quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A Ciência descobre as mais antigas novidades


Agradecimento
Sempre na perspectiva de proporcionar aos nossos leitores a oportunidade de, ter acesso a conhecimentos e opiniões importantes relativas a saúde na sua visão holística, encontramos esse artigo interessante e bastante esclarecedor do Dr. Marcio Bontempo - a quem gentilmente solicitamos permissão para reproduzir - por mencionar informações que acreditamos constituir uma fonte de dados riquíssima a respeito do tema, bem como nos levar a refletir sobre a importância do mesmo quando pensamos em prevenção, saúde e qualidade de vida.
Obrigada Dr. Marcio
* Marcio Bontempo
O jornal Correio Brasiliense publicou ontem a excelente matéria “Jejum vira grande aliado na luta contra o câncer”. Nela aparece uma “descoberta” de pesquisadores da Southern California University, em Los Angeles, publicada pela mais que austera revista científica Science Translational Medicine. Em resumo, a pesquisa, comandada pelo cientista Valter Longo, aponta que as células cancerígenas são mais sensíveis à redução ou ausência de nutrientes no organismo do que as células normais. Estas, quando faltam alimentos ou nutrientes, entram num estado defensivo, como uma hibernação, reduzindo intensamente seu metabolismo; já as células anormais não suportam tal situação, não tem a mesma capacidade e acabam entrando em apoptose, ou morte celular, o que leva à absorção do tumor. A pesquisa e seus resultados foram confirmados por diversos outros cientistas em outras partes do mundo, conforme a matéria. Nela foram utilizados ratos com diversos tipos de tumores malignos induzidos, submetidos a jejum, e este combinado com quimioterapia. Os resultados foram surpreendentes, com a cura total ou interrupção do tumor. Foram feitas pesquisas em seguida com seres humanos, e isso sem que se ferissem questões éticas, porque o jejum não é “remédio”. Os resultados foram marcantes, a ponto de outros cientistas se motivarem a aplicar o método e o associarem aos tratamentos convencionais.
Há alguns anos, a ANVISA, nossa Agência Nacional de Vigilância Sanitária, copiando, como sempre, a colega estadunidense FDA – Food and Drug Administration, adotou o conceito de “alimentos funcionais” e de “nutracêuticos”, com referência à capacidade de vários alimentos e seus componentes promoverem saúde e combaterem diversas doenças.
Também há quase duas décadas, a aplicação de recursos magnéticos no tratamento e prevenção de diversas doenças ganhou o mundo, depois que experiências e pesquisas (muitas registradas no Index Medicus, a biblioteca científica da Organização Mundial de Saúde) provaram, até com complicadas fórmulas e números, o poder dos imãs sobre os organismos vivos, particularmente sobre seres humanos e suas enfermidades. Hoje são dezenas de aparelhos, artefatos e sistemas de magnetoterapia reconhecidos pelas autoridades sanitárias e em pleno uso.
Também o Irisdiagnóstico – método de diagnosticar alterações do organismo por meio da visualização de sinais da íris- provou cientificamente a sua capacidade de captar diversos problemas orgânicos e hoje são centenas de publicações científicas comprovando o fato e o sistema já é utilizado por muitos médicos, isoladamente ou em associação com outros métodos.
Associado a isso, muitas plantas medicinais entraram para o rol dos recursos médicos cientificamente comprovados e são utilizadas por médicos do mundo inteiro. Aliás, hoje, cerca de 40% de todos os recursos medicinais presentes nas prateleiras das farmácias tem o mundo vegetal como fonte de suas matérias primas.
Para completar, mesmo que omitindo muitos outros itens, lembrar que a acupuntura e a homeopatia, são hoje especialidades médicas em muitos países, inclusive no Brasil, reconhecidas por sua eficácia e utilizadas oficialmente.
Ademais, o nosso país possui novas políticas públicas de saúde que geraram a Portaria 971/2006 do Ministério da Saúde, que introduz as Práticas Integrativas (Fitoterapia, homeopatia, Acupuntura, Crenoterapia, etc.) na rede pública de saúde, dentro do Programa Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) e da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterapia, como determinação até da Organização Mundial de Saúde.
Mas porque estou fazendo estas colocações?  Explico:
Há trinta e poucos anos exercendo a medicina, desde uma época em que vigorava pleno o conceito de que somente a alopatia e a cirurgia eram recursos “permitidos” e “cientificamente” aceitos, fui processado numerosas vezes pelos Conselhos de Medicina do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, justamente por aplicar vários dos métodos e recursos aqui apresentados e por ensiná-los, tanto ao público leigo quanto profissional. E até hoje ainda há dois processos “éticos” em andamento contra mim em São Paulo e outro em Minas Gerais, ambos por motivos certamente muito “graves” de “delito”; no primeiro por eu ter feito uma palestra num grande evento onde falei dos benefícios da linhaça para a saúde, e no segundo, por ter dado uma aula sobre medicina chinesa num curso de acupuntura numa empresa de Belo Horizonte. Pasmem! Acreditem!
