domingo, 24 de fevereiro de 2013

Para viver mais, Dieta!

Por: Liliam Raña
Dieta serve para manter, perder ou ganhar peso, prevenir doenças, melhorar a qualidade de vida, além de outras diversas especificidades que também podem estar aliadas a uma simples filosofia de vida qualquer. Esportistas, por exemplo, adotam dieta adequada para melhorar desempenho em suas atividades.
Já os mais naturalistas acabam adotando uma alimentação, como a macrobiótica, baseada no consumo de alimentos integrais. Seja qual for a dieta o objetivo é único, ter mais saúde.
Se as pessoas têm suas necessidades alimentares diferenciadas, principalmente de acordo com características próprias e estilo de vida, um grupo de está ganhando cada vez mais atenção dos nutricionistas é o idoso. Isso porque o Brasil está envelhecendo rápido, à semelhança dos demais países latino-americanos. A estimativa para 2025 é de quase 32 milhões de pessoas acima de 65 anos. "A partir dos 75 anos o cuidado com a alimentação deve ser redobrado. Mas, nos países com problemas sócio-econômicos a atenção começa aos 65, 70 anos; são os idosos fragilizados", diz o diretor da Associação Brasileira de Nutrologia, o nutricionista Nelson Iucif Jr.
Além da preocupação em remediar, restaurando as carências nutricionais devido a fatores externos, os nutricionistas também fazem coro à prevenção. "A nutrição está associada à expectativa de vida, a prevenção dos riscos de doenças que surgem com o envelhecimento", conta a presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais (SBAF) e professora titular de Nutrição da Esalq-USP (Piracicaba-SP), Jocelem Mastrodi Salgado. "Aliás", lembra ela, "é bom ressaltar que já a partir dos 30 anos começa a perda de colágeno que se agrava aos 50, com a menopausa." É após os 45 anos que essas mudanças hormonais exigem a primeira redução de calorias, para facilitar o metabolismo, evitar obesidade e, conseqüentemente, afastar o risco de doenças. O cardápio sofre as primeiras alterações. Verduras, legumes e frutas devem ser priorizados. A gordura animal, ovos e embutidos, reduzidos. Leite desnatado, queijo magro e iogurte são as fontes de cálcio. O essencial ômega 3, que hoje é utilizado para combater vários males, pode ser encontrado no atum e salmão, além das nozes e óleos vegetais.
O CORPO Os fatores sócio-econômicos não são os únicos responsáveis pela deficiência nutricional do idoso. Na velhice, ocorrem mudanças progressivas no organismo que reduzem funções fisiológicas. "Ao contrário do desenvolvimento, que acontece na criança, o envelhecimento não tem um ritmo previsto", ressalta Iucif. Entre as mudanças mais comuns estão a redução do metabolismo, alterações no funcionamento digestivo e na percepção sensorial e a diminuição da sede. "Outros fatores também são desencadeados pela ingestão habitual de medicamentos. O idoso tem sempre uma doença, a maioria tem três ou mais. Isso interfere na absorção e no metabolismo de nutrientes." A qualidade de vida depende desse metabolismo eficiente. Quando o idoso não consegue, por qualquer motivo, absorver os nutrientes necessários, os especialistas utilizam-se dos suplementos. É o caso da ingestão recomendada de 1500 mg de cálcio diariamente. Como a quantidade é grande, as cápsulas entram em ação. Outro exemplo do uso dos suplementes é quando o paciente precisa do selênio, mas não gosta (ou não pode) de comer castanha. Vale lembrar também os casos em que a substituição de alimentos não é eficaz, como a Vitamina B12, de origem animal. Sua carência pode causar anemia e problemas neurológicos.
Há casos em que suplementos são injetáveis. A atenção especial volta-se para os "corpos fragilizados", mais comuns a partir dos 70 anos. Nessa fase, o organismo sente o efeito da alimentação de toda a vida até então, e, conseqüentemente, as ausências nutricionais. "Temos duas idades e nem sempre uma corresponde à outra. O fumo, o álcool, a alimentação desequilibrada e a exposição solar excessiva nos envelhecem mais rápido. A idade cronológica será uma, a fisiológica, outra", destaca Jocelem.
