sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O papel do microbioma na desnutrição

As bactérias intestinais erradas podem causar desnutrição.
Às vezes o que parece extremamente óbvio não procede. A desnutrição, por exemplo, é sabidamente causada por escassez alimentar. Ainda assim, como aponta um estudo publicado no periódico Science da semana passada por Jeffrey Gordon e sua equipe da Universidade Washington, em St Louis, esta nem sempre é uma explicação completa.
O time de Gordon vem observando gêmeos no Malaui. Há dois anos o grupo anunciou que apesar de ambos os membros de tais pares se alimentarem com a mesma dieta, um dos gêmeos frequentemente permanece saudável enquanto o outro sofre de desnutrição. Tal discordância é associada a diferenças nas bactérias intestinais de cada indivíduo. O estudo mais recente da equipe explora a natureza dessa descoberta.
As bactérias erradas
A resposta parece se encontrar parcialmente no papel que as bactérias desempenham no fornecimento de nutrientes ao corpo e parcialmente na inibição da rota bioquímica conhecida como ciclo de Krebs, que se encontra no centro do metabolismo de todos os organismos. O ciclo de Krebs transfere a energia do açúcar para uma molécula chamada ATP, a moeda de troca de energia do corpo. Interferências nessas moléculas fazem com que todo o metabolismo desacelere. E, quando uma criança tem as bactérias erradas em seu intestino, é isso que parece acontecer.
Gordon e sua equipe acompanharam 317 pares de gêmeos do Malaui pelos três primeiros anos de suas vidas. Na metade desses pares, ambos os gêmeos sobreviveram. Em 7%, ambos ficaram desnutridos. No restante, no entanto, um gêmeo parecia estar bem nutrido enquanto o outro tinha sintomas de desnutrição.
O estudo acrescenta uma peça à nascente ciência da medicina microbiômica, em que a vida dos passageiros bacteriais portados pelas pessoas são tratadas com a devida consideração para evitar que eles se virem contra seus hospedeiros e os prejudiquem.
* Com informações da The Economist.
** Publicado originalmente no site Opinião e Notícia.

Tempo ocioso é fundamental para revigorar o corpo e a mente

Executar atividades conhecidas como um "sinal de tédio" pode fazer com que as pessoas fiquem fisicamente alertas. Foto: Kaptain Kobold
Vida corrida, horário para chegar e para sair, vício do celular e redes sociais, TV ligada, buzinas e 1001 coisas para fazer. Que tal deixar tudo isso de lado e induzir o cérebro ao descanso, sonhar acordado e se desligar de tudo por algum tempinho? Embora não pareça, o tempo ocioso é fundamental para a revigoração do corpo e da mente.
Pesquisadores norte-americanos defendem que o tédio é uma maneira do cérebro comunicar que a pessoa deveria estar fazendo alguma coisa e, por isso, há mais chances de aprender como se divertir e ganhar auto-controle.
O professor de neurociência Mark Fenske, da Universidade de Guelph, em Ontario, explicou ao jornal New York Times, que executar atividades conhecidas como um “sinal de tédio”, a exemplo de fazer rabiscos, pode fazer com que as pessoas fiquem fisicamente alertas. Ele também comentou que a inquietação das crianças com o tédio pode ajudá-las a intensificar os aprendizados e absorver mais informações.
De acordo com uma pesquisa, publicada no segundo semestre de 2012, no periódico Perspectives on Psychological Science, quando as pessoas estão descansando ou desligados das atividades cotidianas, o cérebro entra no chamado “modo padrão” ou “default”, que está relacionado aos componentes do funcionamento socioemocional, como autoconhecimento, julgamentos morais, desenvolvimento do raciocínio e construção de sentido do mundo que nos rodeia.
“O foco para dentro afeta a maneira como construímos memórias e sentidos e o modo como transferimos o que aprendemos para novos contextos. O equilíbrio é necessário entre a atenção exterior e interior, já que o tempo gasto com a mente vagando, refletindo e imaginando também pode melhorar a qualidade da atenção externa que as crianças podem sustentar”, explicou uma das autoras da pesquisa, a professora Mary Helen Immordino-Yang, da Universidade do Sul da Califórnia.
* Publicado originalmente no site EcoD.