terça-feira, 20 de agosto de 2013

MEDICINA TRADICIONAL: O FUTURO APRENDENDO COM O PASSADO

A prática da Medicina Natural e Tradicional (MNT) ainda suscita um amplo leque de reações que vão desde o “entusiasmo acrítico” até o “ceticismo desinformado”, reconhece, em Havana, a doutora Martha Pérez Viñas, que sustenta que “devemos encontrar o ponto de equilíbrio que proporcione o benefício social”.
Minha entrevistada, Diretora Nacional de MNT do Ministério de Saúde Pública, revela que as publicações sobre estes temas “são ainda insuficientes”; para tanto, “as pesquisas devem continuar se estendendo”. No que diz respeito a Cuba, é valorizada a garantia de que sejam os profissionais de saúde, cada um dentro da sua especialidade, os encarregados pela prática dessa medicina.
As medicinas tradicionais são diferentes no contexto global, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) utiliza um enfoque amplo e inclusivo em sua definição. Cada país traz suas próprias definições segundo as características locais, históricas e sociais.
Em Cuba – diz Pérez Viñas –, a MNT é uma especialidade de perfil amplo com um enfoque integrador dos problemas de saúde que emprega a promoção, a prevenção, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação de pacientes com diversas modalidades dessa medicina.
Entre tais modalidades, Pérez Viñas cita a fitoterapia, a apiterapia, a Medicina Tradicional Asiática – que inclui a acupuntura e técnicas afins –, a massagem e os exercícios terapêuticos, a homeopatia, a terapia com florais de Bach, a hidrologia médica – que emprega lama, águas minero-medicinais e talassoterapia –, a ozonoterapia e a orientação nutricional naturalista.
Esclarece ainda que existem diferenças no emprego de cada uma dessas modalidades. Na prevenção de doenças ou na busca de uma melhora, recorre-se frequentemente à orientação nutricional naturalista e aos exercícios terapêuticos. Para cura ou tratamentos, são particularmente úteis a acupuntura, a fitoterapia, a apiterapia e a terapia floral; e os reabilitadores também empregam muito a hidrologia médica. A homeopatia também é utilizada internacionalmente em doenças de tipo epidêmico.
É bom lembrar que, nas Medicinas Tradicionais, existe um uso popular transmitido de geração para geração relacionado fundamentalmente com o emprego de recursos naturais (plantas, mel e derivados, águas e lamas), como todo fruto da experiência e da observação.
Também é de conhecimento geral que a quinina é extraída de material vegetal e que esse alcaloide segue sendo útil para o tratamento de muitas formas de paludismo; ou que outro alcaloide, a atropina, empregada em oftalmologia para dilatar a pupila ou como antiespamódico em infecções gastrointestinais, foi descoberta na planta Atropa belladona.
As diversas modalidades de MNT autorizadas em Cuba para uso no Sistema Nacional de Saúde, incluindo os produtos naturais empregados, estão validadas por pesquisadores e aprovadas pelo Birô Regulatório de Proteção à Saúde, porque, levanta a especialista, “são acessíveis, replicáveis, possuem segurança, eficácia e permitem um acompanhamento oportuno em seu controle de qualidade”.
Por isso, a especialista ressaltou a importante contribuição que os meios massivos de comunicação podem trazer para o desenvolvimento desses programas mediante uma divulgação responsável baseada nas experiências cubanas, que se fortalecem cada dia mais com “nossa cienticificidade”, e o aperfeiçoamento do processo de formação de recursos humanos para a prática assistencialista.
A diretora atual da OMS, Margaret Cham, fez um chamado a todos os seus membros para que “juntem medicina tradicional e oriental em formas altamente eficazes no sistema de atendimento básico”. Nosso país passa por esse caminho, garante a doutora Perez Viñas, para isso contamos com a força do sistema nacional de saúde.
A medicina natural e tradicional continua abrindo caminhos no mundo à medida que os cientistas descobrem suas infinitas possibilidades. É como se o futuro estivesse aprendendo com o passado.
JOSÉ A DE LA ROSA - Jornal Granma, quinta-feira, 15 de julho de 2010.

