sábado, 28 de setembro de 2013

Efeito rebote demonstra princípio de cura da Homeopatia

As disputas entre a alopatia - a medicina ocidental tradicional, baseada em medicamentos - e a homeopatia - baseada no princípio "semelhante cura semelhante" - por vezes parecem irreconciliáveis.
Não é o que acredita o Dr. Marcus Zulian Teixeira, da Faculdade de Medicina da USP.
Segundo ele, o princípio de cura utilizado na homeopatia é bem conhecido dos médicos tradicionais, que apenas o chamam de outro nome.
Segundo Teixeira, o que a alopatia chama de "efeito rebote" é o mesmo fenômeno que explica porque a homeopatia funciona.
"O fenômeno que a farmacologia clássica chama de 'efeito rebote' é o que a homeopatia utiliza como resposta terapêutica, uma ação secundária do organismo. Buscando despertá-la, é realizada a prescrição dos medicamentos homeopáticos. E as doses são ínfimas, pois têm o objetivo de estimular uma reação do organismo sem causar efeitos adversos", explica o pesquisador.
Ele apresentou sua teoria em um artigo científico publicado pelo periódico britânico Homeopathy.
"O artigo traz dados para a fundamentação científica do princípio de cura homeopático perante a farmacologia moderna," explica ele.
Princípio da similitude
Os medicamentos tradicionais, ou alopáticos, atuam a partir do "princípio dos contrários", agindo de forma contrária ou paliativa aos sintomas das doenças: anti-inflamatórios, antitérmicos, antidepressivos, antiácidos etc.
O efeito rebote é o agravamento dos sintomas clínicos ocasionado pela suspensão abrupta desses medicamentos.
Ele é também chamado de "reação paradoxal ou secundária", uma reação contrária do organismo, numa tentativa de manter o equilíbrio fisiológico interno (a homeostase) alterado pelo fármaco. Essa reação pode ocorrer com medicamentos que atuam contrariamente aos sintomas das doenças.
Na homeopatia, os medicamentos atuam a partir do "princípio da similitude": toda droga capaz de despertar determinados sintomas em pessoas sadias pode ser utilizada para despertar uma reação curativa em pessoas doentes com os mesmos sintomas.
"O tratamento utiliza substâncias que causam sintomas semelhantes aos das doenças, a fim de estimular uma reação do organismo contra os próprios sintomas", esclarece o médico.
"O café, que causa insônia, é utilizado homeopaticamente para tratar a insônia; a camomila, que causa cólica, é utilizada homeopaticamente para tratar a cólica; a beladona, que causa febre, é utilizada homeopaticamente para tratar a febre, etc.", esclarece. "Essa ação homeostática, vital ou secundária do organismo é cientificamente explicada pelo efeito rebote das drogas alopáticas."
Alopatia e homeopatia
Citando como exemplo a endometriose, que consiste na presença de células do endométrio (que revestem o útero) fora deste órgão, Teixeira explica que a doença depende do hormônio estrogênio.
"Os medicamentos alopáticos receitados para tratá-la inibem a produção deste hormônio, mas um dos efeitos colaterais é a masculinização das pacientes. Segundo a concepção homeopática, poderíamos pensar em receitar o estrogênio ultradiluído ou dinamizado, em doses infinitesimais para não causar agravamento da doença, com o intuito de despertar a reação curativa do próprio organismo", explica.
Segundo o pesquisador, remédio homeopático pode ser qualquer substância (sintética ou natural) que cause sintomas em uma pessoa e seja empregado em conformidade com o princípio da similitude - o médico homeopata leva em conta os aspectos emocionais e psíquicos do paciente e o tratamento é individualizado.
Efeito rebote
Para propor sua teoria sobre a conexão entre homeopatia e efeito rebote, o Dr. Teixeira fez uma revisão da literatura científica buscando artigos científicos sobre o efeito rebote do natalizumabe, um medicamento usado para tratar a esclerose múltipla.
Essa doença autoimune ataca o sistema nervoso central: os linfócitos T (anticorpos do organismo) se proliferam e ultrapassam a barreira hematoencefálica, entram no sistema nervoso central e destroem a bainha de mielina, a camada protetora dos neurônios.
Sem a bainha de mielina, o neurônio pode ser comparado a um "fio desencapado" que não consegue transportar eficientemente os impulsos elétricos aos outros neurônios.
Sem poder transmitir esses sinais elétricos, o sistema nervoso central vai se degenerando, levando, progressivamente, à deficiência motora e consequente paralisia, podendo causar a morte. "Cerca de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem da doença", diz o médico.

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