REEDUCAÇÃO Para chegar lá bem, voltemos aos 30 anos quando começamos nosso envelhecimento e a alimentação precisa ser mudada. As gorduras devem ser reduzidas, frituras têm de ser evitadas. O azeite virgem é bom para as artérias, mas nada de preparar pratos! As fibras são excelentes. É preciso moderação no consumo de álcool, açúcar, sal e gordura. Medidas úteis para evitar, no futuro, doenças cardiovasculares e câncer de mama e próstata.
Os nutrólogos ressaltam que a mudança gradual é a arma para a reeducação alimentar. "A velocidade que o paciente vai aderir é subjetiva. É preciso considerar a personalização do cardápio e priorizar as mudanças que precisam ser feitas", revela a nutricionista Roseli Rossi, autora de "Saúde & Sabor com Equilíbrio" (Clínica Equilíbrio Nutricional). "Negocio. Peço diminuição de doses no consumo de álcool ou a substituição de alimentos, adequando as possibilidades do paciente." Segundo Roseli, muitos acabam eliminando os maus hábitos por conta própria ao perceber os benefícios da mudança. "É preciso saber modular, ter tato para saber que o alimento é também a história do paciente." A avaliação detalhada, além de considerar hábitos que já estão enraizados, deve identificar as necessidades bioquímicas. A dieta adequada vai corrigir disfunções e resgatar o equilíbrio físico e mental.
OBSTÁCULOS Os especialistas afirmam que uma das características da população idosa no País é o baixo poder aquisitivo, afetando a nutrição devido a uma monotonia alimentar. Grande parte dos idosos também consome alimentos de menor custo porque seus recursos são provenientes de aposentadorias e pensões. A ausência familiar e exclusão social também contribuiriam para a dieta inadequada, em qualidade e quantidade. As deficiências fisiológicas representam um obstáculo no preparo de refeições. Tão grave quanto esses aspectos, são problemas relacionados à autonomia do idoso. Uma pesquisa da nutricionista Denise Costa Coitinho já apontava em 1991 que, exatamente na velhice, quando o idoso precisa de maior apoio, verifica-se a redução dessa assistência, um isolamento. Para a professora Jocelem, a assistência será um problema ainda maior, principalmente se verificada as condições na Saúde Pública hoje. "O governo precisa de ação rápida e orientada porque chegará a um ponto que não terá como atender as pessoas acima de 60 anos". Em 2025, serão 14% de idosos no Brasil.
BOXE SUPERALIMENTOS Brócolis e couve-flor contêm substâncias que impedem o avanço dos radicais livres, que causam tumores; também combatem úlcera e gastrite; Abóbora, ervilha e tomate contêm carotenóides que são mencionados como protetores da próstata, combatem a infertilidade, principalmente entre homens, e o câncer de mama; também ajudam a diminuem doenças cardiovasculares; Uva, pimenta e cebola contêm fenólicos, antioxidante que está envolvido na prevenção de diversas doenças, reforçam cartilagem, reduzem risco de derrame, bloqueiam formação de pedras nos rins e ajudam conter o avanço de doenças degenerativas no cérebro; Abacate, sardinha e castanha possuem ômega 3, que reduzem o nível de triglicérides, aumenta o bom colesterol, diminuem o risco de doenças nervosas degenerativas, combate depressão, baixam a pressão arterial, e diminuem o açúcar no sangue; Aveia, vagem e manga são protetores do coração. As fibras ajudam evitar pancreatite e combatem infecções intestinais; Banana, mamão e feijão têm ácido fólico, vitamina C e potássio, que ajudam baixar a pressão. A vitamina E reduz o risco de diabete tipo 2, também diminuindo o risco de ataque cardíaco.

Consumo de carotenóides é insuficiente

Pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, revela que o consumo de carotenóides entre brasileiros é abaixo da média considerada ideal. O consumo dessas substâncias tão importantes para a saúde é proporcional à renda e escolaridade da pessoa. Os carotenóides também são indicadores de uma alimentação saudável e balanceada e seu baixo consumo é o reflexo de reduzida ingestão de frutas e hortaliças, consideradas fontes importantes de nutrientes e fibras.
Segundo o mestre em ciência e tecnologia de alimentos, Rodrigo Dantas Amâncio, o Brasil encontra-se em uma fase de transição nutricional. Neste período, os problemas de sobrepeso coexistem com a inanição e problemas relacionados à desnutrição. “Em 2008 e 2009, os índices de déficit de peso reduziram drasticamente e a obesidade dobrou na população adulta feminina e está quatro vezes maior na população masculina adulta, se comparados com dados da década de 1970”, aponta o pesquisador. Apesar de conseguir alimentar-se mais, o brasileiro não está necessariamente se alimentando melhor.
