quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Extratos de plantas bloqueiam desenvolvimento da inflamação no organismo

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Pesquisadores da Kingston University London, no Reino Unido, descobriram que extratos de plantas como o chá branco, hamamélis e a rosa são capazes de bloquear a progressão da inflamação no organismo.
 A inflamação tem um papel importante no início e no desenvolvimento de doenças que vão desde o câncer, diabetes e artrite até condições neuro-degenerativas e problemas cardiovasculares e pulmonares, além de influenciar o envelhecimento prematuro e a morte precoce.
"Por milhares de anos as pessoas têm usado remédios naturais para tentar curar doenças e preservar a juventude. Agora, as últimas pesquisas que realizamos sugerem que essas três plantas naturais possuem substâncias que podem levar a novos tratamentos contra a inflamação", afirma a pesquisadora Declan Naughton.
Para o estudo, Naughton e seus colegas testaram 21 extratos de plantas para avaliar a eficiência no combate ao câncer e também na batalha contra o envelhecimento.
 Dos 21 extratos, três - chá branco, hamamélis e rosa - mostraram um potencial considerável, com o chá branco exibindo os resultados mais marcantes. "Na verdade, parecia que beber um simples copo de chá branco pode muito bem ajudar a reduzir o risco individual de câncer, artrite reumatóide ou mesmo rugas associadas ao envelhecimento", relata Naughton.
Estimulada por resultados laboratoriais, a equipe decidiu testar se poderiam replicar os resultados em células da pele humana, olhando mais de perto a atividade antiinflamatória e antioxidante dos três extratos.
 Usando células da pele humana como modelo, eles adicionaram três concentrações diferentes de chá branco (folhas secas congeladas em pó), hamamélis (ervas secas) e extrato de rosa (em forma de tintura medicinal) para avaliar o efeito das misturas sobre enzimas supressoras e antioxidantes que desempenham um papel chave na progressão da inflamação, bem como no envelhecimento da pele. Como o maior órgão do corpo, a pele fornece uma barreira contra a radiação UV, produtos químicos, micróbios e contaminantes físicos.
 "Sabemos que quando a inflamação começa - seja ela um simples corte no dedo ou uma artrite - o corpo começa a produzir um composto chamado interleucina 8, que ajuda no processo inflamatório. Começamos analisando se havia uma maneira de desligar esse sinal, bloqueando assim a inflamação", escrevem os pesquisadores.
 Mesmo que pesquisas anteriores da equipe haviam sugerido que poderia haver alguns resultados promissores, os especialistas ficaram surpresos ao ver o quão bom as várias concentrações dos três extratos foram no combate è inflamação. "As últimas pesquisas reforçam a crença de que as plantas escondem o segredo da nossa beleza interior e exterior", concluem eles.

A fitoterapia é Pública

Texto: Raquel Marçal
Várias cidades brasileiras já oferecem à população acesso gratuito a dezenas de fitoterápicos
Há pouco mais de um ano, Betim, cidade de 377 mil habitantes na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ganhou um espaço de 440 metros quadrados, com móveis e equipamentos novinhos em folha. Trata-se da nova sede da Farmácia Viva, lugar onde a comunidade é orientada a respeito do uso correto das plantas medicinais e onde funciona um laboratório de manipulação de fitoterápicos que produz 73 formulações a partir de 27 plantas medicinais. Em Betim, o programa funciona desde 2004. Na época de sua implantação, recebia 400 receitas por mês, sempre prescritas pelos profissionais de saúde do município. “Hoje, atendemos 4,5 mil mensalmente, com a previsão de aumento de 100%, com a contratação de mais pessoal”, prevê a farmacêutica-chefe da unidade, Jaqueline Guimarães Carvalho.
Betim é uma das dezenas de cidades brasileiras que mantêm programas próprios para oferecer fitoterápicos na rede pública de saúde. O município mineiro é também um dos 12 recém-contemplados com recursos do Ministério da Saúde para serem aplicados em projetos locais de produção e distribuição de plantas medicinais e fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS). “O objetivo é aliar a saúde à sustentabilidade e ao desenvolvimento socioeconômico do país. Queremos mostrar que é possível desenvolver a cadeia produtiva com sustentabilidade”, explica o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. Quarenta e três prefeituras enviaram propostas pleiteando a verba de R$ 6,7 milhões, que será dividida entre Betim, Botucatu (SP), Brejo da Madre de Deus (PE), Diorama (GO), Foz do Iguaçu (PR), Itapeva (SP), João Monlevade (MG), Pato Bragado (PR), Petrópolis (RJ), Rio de Janeiro (RJ), Santarém (PA) e Toledo (PR).
O Ministério também financia 12 fitoterápicos industrializados, que devem ser adquiridos pelos estados e municípios interessados em disponibilizá-los à população. Atualmente, 14 estados fazem parte da parceria, porém o SUS ainda não tem informações sobre quantas cidades brasileiras ofertam os medicamentos em seus postos de saúde. Mas uma coisa é certa: para receber o fitoterápico, é preciso ter receita médica. E é justamente por causa dessa regra que o Ministério da Saúde promoveu em 2012 – e pela primeira vez – uma capacitação em parceria com a Associação Médica Brasileira de Fitomedicina (Sobrafito).
O curso foi realizado via internet e teve a participação de cerca de 300 médicos do SUS de várias especialidades, incluindo pediatras, ginecologistas, psiquiatras, ortopedistas e clínicos gerais. O próximo curso ainda não tem data prevista, mas segundo a Sobrafito, a expectativa é oferecê-lo duas vezes por ano. E já tem fila de espera. “Um curso médico de graduação possui 6.000 horas, das quais nenhuma é dedicada a medicamentos fitoterápicos na maioria das escolas”, diz o presidente da Sobrafito, Eduardo Pagani. “Para muitos é a primeira oportunidade de ter contato com esses conceitos.” O plano agora é incluir também farmacêuticos, enfermeiros e dentistas que trabalham na rede pública. Quanto mais profissionais conhecerem as vantagens da fitoterapia, melhor.
Os estados que aderiram ao programa de fitoterápicos do SUS
Acre, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo, Tocantins.
Fonte: Ministério da Saúde