Pois bem, a cada dia presenciamos notícias de “novas descobertas” científicas que trazem à luz elementos pertencentes às medicina tradicionais, populares, indígenas, domésticas, naturais, etc., como os que relatamos aqui. E tenho a satisfação de dizer que sempre pratiquei e apliquei métodos não convencionais de medicina, por compreender que a saúde só pode ser obtida através do respeito às leis naturais e por reconhecer que os recursos da própria natureza (alimentos, água, sol, luz, magnetismo, minerais, plantas medicinais, etc.) possuem o imenso potencial de cura, ou antes, de resgate da saúde perdida. Sempre me incomodei e preocupei com o tipo de recursos terapêuticos que a faculdade me ensinou, ou seja: medicamentos e cirurgia. Embora prescreva remédios e indique cirurgias, só o faço em casos especiais e extremos, realmente necessários, pois são recursos que lidam mais com efeitos e não com causas. Em termos de medicamentos, 90% do uso se destina a ações paliativas. Na verdade, a medicina oficial, na maioria das suas ações, não fomenta ou promove a saúde, mas combate a doença (por isso possui um “arsenal” terapêutico), ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, vive dela e depende dela – da doença – para existir. Haja vista a influência e o poder da indústria farmacêutica. Também sempre me incomodou a questão dos efeitos colaterais (algumas drogas intoxicam, prejudicam ou matam mais do que a doença que se destina a tratar), das doenças iatrogênicas (produzidas pelo médico) e, pior, pela interação medicamentosa (resultante da ação conjunta de vários remédios dentro do organismo) que matam anualmente cerca de 170 mil pessoas, só nos Estados Unidos, pois com as especialidades médicas, muitos pacientes ingerem remédios de vários médicos sem que se conheça, até hoje, como essas substâncias interagem quando juntas. E não falemos dos elevados custos dos remédios, que mobilizam cerca de 600 bilhões de euros anualmente no mundo.
É interessante observar como as novas “descobertas” científicas tem trazido novos recursos, não alinhados à filosofia que alimenta a chamada “medicina convencional”, mas que esta, sem opções, acaba por assimilar e incorporar, como acontece com a fitoterapia médica, a acupuntura, a homeopatia, os alimentos funcionais (nutrologia), etc. e agora o jejum.....
Então me vem à memória os velhos tempos em que tratávamos as doenças dos nossos clientes com a macrobiótica (salve mestre Ohsawa!), particularmente com o arroz integral (hoje considerado um “importante” alimento funcional por ser rico em fibras, vitaminas do complexo B, etc.). Vem também os grandes resultados obtidos com o a naturopatia (Ave Dr. Lezaeta Acharam e Eduardo Alffons)... os gloriosos resultados que verificávamos com as sessões de acupuntura (todas as glórias a Frederico Spaetz, Evaldo Martins Leite, Dr. Wu, Sohaku Bastos!), do-in (salve Juracy Cançado!), os surpreendentes efeitos da homeopatia (glória, muita glória a Avicena, Paracelso, Hahnemann, Kent, Nash, Nilo Cairo, Alfredo Vervloet!). Também as curas obtidas com a geoterapia (argila), as águas minerais (oh! saudade da clínica em São Lourenço!). Sempre usei também a cura pelos alimentos (hosanah! Mestre Hipócrates, o pai da Medicina, que afirmava que a cura está na comida!) método hoje consagrado pela Nutrologia através dos alimentos funcionais. E há muito mais.
Tudo isso muito forte para mim, porém, tenho o compromisso de informar, que todo esse trabalho, que até hoje perdura, sempre foi realizado sobre forte pressão do “sistema” e do modelo médico dito “hegemônico”, ou detentor do “poder”.
Nos diversos processos nada éticos que sofri, os argumentos eram os mais absurdos e ridículos, mas não tínhamos como nos defender. Os “inquisidores” afirmavam, entre outros bisonhos disparates, que a acupuntura era uma “filosofia” oriental e não um sistema de tratamento; que a homeopatia não tinha comprovação científica; que a iridologia era “coisa de bruxo”; que as águas minerais só teriam efeito diurético (isso com centenas de universidades na Europa, já na época, ensinando a crenoterapia e o termalismo há centenas de anos...); que o magnetismo era coisa de charlatão, mesmerismo, etc.; que as plantas medicinais não eram recursos eficazes e comprovados e até perigosos, que poderiam intoxicar, matar (Drauzio Varela disse isso no Jô Soares e depois se contradiz fazendo reportagens na Amazônia onde mostrava as ações curativas de muitas ervas, inclusive várias a que fez referência no programa, como ineficazes).
