quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Dieta com alimentos do Brasil reduz risco cardíaco

A ideia é simples: substituir os alimentos da dieta mediterrânea por ingredientes brasileiros, mais baratos, respeitando as características regionais do País. Foi assim que nasceu a dieta cardioprotetora brasileira, num projeto do Hospital do Coração (HCor) em parceria com o Ministério da Saúde.
Os resultados, publicados em dezembro na revista científica Clinics, são otimistas: mostraram que os pacientes que receberam a dieta adaptada conseguiram perder peso e reduzir os índices de pressão arterial, a glicemia, o triglicérides e o índice de massa corporal (IMC).
Pacientes dos grupos-controle, que receberam a dieta mediterrânea, também melhoraram os índices, mas de maneira menos intensa. Agora a pesquisa será ampliada e realizada em 40 hospitais do Brasil, exclusivamente com pacientes do SUS.
A dieta mediterrânea é reconhecida por seu efeito protetor ao coração. Ela é composta por alimentos típicos de países banhados pelo Mar Mediterrâneo e baseada no alto consumo de peixes, frutas, legumes, cereais e azeite. Também estimula o consumo moderado de vinho.
Como parte desses alimentos é importada e cara para a população em geral, a proposta do ministério ao HCor foi a de criar um cardápio que conseguisse adaptar a dieta mediterrânea aos hábitos alimentares brasileiros, especialmente às pessoas das classes C e D, e testar se essa adaptação promoveria o mesmo efeito cardioprotetor.
"Essa é uma dieta direcionada para um público mais vulnerável, por isso precisava de uma abordagem especial. A gente espera aumentar a adesão por ser financeiramente mais acessível, já que valoriza alimentos regionais", diz Eduardo Fernandes Nilson, coordenador-substituto de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.
A equipe de nutricionistas do HCor adaptou mais de cem receitas à realidade brasileira: salmão e atum foram trocados por pescada e sardinha; azeite extravirgem por óleo de soja; nozes por castanhas do Pará; queijo branco no lugar do amarelo; e leite desnatado em vez de integral.
"Temos grande diversidade de legumes, verduras, frutas e peixes. Selecionamos esses alimentos, disponíveis no Brasil inteiro, e adequamos para uma dieta", afirma Maria Beatriz Ross, nutricionista do Hcor.
Bandeira do Brasil
O cardápio adaptado contempla todos os tipos de alimentos. O diferencial é que eles foram divididos em três cores, de acordo com a bandeira brasileira: verde (frutas, verduras, legumes e desnatados), amarelo (pães, massas, arroz e batata) e azul (carnes, peixes e aves). A ideia é pensar na bandeira na hora de montar o prato, respeitando a proporção das cores.
"Alimentos do grupo verde devem ser consumidos em maior quantidade, os amarelos de forma moderada e os do grupo azul em menor quantidade. Usamos a bandeira como referência para facilitar o entendimento e a adesão dos pacientes", diz Beatriz.
Para iniciar o projeto-piloto, o hospital selecionou 120 pacientes após evento cardiovascular. Eles foram divididos em três grupos: um recebeu a dieta adaptada e orientação da nutricionista toda semana; outro recebeu a dieta mediterrânea e orientação semanal; e o último recebeu dieta mediterrânea e acompanhamento nutricional mensal.
Eles foram monitorados por três meses. "A ideia era avaliar os efeitos bioquímicos nos pacientes que receberam a dieta adaptada e descobrir a influência do acompanhamento da nutricionista no processo", diz.
Segundo Beatriz, os resultados da fase-piloto são animadores porque mostram redução dos fatores de risco em todos os pacientes do grupo que recebeu a nova dieta. "O número de pessoas com sobrepeso e obesidade no grupo que teve a intervenção da dieta adaptada caiu, o que não aconteceu de maneira significativa nos outros grupos."
A redução da pressão arterial também surpreendeu as pesquisadoras. "Todos tomam medicação para controlar a pressão. Ainda assim, os índices melhoraram, o que mostra que uma alimentação saudável e acessível pode ajudar a pessoa a reduzir o uso de remédios", avalia.
Carlos Magalhães, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), apoia a proposta. "Por enquanto, a dieta mediterrânea é a que mostra melhores resultados na prevenção de eventos cardiovasculares. Se conseguirmos adaptá-la à nossa realidade, será muito mais fácil conseguir a adesão da população", diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Combinações de ervas medicinais são tão eficazes quanto remédios tradicionais

O único remédio eficaz contra a malária foi descoberto a partir de um estudo da medicina tradicional chinesa.
Naturais e eficazes
Produtos naturais, normalmente chamados de plantas medicinais, podem ser tão eficazes quanto os medicamentos industrializados para tratar infecções ou mesmo leucemia.
A única dificuldade é encontrar a combinação correta das ervas para cada enfermidade.
Uma equipe de cientistas das universidades de Cingapura e Tsinghua (China) fizeram um estudo inédito avaliando combinações de 124 ervas medicinais usadas pela medicina tradicional chinesa.
Eles comprovaram que certas combinações dos medicamentos naturais podem ser tão eficazes quanto os medicamentos alopáticos comuns contra doenças específicas.
O trabalho, liderado pelo Dr. Chen Yu Zong, foi publicado na última edição da revista científica PLOS ON
Ervas medicinais batem remédios tradicionais
A pesquisa mostrou que ingredientes ativos de produtos naturais combinados podem alcançar o mesmo nível de potência que os fármacos sintéticos anticancerígenos e antibacterianos.
A diferença é que os medicamentos naturais têm de ser tomados em quantidades maiores ou por um período de tempo mais longo.
Em compensação, eles não produzem os efeitos colaterais dos remédios comerciais.
As combinações incluíram a fórmula natural da medicina tradicional chinesa conhecida como Realgar-Índigo, voltada para o tratamento da leucemia, Wedelia chinensis, um anti-inflamatório natural, e chá preto, usado no Japão para o tratamento da gastroenterite.
Combinações corretas
"Tem havido alegações de que os produtos naturais simplesmente teriam um efeito placebo. Em nosso estudo, nós analisamos mais de 100 tipos de combinações de produtos naturais que são consideradas como os melhores e descobrimos que é possível fazer com que os produtos naturais alcancem a mesma eficácia que as drogas feitas pelo homem," disse o Dr. Chen.
"No entanto, a probabilidade de encontrar essas combinações com base nos métodos tradicionais é baixa (abaixo de 3%) já que os produtos naturais têm que ter a potência suficiente e tomados na combinação correta," ressalvou ele.
O grupo planeja prosseguir o estudo, em particular para determinar como alcançar, com os medicamentos naturais, o mesmo nível de eficácia que as drogas sintéticas.
Segundo os pesquisadores, os resultados já obtidos estabelecem as bases para novos estudos sobre como obter as combinações corretas entre as plantas medicinais, ou mesmo para combinar os medicamentos naturais com os medicamentos sintéticos.