no Brasil. Nesse sentido, o pesquisador também recomenda a criação de uma fonte financeira estável para o setor da saúde, reforçando a importância da aprovação da regulamentação da Emenda 29 e a Contribuição Social da Saúde. Embora ele reconheça que a alíquota de 0,1% é insuficiente para resolver os problemas de financiamento do SUS.
Saúde, violência e envelhecimento
Assim como as desigualdades sociais e a pobreza influenciam o bem-estar da sociedade de forma abrangente, a questão da violência também é importante para a saúde e a qualidade de vida – e vem ganhando espaço nas discussões atuais sobre o tema. “ O Brasil ocupa hoje o quarto lugar no ranking da violência na América Latina, depois de Colômbia, El Salvador e Venezuela”, explica Maria Cecília de Souza Minayo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Além disso, como explica Minayo, no Brasil a violência é a terceira causa de mortalidade geral, e a primeira causa nas faixas etárias de 5 a 49 anos. “Nos casos que exigem internação, a violência, as lesões e os traumas ocupam o sexto lugar de importância, mas consomem mais recursos públicos que os tipos de hospitalização por enfermidades”, diz.
Segundo Minayo, por se tratar de um fenômeno sócio-histórico, a violência no Brasil não é tratada como uma questão de saúde pública ou da medicina. Mas, como alerta a pesquisadora, a violência afeta fortemente a saúde, e os fatores que ela enumera para justificar são: morte, lesões, traumas físicos e diversos agravos mentais, emocionais e espirituais; diminuição da qualidade de vida das pessoas e das coletividades; exigência de uma readequação da organização tradicional dos serviços de saúde; novos problemas para o atendimento médico preventivo ou curativo – além de evidenciar a necessidade de uma atuação muito mais específica, interdisciplinar, multiprofissional, intersetorial e engajada do setor, visando às necessidades dos cidadãos. “ Nos últimos anos o setor saúde introduziu o tema em sua pauta, consciente de que pode contribuir para sua discussão, prevenção e cuidados”, diz.
Tendo-se em vista que o grupo que mais morre por violência no país são os jovens de 15 a 29 anos , um grupo que vem crescendo em relevância, conforme vem aumentado em número, é o da população idosa. Segundo Minayo, a população de idosos brasileiros já passa de 20 milhões de pessoas – e, de acordo com as previsões do IBGE, a tendência é de que continue a crescer. “ Os traumas e lesões que ocorrem nos transportes são a principal causa violenta de mortes nesse grupo etário (mais de 25%), e as quedas são a principal causa de internação (61% do número de internações provocadas por violências)”, diz a pesquisadora. Segundo ela, esses dados têm tido bastante repercussão nos setores de saúde e direitos humanos, uma vez que, em muitos casos, essas lesões são causadas por negligência familiar, do poder público ou dos cidadãos nos espaços públicos.
Outro fator que merece destaque é o bem-estar psicológico desse grupo social. “Hoje consideramos muito preocupante que as taxas de suicídio estejam crescendo na população masculina em geral e principalmente entre homens acima de 60 anos”, diz Minayo. Em relação isso, o documento “ Prevenção do Suicídio: um Manual para Profissionais da Saúde em Atenção Primária”, produzido pela OMS, reconhece que a taxa de suicídio tem dois picos: em jovens, de 15 a 35 anos, e em idosos, acima de 75 anos. Embora o manual ofereça maneiras de lidar com situações de risco de suicídio de uma forma geral, não existe nada específico voltado para a população idosa. Em outro documento citado pel a pesquisadora da Fiocruz, a Portaria No 1.876, de 14 de agosto de 2006 do Ministério da Saúde (MS), reconhecendo o suicídio como um grave problema de saúde pública, a população idosa não é nem mesmo citada. Minayo ressalva que nada existe especificamente em relação ao idoso, uma vez que esse problema nunca foi tratado como uma questão pública. “Do ponto de vista da saúde pública, no Brasil , pouco tem sido feito, inclusive pelo desconhecimento da dimensão do problema”, diz.
Para melhorar o atendimento ao idoso são necessárias leis que garantam que seus direitos sejam respeitados – e o Brasil possui leis para isso. A Política Nacional do Idoso foi estabelecida em 1994 (Lei 8.842), na sequência da Constituição de 1988. A Constituição de 1988 se preocupou em transformar o enfoque assistencialista obsoleto da atuação governamental, passando a ser mais centrada no conceito de cidadania e legitimando, portanto, essa parcela da população. A Lei de 1994 visa proteger não apenas os idosos, mas também quem vai ser idoso um dia, ou seja, boa parte da população brasileira. Uma das ideias da Política Nacional é a de gerar longevidade com qualidade de vida – e isso movimenta muitas áreas, não somente a médica, uma vez que deve compreender uma série de atividades, como participação no mercado de trabalho, convivência e atendimento especializado, além de estudo. E tudo isso, sem discriminação.
É interessante notar, em relação a isso, que Maria Inês Dolci, colunista da Folha de S. Paulo e coordenadora institucional da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), recentemente escreveu um artigo no qual critica os planos de saúde privados por discriminação ao idoso (Respeito ao Idoso, 01/06/2010, Folha de S. Paulo ). Segundo Dolci, há casos de contratos firmados antes da Lei do Estatuto do Idoso entrar em vigor, em 1 de janeiro de 2004, em que alguns planos de saúde insistem em reajustar os preços conforme a idade da pessoa vai avançando – muito embora a lei de não-discriminação nas cobranças deveria ser aplicada para todos, inclusive retroativamente. Ela alerta que para ter seus direitos respeitados pelos planos de saúde, muitos cidadãos idosos estão precisando entrar na Justiça.
A saúde das pessoas, independente de idade, sexo e condição social, está intimamente ligada com a qualidade de vida que elas experimentam. Tanto a saúde física quanto a emocional são resultado de uma série de fatores determinados por condições adequadas de vida e do acesso ao atendimento médico. As políticas públicas em saúde precisam, por seu lado, procurar promover esse acesso e diminuir as desigualdades e ambiguidades existentes nessa área – e, por isso mesmo, as pesquisas nesse setor são de grande importância social. Além dos fatores relacionados diretamente à saúde, fatores externos podem ter um grande impacto na qualidade de vida de uma sociedade, como é o caso da violência – uma questão que traz várias ramificações para a sociedade brasileira. E, assim como jovens e jovens adultos, que são o grupo mais exposto à violência, o aumento do número de idosos revela que essa discussão deve crescer nos próximos anos também para essa faixa etária. Por se tratar de um grupo menor e menos influente, embora esteja crescendo em número, os idosos parecem necessitar de esforço redobrado para ter suas reivindicações atendidas – mesmo em casos em que seus direitos estão cobertos por lei específica, como a da não-discriminação. É importante que os direitos desse grupo sejam garantidos pelo poder público e vigiados pela sociedade. A tendência é que tais questões também ganhem mais visibilidade nos próximos anos, conforme a população brasileira continuar envelhecendo.