Óleo de peixe pode ajudar a retardar envelhecimento em idosos

Jonathan Ball
Da BBC News, em Aberdeen
Óleo de peixe rico em ômega-3 associado a exercícios pode retardar envelhecimento
A ingestão diária de ácidos graxos provenientes de óleos de peixe associada à prática de exercícios físicos ajuda a retardar o envelhecimento, sugere um estudo realizado na Universidade de Aberdeen, na Grã-Bretanha.
Os resultados da pesquisa mostraram que mulheres com mais de 65 anos que receberam doses diárias de ácidos graxos ricos em ômega-3 ganharam quase o dobro de tônus muscular após se exercitarem, quando comparadas com aquelas que ingeriam azeite de oliva.
Uma expansão do estudo está prevista para confirmar tais resultados e determinar com maior exatidão as razões da melhora da força muscular.
O processo de envelhecimento, conhecido como sarcopenia, implica numa perda muscular de 0,5 a 2% por ano e pode implicar em fraqueza e perda de mobilidade em idosos.
Há poucos dados sobre a incidência na Grã-Bretanha, mas informações provenientes dos Estados Unidos mostram que 25% das pessoas com idade entre 50 e 70 anos têm sarcopenia e isto aumenta para mais da metade daqueles com mais de 80 anos.
Para Stuart Gray, um dos líderes do estudo, o custo da sarcopenia é imenso, tanto pela necessidade de cuidado direto ou por internações hospitalares motivadas por quedas.
"Cerca de 1,5% do orçamento total de saúde americano é gasto com assuntos relacionados à sarcopenia", diz.
As conclusões dos pesquisadores estão sendo apresentadas no Festival Britânico de Ciência, em Aberdeen.
Estilo de vida e benefícios
A taxa de perda muscular é ditada, até certo ponto, pelo estilo de vida das pessoas, sobretudo o baixo consumo de proteínas e o sedentarismo, conhecidos fatores que aumentam o risco de desenvolver o problema.
Essas foram algumas das premissas levadas em conta quando Gray decidiu levar o estudo adiante, recrutando 14 mulheres de mais de 65 anos e dividindo-as em dois grupos.
Todas praticaram exercícios durante 12 semanas, em duas sessões de 30 minutos de movimentos focados nos músculos das pernas, mas metade ingeriu ácidos graxos EPA e DHA, ricos em ômega-3, e a outra metade recebeu um placebo de azeite de oliva para controle.
O tônus muscular das pernas dessas mulheres foi medido antes e depois do experimento, e na comparação, as idosas que ingeriram azeite de oliva aumentaram sua massa muscular em 11% enquanto as que receberam os óleos EPA e DHA tiveram aumento de 20%.
Mas nem todos os óleos de peixe apresentam estes benefícios, disse Stuart Gray em entrevista à BBC.
"Um dos problemas com muitos desses suplementos é que a quantidade de EPA varia. Uma cápsula contendo 1 grama de óleo de peixe pode conter somente 100 miligramas de EPA e outras podem conter 400 miligramas".
Ele aconselha que aqueles que desejam melhorar sua ingestão de ômega-3 deveriam ingerir suplementos que contenham os níveis mais altos de EPA e DHA.
Homens e mulheres
Os pesquisadores receberam financiamento para expandir o estudo, desta vez com 60 pessoas com mais de 65 anos, incluindo números similares de homens e mulheres.
O organizador da pesquisa diz que há diferenças quanto à capacidade de sintetizar proteínas e na resposta a exercícios físicos.
"As mulheres mais velhas têm capacidade de sintetizar proteínas similar a de mulheres mais novas, enquanto os homens mais velhos apresentam diminuição quando comparados aos mais novos. Homens mais velhos se adaptam à prática de exercícios e aumentam sua capacidade de sintetizar proteínas. As mulheres não conseguem fazer isso, em sua maioria, embora os níveis basais de síntese já sejam maiores".
Um dos principais objetivos da nova etapa do estudo é justamente determinar as diferenças entre homens e mulheres em relação à sarcopenia e sua prevenção.