sexta-feira, 12 de julho de 2013

Açafrão protege pulmões de bebês prematuros

A cúrcuma, mais conhecida como açafrão, já é bem conhecida pelos seus valores medicinais.
Os estudos mais recentes comprovaram a eficácia do composto natural para reforçar o sistema imunológico, para tratar o câncer de pele e para evitar a metástase do câncer.
Agora, uma nova pesquisa descobriu que a curcumina - um componente do açafrão - pode fornecer proteção duradoura contra lesões pulmonares potencialmente fatais em bebês prematuros.
Oxigenoterapia
Bebês prematuros muitas vezes precisam da ajuda de ventiladores e oxigenoterapia forçada porque eles frequentemente nascem com a função pulmonar debilitada. Estas terapias podem salvar vidas, mas também podem causar danos duradouros nos pulmões, danos eventualmente fatais.
Os pesquisadores agora demonstraram que a curcumina pode oferecer proteção a longo prazo contra esses danos.
Esta é uma notícia particularmente entusiasmadora porque não existem terapias alternativas para tratar essas crianças.
Nos experimentos, a curcumina proporcionou proteção contra a displasia broncopulmonar, uma condição caracterizada por cicatrizes e inflamações nos pulmões, e contra a hiperoxia, em que o corpo recebe oxigênio demais pelos pulmões, até 21 dias após o nascimento.
"Este é o primeiro estudo a identificar benefícios a longo prazo do uso da curcumina para proteger a função pulmonar de bebês prematuros", disse Virender Rehan, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, um dos autores do estudo, publicado no American Journal of Physiology.
"A curcumina é conhecida por sua potente ação antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana, o que a torna uma terapia promissora para bebês prematuros que necessitam de terapia de oxigênio após o nascimento," concluiu Rehan.

Herança química

http://agencia.fapesp.br/14289
Elton Alisson - Agência Fapesp 
 Nas civilizações antigas são encontrados os primeiros relatos da utilização de plantas para a elaboração de perfumes, medicamentos e outros produtos para fins cosméticos, de alimentação, religioso e funerário, entre outros.
Hoje, com os avanços em pesquisa e desenvolvimento de novos processos para obtenção de substâncias químicas naturais e sintéticas, as indústrias continuam descobrindo novos compostos a partir de muitas das plantas descritas há séculos.
São compostos como terpenos, alcaloides e flavonoides, para utilização in natura ou para o desenvolvimento de novos aromas e fragrâncias, fármacos e outros produtos.
A avaliação foi feita pelos palestrantes do quinto encontro do Ciclo de Conferências do Ano Internacional da Química – 2011, que teve como tema “A química doce, amarga e perfumada”, realizado em 3 de agosto no auditório da FAPESP.
De acordo com a professora do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Cláudia Rezende, que abriu o ciclo de conferências e abordou a “química perfumada”, os primeiros relatos conhecidos sobre a aplicação de aromas na Antiguidade vêm do Egito, onde nos templos existiam laboratórios para produção de unguentos e incensos.
“Apesar de, na época, ainda não existir o processo de destilação, os egípcios produziam um composto macerado, chamado kyphi, à base de ingredientes como menta, açafrão, zimbro, vinho, mel, resina, passas e mirra, que era a receita tanto de um incenso quanto de um perfume e um medicamento”, disse.
Um dos produtos derivados de uma das plantas que compõem esse composto, a Mentha arvensis L., que está sendo alvo de muitas pesquisas na atualidade, é o mentol.
Como o composto orgânico obtido da extração do óleo da planta e de outros óleos essenciais tem alguns efeitos indesejáveis nos produtos em que é aplicado – como odor intenso, gosto amargo e irritar os olhos –, as indústrias fabricantes de aromas e fragrâncias começaram a buscar nos últimos anos novos agentes refrescantes por diferentes rotas para substituí-lo.
Uma das abordagens, segundo Rezende, tem sido a avaliação da refrescância da série de isômeros do mentol, compostos com a mesma fórmula molecular, mas com arranjos atômicos diferentes. Outra alternativa são estudos para o desenvolvimento de mentol sob condições de liberação controlada em fumo. E a terceira via é o desenvolvimento de novas moléculas baseadas em estudos de estrutura e atividade do composto.
“Nos últimos anos, algumas empresas conseguiram sintetizar derivados do mentol, com maior refrescância e sem os efeitos negativos que ele possui, abrindo novas perspectivas para a aplicação do ingrediente”, disse a pesquisadora.
Amarga e doce
Outra substância obtida de planta com relatos de sua utilização na Antiguidade e que derivou uma série de compostos existentes atualmente é o ópio.
Conhecido como a primeira descrição de um sabor amargo na história dos sabores, a partir do composto foi obtido uma série de alcaloides –substâncias básicas derivadas principalmente de plantas –, em grande parte com sabor amargo e com aplicações em setores como a indústria farmacêutica.
“O ópio está presente em várias fases da história. Ele tem não só a morfina, como a codeína, que foi utilizada até os anos 1980 em xarope no Brasil, além da copadeína, da demaína e da heroína. Ele tem cerca de 23 alcaloides”, disse o professor Ângelo da Cunha Pinto, do Instituto de Química da URFRJ, que abordou no evento a “química amarga”.
Outra substância também derivada de um produto natural bem menos amargo do que o ópio tem o Brasil como maior produtor mundial: a cana-de-açúcar. E o país deveria se empenhar em transformá-la em outros produtos, além dos atuais, disse Vitor Ferreira, professor do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (UFF).
“Precisamos investir em pesquisa para desenvolver novas moléculas a partir da sacarose. O Brasil produz quase 5 milhões de toneladas desse dissacarídeo e usa uma parte muito pequena desse volume para produzir outros produtos que não o etanol”, disse.
Segundo Ferreira, alguns dos produtos de química fina nos quais a sacarose pode ser transformada são o ácido cítrico, acetona, butanol e ácido fumárico. “A sacarose é tão importante na química dos carboidratos que tem um nome especial: a sucroquímica, que é a química da sacarose”, disse.
Próximo evento
O próximo evento no Ciclo de Conferências do Ano Internacional da Química 2011, com o tema “Doenças negligenciadas e os desafios no desenvolvimento de novos medicamentos”, será realizado no dia 14 de setembro, a partir das 13h30, no auditório da FAPESP.
Promovido pela Sociedade Brasileira de Química (SBQ) em parceria com a revista Pesquisa FAPESP, o evento integra as comemorações oficiais do Ano Internacional da Química, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em inglês).
O ciclo é coordenado por Vanderlan da Silva Bolzani, professora do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro do comitê nacional de atividades do AIQ-2011 da SBQ, e por Mariluce Moura, diretora de redação da revista.