Os carotenóides podem ser consumidos a partir da ingestão de frutas, legumes e verduras, podendo contribuir para retardar e até mesmo prevenir diversos tipos de doenças e suprir a falta de vitaminas. “Os níveis prudentes de ingestão de carotenóides totais são de 9.000 a 18.000 microgramas por dia. A pesquisa revelou que a média de consumo nacional foi de 4.117 microgramas por dia, abaixo dos valores preconizados como seguros”, registra Amâncio. Para suprir o valor indicado bastaria comer um prato de salada de agrião, brócolis e cenoura e, como sobremesa, escolher uma fruta como manga ou pêssego. Entretanto, mais que apenas isso, recomenda-se o aumento no consumo destes alimentos nas refeições realizadas ao longo do dia, sobretudo quando o a refeição é realizada fora do domicílio.
O sobrepeso pode causar doenças crônicas não transmissíveis como câncer, hipertensão, doenças cardíacas e diabetes, que são as principais causas de morte no País. Enquanto isso, a carência de nutrientes na dieta pode trazer problemas como a hipovitaminose A, que consiste em uma insuficiência de vitamina A no organismo, podendo levar até mesmo à cegueira.
Para evitar tanto um extremo quanto o outro, a ingestão de carotenóides é indispensável. Segundo o pesquisador, “o consumo de substâncias bioativas, como os carotenóides (alfa-caroteno, beta-caroteno, beta-criptoxantina, licopeno, luteína e zeaxantina), são considerados antioxidantes podendo prevenir as doenças crônicas não transmissíveis”. Alimentos como tomate e seus derivados, manga, cenoura, acerola, cajá, goiaba, mamão, abóbora, alface, agrião, couve e milho são apenas alguns exemplos de alimentos ricos em carotenóides.
A pesquisa teve âmbito nacional e o objetivo foi analisar e conhecer o consumo de carotenóides de acordo com região, sexo, faixa etária, escolaridade e Índice de Massa Corporal (IMC). Foram analisados 34.003 casos de pessoas a partir de 10 anos de idade de todo o Brasil. Os dados utilizados na pesquisa foram obtidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde, por meio da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009.
Contrastes
As pessoas consideradas obesas — cujo IMC é maior ou igual a 30 — são consideradas um grupo de risco no que diz respeito ao desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis. A pesquisa mostrou que, apesar da necessidade, este grupo não ingere nem metade da quantidade adequada. Quando é analisado o consumo de carotenóides fora do domicílio, esse é o grupo que menos ingere as substâncias, em relação ao consumo total.
Também ocorre consumo inadequado dos carotenóides entre os jovens com idade entre 10 e 19 anos. O consumo dessas substâncias é essencial principalmente nesse período da vida, em que a pessoa encontra-se em desenvolvimento e a necessidade de nutrientes que evitem futuras doenças é maior.
A pesquisa também avaliou o consumo de carotenóides conforme classes sociais. O resultado é alarmante: pessoas com as melhores renda e escolaridade possuem informação e recursos que as possibilita uma alimentação melhor e mais balanceada. “Já a população de baixa renda e baixa escolaridade tem consumido alimentos de elevada densidade energética (doces, refrigerantes e frituras, por exemplo) e menor custo”, explica Amâncio. Quando comparando as regiões do Brasil, é possível identificar a região norte com as menores proporções de consumo nas refeições em domicílio. Se considerar a ingestão fora do lar, esta é a zona responsável pelas maiores percentagens, em relação ao consumo total.
“O Brasil possui condições climáticas favoráveis à produção de alimentos carotenogênicos e uma biodiversidade muito rica. Mesmo assim, os alimentos típicos desta biodiversidade não estão entre os mais ingeridos pela população”, observa Amâncio.
Uma preocupação do pesquisador é a substituição de alimentos como frutas e verduras por alimentos industrializados, com altos teores de açúcares, gorduras e sódio. Uma alimentação saudável é essencial para a qualidade de vida da população e a educação nutricional é uma intervenção que se faz necessária no cenário atual brasileiro.