terça-feira, 12 de março de 2013

Aumento acesso à acupuntura pelo SUS

Acupuntura no SUS
A quantidade de aplicações de acupuntura em pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado de São Paulo cresceu 567% de 2007 a 2011, último ano com dados consolidados.
De acordo com números da Secretaria de Estado da Saúde houve, em 2011, 264,4 mil aplicações da técnica nos serviços públicos do estado, ante 39,6 mil em 2007.
"O custo das sessões não é tão elevado em relação, por exemplo, a alguns medicamentos de alto custo para dor crônica. A acupuntura acaba sendo uma técnica segura, eficaz e de custo relativamente baixo", disse a médica Rebeca Boltes Cecatto, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo,
Crescimento da acupuntura
"A acupuntura é muito eficaz e tem bastante respaldo na literatura médica para o tratamento da dor, assim como o vômito, distúrbios do sono e da ansiedade. O que é importante ficar claro é que a técnica auxilia no tratamento dos sintomas, mas ela não trata a doença", disse a médica.
Acupuntura muda percepção e processamento da dor no cérebro
Atualmente, 221 unidades de saúde no estado fazem consultas ou sessões de acupuntura, que pode ser indicada ainda para lombalgias, hérnias de disco, enxaquecas e artrites.
O número de aplicações de acupuntura é crescente ano a ano.
Em 2008 foram feitas 95,9 mil sessões de acupuntura; em 2009, 129,9 mil e, em 2010, 202,3 mil. Em 2012, a média mensal indica crescimento de 11% em relação a 2011, com a aplicação, até setembro, de 219,9 mil sessões.
Acupuntura para pacientes com câncer
O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo oferece o tratamento de acupuntura para os pacientes que são tratados e acompanhados pelo hospital.
As principais recomendações de acupuntura para os pacientes oncológicos são para o controle de náusea e vômitos, boca seca, insônia, ansiedade e dormência de pés e mãos.
"Uma das principais vantagens é que a acupuntura tem muito pouco efeito colateral, diferente de tomar uma medicação, que sempre tem algum efeito colateral. A técnica, quando bem indicada e bem aplicada, feita por um profissional com conhecimento, praticamente não tem risco, não tem efeito colateral," assegura a médica
Acupuntura supera tratamento convencional em problemas odontológicos

Mente quieta, saúde em alta

Meditar exige disciplina e muito esforço. Passamos muito tempo cuidando do mundo externo. Mas é preciso reservar um tempo do dia para a higiene não só física, mas também mental
Por Gilbert Bang*
Você passa boa parte do dia e da noite envolvido com inúmeras atividades. Mas qual é o momento em que você dá uma parada, mesmo que rápida, para pensar em si mesmo? Se você pensou que isso ocorre antes de dormir, a resposta não valeu. Geralmente, o dia foi tão atribulado que esse não é o melhor momento para se cuidar. O corpo está tenso, os pensamentos a todo o vapor e você dificilmente alcança os benefícios de estar sozinho consigo.
Parar, nem que seja por dez minutos, e se concentrar em algo que faz bem parece, para muitos, uma perda de tempo. Pedir que alguém se desligue de tudo que precisa ser feito – e aquietar a mente por poucos minutos – pode ser um martírio. Entretanto, muitos já se renderam aos benefícios da meditação, uma boa alternativa para desconectar-se do mundo exterior e concentrar-se apenas em si. Tanto para acalmar os pensamentos e ter condições de tomar decisões importantes com mais tranquilidade quanto para experimentar um momento exclusivamente seu.
Algumas pessoas podem ter a impressão de que quem medita “não está fazendo nada”. Ao contrário: meditar exige muita disciplina e, consequentemente, esforço. Passamos muito tempo da vida cuidando do mundo externo. Justamente por isso, deveríamos reservar um tempo do dia para o autocuidado e para a higiene não só física, mas também mental.
A meditação nada mais é do que um exercício de atenção concentrada, que pode ser realizado por qualquer pessoa, independentemente de idade, gênero ou crença. Cada técnica – e vale lembrar que há milhares delas – tem objetivos específicos. De qualquer forma, o foco é vivenciar o momento presente, buscar o relaxamento e o crescimento pessoal e espiritual.
As técnicas meditativas podem ter como meio de concentração ritmo respiratório, sons, objetos, movimentos e visualização de imagens. Não é preciso meditar apenas sentado, da forma clássica como a maioria das pessoas imagina. Há técnicas de meditação ativa que podem ser realizadas enquanto a pessoa está andando.
Durante a meditação, as ondas cerebrais de baixa frequência (alfa, teta e delta), que estão relacionadas ao estado de relaxamento, tomam conta do cérebro. Em contrapartida, as ondas beta, de alta frequência – que se relacionam com o estado de vigília ou atividade normal –, aparecem em menor quantidade. Com o cérebro tomado por ondas de baixa frequência, o organismo todo desacelera: diminuem a frequência cardíaca, a pressão arterial e o ritmo respiratório. Os efeitos não são sentidos apenas de forma fisiológica. O lado emocional também é afetado de forma benéfica. Entre as sensações descritas por meditadores estão o relaxamento mental, a paz interior, a felicidade, a satisfação, a harmonia e a menor tendência a perder o controle diante de situações inusitadas.
Cada vez mais, a medicina comprova os benefícios de terapias alternativas – entre elas, a meditação. Prova disso é o crescente número de pesquisas sobre o tema, muitas delas feitas no Instituto Henry Benson de Medicina para Mente/Corpo, coligado à Universidade de Harvard, nos EUA. Lá, os médicos receitam meditação para pacientes com hipertensão arterial, problemas cardíacos, insônia e dores – inclusive as crônicas.
Nos pacientes com transtornos de ansiedade e depressão, por exemplo, a meditação ajuda a reduzir o medo da doença e a aumentar a qualidade do sono e a concentração. Para os pacientes oncológicos, os benefícios são demonstrados no controle da ansiedade tanto no diagnóstico quanto no tratamento.
Recomendo a todos a meditação. A reação será positiva. É essencial, porém, o esclarecimento sobre a técnica, efeitos e rotina necessária para alcançar os objetivos.
* Médico fisiatra do Centro de Reabilitação do Hospital
Israelita Albert Einstein (HIAE)