segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A Essência da Meditação

http://www.taichichuan.com.br/texto34.htm
A meditação permite-te ouvir a palavra do silêncio, discernir a sua Clara-luz, no interior de ti. Essa visão não será possível se estiveres numa atitude sonolenta, que provoca o devaneio. Senta-te para meditar, com o busto direito, como uma árvore, com os olhos fechados, na posição do vigilante.
Observa muito longe em ti, sem afrouxar a tua atenção, com o espírito vazio, evitando o movimento dos pensamentos. É a atitude do guerreiro espiritual, do Acordado.
Nenhum pensamento está, na realidade, completamente isolado. O verdadeiro espaço está no interior. O que se passa no espírito repercute-se em todo o universo.
A vida é uma disciplina que se conjuga no presente. Realiza cada ato plenamente. Não te interesses senão pela vida, em todas as suas formas, pois ninguém sairá vivo desse jogo.
Não tenhas medo da solidão quando ela vem ao teu encontro. Ela é a ocasião de te reencontrar e de te fortificar.
Aprende primeiro a acalmar o teu espírito e a relaxar o teu corpo, depois desce em ti, como o mergulhador. Não tenhas medo de conhecer a plenitude e a completa vacuidade. Só tens uma vida, mas é infinita. Com a meditação, entras naquilo que não pode ser nem dividido nem separado.
Muda de ponto de vista para guardar distanciamento. Desconfia das paixões, ganha recuo recolhendo-te.
A meditação aproxima-te do centro de ti próprio, logo que fechas os olhos. Não está ligada ao curso do pensamento, nem ao jogo fantasmagórico das emoções. Aprende a calar-te e o teu coração abrir-se-á.
A origem das coisas não está situada no passado. Produz-se agora, em cada instante, no teu espírito. Aprende a pensar de outra maneira.
Podes utilizar um sonho, uma recordação, como suporte para a tua meditação. Não analises, não reflitas. Contenta-te em observar, sem palavra, sem pensamento, como o animal fascinado observa o fogo. Transforma os teus desejos, as tuas sensações, em energia pura. Considera-os como pedras preciosas, que brilham desligadas de ti.
A meditação transforma a crença em realidade vivida. Utiliza o seu poder, se queres mudar o mundo.
Não é necessário que medites sobre as mandalas nem sobre as figuras tradicionais do Vajrayana. Toma o teu próprio desejo como objeto da tua meditação. Observa-o, de longe, sem perder o encantamento, e segue-o como se sobe um rio, até à sua nascente. Ele é a chave que abre todas as portas.
Aprende o poder de amor da meditação: ela abre o coração e faz nele penetrar o universo inteiro. Reúne o que foi separado pela ilusão. Eis-te imerso no fluxo da vida e deslizando com ele.
Aprende também a meditar com os olhos abertos. Concentra-te na beleza de uma flor, no murmúrio das ondas, no barulho do vento. Suprime a distância que te separa das coisas. Meditar é um ato de amor.
Cada paixão dominada acende um novo sol.
Toma refúgio muito longe em ti próprio, se queres encontrar os outros.
Se estás infeliz e num estado de caos interior, não acuses o mundo pois ele não é senão o reflexo de ti próprio. O que tu és, o mundo é-o também. Cura-te e o mundo curar-se-á.
Deves derrubar os teus hábitos de pensamento. Desce em ti, com o espírito livre, consciente da tua própria divindade, à maneira de um espelho que reflete o sol.
Medita por entre o tumulto da vida quotidiana, no meio dos engarrafamentos, andando na rua. Descondicione-se. Toma de repente altitude, e considera o espetáculo do mundo como um fluxo eterno, sem começo nem fim. Estás no centro, o único ponto fixo, com a tua consciência, as tuas sensações, as tuas reflexões. Meditar assim renova a energia, e evita a lassidão.
Meditar, é renunciar ao universo conhecido e descer aos bastidores, aí onde o espírito puxa os cordéis do jogo. É tornar a ser o grande maquinista, o criador do universo.
A meditação começa sempre por uma total descontração do corpo físico, que elimina as tensões. Aprende a respirar, isto é, a tornar vivos os mecanismos habituais do corpo.
Reúne os teus pensamentos no centro de ti próprio, e impede-os de derivar. Visualiza esse centro como sendo a única realidade, se queres que a tua meditação se torne numa arma que desperta.
Nós não temos nenhuma consciência de nós próprios, é por isso que o menor choque exterior nos surpreende e perturba. Reencontra o domínio interior, sem perder a inocência do olhar, e a bondade do coração.
A meditação permite-te ocupar realmente o teu lugar, reencontrar o equilíbrio e a harmonia. Ela é a via real que leva à felicidade, o caminho mais curto, pois evita os maus hábitos do exterior, os artifícios, as ilusões.
Considera o teu espírito como o templo de ouro, que contém todo o universo.
A meditação permite reunir as energias, evitando a dispersão e o desperdício. Orientando os teus pensamentos para os outros, podes curar os que sofrem, vir em auxílio dos desgraçados e fazer muito bem. A meditação acorda os poderes do espírito.
Se queres deslocar-te e aproximar-te de alguém, podes utilizar o poder todo-poderoso do pensamento. Visualiza o lugar que queres atingir, reunindo as tuas emoções, os teus desejos, sem te perder em vagos devaneios. Para isso, não deves deixar o teu espírito vagabundear, mas, pelo contrário, torna a trazê-lo para o centro de ti próprio, pela meditação, sem nunca perder a consciência do Instante.
Durante a tua meditação, deixa flutuar as idéias e as sensações vagabundas, sem procurar retê-las. Deixa o vazio invadir o teu espírito, e ressentirás um calor maravilhoso, assim como uma imensa alegria. Será então que a distância entre ti e o mundo há de desaparecer. Estás no lugar do espírito que reúne todas as coisas. A partir deste lugar, podes agir sobre ti próprio e sobre o mundo.
Descobre a profundidade da meditação, e encontrarás a imediatitude do mundo. Os mestres de sabedoria ensinam que esse instante é a única realidade. Dele nascem os universos e os mundos.
Os conflitos, o ódio, a violência, provêm de um desconhecimento de si, que gera dor e confusão. Não duvides do teu próprio esplendor interior. Cada ser vivo é uma estrela.

Nenhum comentário: