terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Meditação altera fisicamente o cérebro

Um programa de oito semanas de meditação pode ocasionar mudanças mensuráveis em regiões cerebrais associadas a atenção, empatia e percepção de si mesmo.
A meditação concentra-se na percepção, livre de julgamentos, dos sentimentos, sensações e estados mentais de si mesmo – o que geralmente resulta numa sensação de total relaxamento e paz plena.
No estudo, feito nos Estados Unidos, foram utilizados exames de ressonância magnética para avaliar a estrutura cerebral de 16 voluntários nas duas semanas anteriores e posteriores ao programa de oito semanas de Meditação Para a Redução do Estresse da Universidade de Massachusetts (EUA).
O programa incluiu encontros semanais para a prática de meditação e gravações em áudio para a prática de meditação guiada. Os participantes tiveram de monitorar o tempo diário de prática. Para fins comparativos, os pesquisadores também analisaram exames de ressonância magnética de um grupo-controle que não praticou a meditação.
Os participantes do grupo de meditação passaram, em média, 27 minutos diários praticando. Os exames de ressonância magnética realizados depois do período de oito semanas revelaram um aumento na densidade da massa cinzenta do hipocampo (região cerebral ligada ao aprendizado e à memória) e em estruturas associadas à compaixão e à autopercepção.
Os investigadores também constataram que a redução de estresse relatada pelos participantes foi associada à diminuição da densidade da massa cinzenta da amídala cerebral, que exerce um importante papel na ansiedade e estresse. Nenhuma das alterações da estrutura cerebral foi observada no grupo-controle.
“É fascinante observar a plasticidade do cérebro e perceber que, através da meditação, podemos ter um papel ativo na mudança cerebral, podendo aumentar nosso bem-estar e qualidade de vida”, disse Britta Holzel, principal autora do estudo e pesquisadora do Massachusetts General Hospital e da Giessen University, da Alemanha.
“Outros estudos, conduzidos com diferentes grupos de pacientes, já mostraram que a meditação pode trazer melhorias significantes de diversos sintomas. Agora estamos investigando os mecanismos cerebrais ocultos que facilitam a ocorrência desta mudança”, disse a pesquisadora.
O estudo será publicado na edição de 30 de janeiro da revista especializada Psychiatry Research: Neuroimaging.
The New York Times - 28/01/2011

O estresse mata os neurônios

Acredite: indo contra a corrente de que sempre podemos aumentar a qualidade e complexidade dos neurônios, existe uma síndrome da vida moderna que faz exatamente o contrário.
O estresse contínuo (sem espaço para o relaxar, o prazer, a "curtição") pode desencadear a morte dos neurônios.
O estresse na sua medida é importante, pois nos impulsiona, nos faz crescer. Uma pessoa sem desafios vai ficando desanimada e a vida sem sabor. Nada que ver.
Mas, com a vida moderna que é super desafiadora e acelerada, o estado de tensão e estresse é constante e elevado, e neste caso, uma série de sintomas e doenças começam a dar sinais de que algo não está bem: dificuldade de aprendizado, esquecimentos, baixa vitalidade, acidentes, insônia, indigestões, taquicardias e até infertilidade.
Agora, cientistas de dois importantes centros de pesquisa paulistanos, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), descobriram mais um efeito nocivo, para não dizer devastador do estresse: estados de tensão permanente provocam inflamação no cérebro, que se crônica, pode levar os neurônios (as células cerebrais) à morte.
Onde acontece principalmente?
  • No hipocampo, área da massa cinzenta associada à memória,
  • No córtex frontal, responsável pelos raciocínios mais complexos.
Fonte: Mantenha seu cérebro vivo - Lawrence Katz Ph. D. e Manning Rubin - Editora Sextante.
Os danos causados pela morte gradual dessas células nervosas podem ser desde pequenos esquecimentos (lapsos de memória) até doenças degenerativas, como Mal de Alzheimer e Mal de Parkinson.
Na verdade, quando a vida e a saúde estão em harmonia, o estresse “normal” é encarado de forma saudável, ou seja, na medida certa, faz o corpo liberar os famosos cortisóis, família de hormônios que funcionam com ação antiinflamatória. Em pequena quantidade, bem entendido. Mas, quando a carga destes cortisóis é freqüentemente excessiva, o efeito será exatamente o oposto – quadros inflamatórios e morte dos neurônios por cansaço.
Em situação crônica de estresse, acontece um círculo vicioso de tensão constante, com mudanças na estrutura das células nervosas, potencializando sua fragilização e morte.
Uma hilária ironia: neste desencadear, é a inteligência (da defesa, da preservação) que está destruindo os próprios neurônios.
Então, lá vem a vã filosofia: bom senso nunca faz mal a ninguém. Use as suas inteligências para tocar a vida de um jeito mais sábio, ou seja, dar-se tempo para parar e filtrar esta carga violenta de estímulos ao estresse.

SÁBIAS DICAS
Ria, brinque e relaxe – assista filmes de comédia, ouça e conte piadas, deixe a ludicidade invadir e contagiar sua vida, afinal, você não vai sair mesmo vivo dela! Hehe.
Medite – procure meditar alguns minutos por dia, pois este pequeno intervalo tem o poder de combater os efeitos negativos do estresse e resgatar a ótica da sua criança interna. Você pode caminhar em silêncio, observando cada detalhe do seu corpo e ao seu redor. Assim, você estará praticando uma atividade física associada com a meditação e o grande barato que é ficar em contato com a natureza. Conheça algumas técnicas de meditação no ícone Meditação
Pratique exercícios cerebrais – conheça boa parte deles com a leitura dos demais textos no ícone Exercícios & Testes
Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para a alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.
Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações e citada a autora e fonte.
Texto extraído do livro Simples Mente Feliz - Conceição Trucom - edição independente esgotada