Merece aqui o relato breve de um caso em que fui “condenado” pelo CRM-RJ por ter conseguido reduzir a zero a carga viral de um paciente HIV positivo (e em fase quase terminal) e eliminar todos os sintomas, utilizando somente dieta macrobiótica e uma planta chamada unha de gato (uncaria tomentosa), com base nos bons resultados obtidos por colegas alemães usando o remédio “Krallendorn”, que é à base dessa planta e para essa doença, publicados na revista científica Nature. O paciente, que na época fazia uso somente de AZT, tinha recebido antes a notícia de que no máximo três meses de vida. Com o tratamento, recuperou a saúde, a disposição, ganhou peso, voltou a praticar esportes e levava uma vida normal, até que teve que retornar à médica do serviço público que o atendia antes, por questões de documentação. A médica surpreendeu-se com o bom estado do paciente e julgou que o AZT tinha funcionado. O paciente então informou a médica o tipo de tratamento a que se submeteu. Bem, em poucas semanas recebi uma intimação para comparecer ao CRM-RJ, pois a médica havia me denunciado por “charlatanismo”. A acusação era de eu estar “aplicando métodos não reconhecidos pela comunidade científica”. E não adiantou ter apresentado os trabalhos dos médicos alemães. Mas não deixei por menos. Só mostrei aos “conselheiros” que o contrassenso de estar sendo acusado... por ter tido sucesso!....e que o verdadeiro espírito médico, ou científico seria  valorizar o resultado e procurar conhecer o fenômeno. Não ficaram satisfeitos quando eu afirmei que aquele era um comportamento retrógrado, anticientífico e subdesenvolvido.
E tive muitas outras acusações similares que poderiam compor um livro de anedotas. Mas agora aproveito essa matéria sobre o jejum para finalizar este texto fazendo um comentário. Como eu sempre apelei para o jejum como recurso para o resgate da saúde, volta e meia surgiam comentários e até acusações, com a afirmação sombria de que “o jejum é perigoso e pode espoliar o paciente em termos de nutrientes e até matar”. A matéria é clara, mas só faz alusão ao câncer, sendo que o Jejum é chamado de “terapia universal” e serve para praticamente todas as doenças e representa o recurso ultérrimo do médico consciente, quando se esgotam os seus recursos comuns. Mas somente na questão do câncer, o jejum é realmente eficaz porque com a redução da oferta de nutrientes, as células saudáveis realmente são mais resistentes e entram “em off” ou estado de “hibernação” quando faltam os mesmos, ao passo que as células malignas são mais sensíveis e entram em estado de apoptose, ou morte celular, o que interrompe o crescimento do tumor e até o faz gelatinizar-se ou desaparecer, conforme mostram as recentes experiências. Essa é a informação científica hoje apresentada sobre o efeito do jejum, mas nós médicos naturistas e holísticos não tínhamos antes essa explicação e apenas observávamos os resultados. Baseávamo-nos, há várias décadas, na experiência dos antigos, de séculos ou milênios atrás, mas sempre fomos combatidos e até ridicularizados, pois não tínhamos antes como explicar o método à luz da ciência acadêmica.
Resolvi escrever esta matéria porque ao ler a notícia do jejum no jornal, me veio à mente o seguinte: se a todo instante métodos, recursos terapêuticos não convencionais são explicados à luz da Ciência e incorporados ao sistema oficial, podemos inferir que o posicionamento, o critério que hoje é a base do modelo médico para definir ou caracterização do que é ou não “oficial”, é inapropriado, justamente porque falha, e falha porque é refratário, e assim o é porque é limitado na sua perspectiva ou capacidade de conhecer e apreender os fenômenos. Então, por uma questão lógica, esse tipo de abordagem não é e não pode ser confiável e deve ser desabonado. O modelo vigente é tão refratário e limitado na sua capacidade perceptiva que trabalha contra si mesmo, duvidando de absolutamente tudo surge no seu seio, para, depois de muita luta por parte dos seus autores (como Harvey e a circulação sanguínea, Pasteur e a teoria microbiana, Sommelweiss e a febre puerperal e milhares de outros casos), aceitar como verdade definitiva, e aqui mais um engano, porque nada é definitivo e o que caracteriza a evolução da ciência, é justamente a velocidade com que novas teorias derrubam as antigas. Seus representantes, portanto, não tem mais direito de se posicionarem como autoridades incólumes, indefectíveis e todo-poderosos. Há algo  a ser ajustado na questão da metodologia científica e essa revolução está em plena expansão. Estamos presenciando, no seio acadêmico, uma profunda – e mais que necessária – mudança de paradigmas, onde o critério analítico-cartesiano-newtoniano, nitidamente reducionista, está cedendo lugar para a visão holística, ou antes, relativista-integrativa, com a qual as novas gerações de cientistas estão mais familiarizadas conforme a cosmovisão de Max Planck, que escreveu: “Uma nova descoberta científica não se torna aceita porque seus autores conseguem convencer seus colegas opositores, mas sim porque estes morrem e surge uma nova geração acostumada à verdade”.
Porém esta época fantástica tem derrubado velhos tabus científicos e aberto as portas para novas dimensões do pensamento e do conhecimento, em vertiginosa revolução. E já era tempo. Estamos adentrando uma fase da evolução humana em que a nova forma de compreender a vida, suas leis e seus fenômenos, não mais vai ser sombreada pela ignorância, pelo personalismo, pela tendenciosidade, pela arrogância, pelo poder, pela estupidez de quem se considerava dono da verdade. Quem viver verá. E quem não viver também verá, porque a vida universal é contínua e não pára. Saúde.
* Marcio Bontempo :Médico, autor e consultor científico

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