sábado, 24 de agosto de 2013

Emoções criam relação universal entre músicas e cores

Parece haver uma conexão universal entre música e cores.
Esteja você ouvindo Bach ou um blues, seu cérebro fará a mesma associação da música com uma cor que outra pessoa de uma cultura totalmente diferente.
Por exemplo, o alegre Concerto Nº 1 para flauta, de Mozart, é associado com amarelo e laranja, enquanto o duro Réquiem em D Menor é mais comumente associado com preto ou cinza azulado.
Os pesquisadores da Universidade de Berkeley (EUA) compararam as impressões de pessoas dos Estados Unidos e do México.
De forma generalizada, tanto nos Estados Unidos quanto no México, os voluntários associaram as mesmas peças de música clássica com as mesmas cores.
Paleta emocional de cores
Segundo os pesquisadores, isso sugere que temos uma "paleta emocional de cores", que parece ser intuitiva e que subsiste às barreiras culturais.
"Os resultados foram extremamente fortes e consistentes em todos os indivíduos e culturas, e apontam claramente para o poderoso papel que as emoções desempenham na forma como o cérebro humano associa as músicas com as cores," disse Stephen Palmer, um dos autores do estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
Usando uma paleta de 37 cores, o estudo revelou que as pessoas tendam a associar músicas mais alegres e de ritmo mais rápido com cores mais vivas, como o amarelo, enquanto músicas de ritmo mais lento são mais associadas com cores escuras, mais cinzentas e mais azuladas.
A associação é tão forte que os pesquisadores puderam prever com 95% de precisão as cores que os voluntários atribuiriam a cada nova música apresentada.
Criatividade e sinestesia
Essas informações poderão ter implicações para terapias cognitivas e de desenvolvimento da criatividade, segundo os pesquisadores, além da publicidade e até mesmo dos programas tocadores de música.
Por exemplo, as informações de um equalizador poderiam ser usadas para criar os padrões de cores nas telas dos tocadores, que hoje são gerados aleatoriamente, sem levar em conta as "emoções das músicas".
Outra possibilidade de aplicação é no estudo e tratamento da sinestesia, uma condição neurológica na qual a estimulação de um sentido altera outro.

Alzheimer: estudos culpam acúmulo de ferro ou cobre no cérebro

Duas pesquisas sobre o Mal de Alzheimer, publicadas no mesmo dia, mostram o quanto é difícil o trabalho dos cientistas - e o cuidado com que devem ser lidas as conclusões de muitos estudos.
Duas equipes chegaram a conclusões bastante diferentes sobre a relação entre o acúmulo de metais no cérebro e o surgimento do Alzheimer.
Ferro e Alzheimer
Para George Bartzokis e seus colegas da conceituada Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), a culpa do desenvolvimento do Alzheimer está no acúmulo de ferro no cérebro.
Em um artigo publicado no periódico científico Journal of Alzheimer's Disease, Bartzokis e seus colegas afirmam ter descoberto provas de que o Mal de Alzheimer é acompanhado de um acúmulo de ferro no hipocampo, acúmulo este que causa danos à região.
Embora o ferro seja essencial para a função das células, ferro demais pode promover dano oxidativo, algo a que o cérebro é especialmente vulnerável.
A equipe acredita que a origem do Alzheimer está na destruição da mielina, o tecido gorduroso que recobre e protege os neurônios - a destruição da mielina atrapalha a comunicação entre eles.
A mielina é produzida por células chamadas oligodendrócitos que, juntamente com a própria mielina, têm as maiores concentrações de ferro no cérebro.
Seria, então, essa alta concentração de ferro que causaria um dano oxidativo, levando à destruição da mielina e de suas células produtoras, resultando no desenvolvimento do Alzheimer.
O pesquisador faz recomendações a partir de suas conclusões.
"A acumulação de ferro no cérebro pode ser influenciada pela modificação de fatores ambientais, como a quantidade de carne vermelha e de suplementos dietéticos de ferro que consumimos e, nas mulheres, na realização de histerectomias antes da menopausa," disse Bartzokis.
Cobre e Alzheimer
Rashid Deane e seus colegas da também muito conceituada Universidade de Rochester (EUA) acreditam ter encontrado suas próprias provas de que o Alzheimer é causado pelo acúmulo de cobre no cérebro.
"Está claro que, ao longo do tempo, o efeito cumulativo do cobre é o de prejudicar os sistemas pelos quais a beta-amiloide é removida do cérebro," defende Deane. "Esta deterioração é um dos principais fatores que fazem a proteína se acumular no cérebro e formar as placas que são características da doença de Alzheimer."
Em um artigo publicado na revista científica Pnas, ela e seu grupo mostram que o cobre pode se acumular no cérebro e danificar a barreira sangue-cérebro, um sistema de segurança que controla o que pode entrar e o que pode sair do cérebro.
Seria o dano a essa barreira protetora que causaria a acumulação tóxica da beta-amiloide, que deixaria de ser descartada normalmente do cérebro.
A beta-amiloide é retirada do cérebro por uma proteína chamada LRP1 (lipoproteína relacionada a receptores número 1, em tradução livre). Segundo o estudo, o acúmulo de cobre atrapalha a função da LRP1 também por um processo oxidativo, impedindo a retirada da beta-amiloide, que passa então a se acumular.
Teorias sobre Alzheimer
A teoria mais citada afirma que o Alzheimer é causado por duas proteínas, uma chamada tau e outra beta-amiloide, que interrompem a comunicação entre os neurônios, ou simplesmente os destroem.
Mas é cada vez maior o número de estudos que vêm tentando oferecer explicações alternativas e chamando a atenção para outros fatores no desenvolvimento da doença, ainda sem cura.
Há cerca de três anos, um pesquisador lançou um manifesto à comunidade científica, clamando por uma nova teoria sobre a Doença de Alzheimer.
Parece que o apelo deu certo: ferro e cobre agora entraram no circuito.
Como os cientistas não sabem o que causa a doença, eles também não conseguem entender por que os remédios contra Alzheimer não funcionam.