quinta-feira, 12 de setembro de 2013

PNPIC: Adriana Passos Oliveira, farmacêutica e professora adjunta da Universidade Estadual da Zona Oeste (UEZO), fala sobre a experiência com as PICs em Volta Redonda (RJ).

De que forma a Política Nacional de Práticas Integrativas está sendo posta em prática no país? Para traçar um panorama do que tem sido feito em diferentes municípios, o Ecomedicina propôs algumas questões aos participantes do grupo de discussão gestaopic@googlegroups.com, criado há dois anos para trocar experiências e fortalecer as PICs. Todas as respostas serão publicadas aqui na seção Testemunho.
Confira, agora, as respostas dadas por Adriana Passos Oliveira, farmacêutica e professora adjunta da Universidade Estadual da Zona Oeste (UEZO), que atua como coordenadora de um projeto sobre Práticas Integrativas e Complementares (PICs) no Sistema Único de Saúde (SUS), sobre a experiência com as PICs em Volta Redonda, no Rio de Janeiro.
Fale um pouco sobre a Política Nacional de Práticas Integrativas em sua cidade/estado. Como surgiu a ideia de implementá-la, como está sendo praticada e como foi o processo de desenvolvimento, de como começou até agora?
Atualmente, o Estado do Rio de Janeiro apresenta poucos municípios com ações de PICs implantadas. O município de Volta Redonda se tornou referência no estado ao implantar as PICs como lei municipal, além de outras ações consolidadas.
Considerando que a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) foi publicada em 2006, como avalia a evolução neste período?
A evolução da PNPIC é ainda pequena no Estado do Rio de Janeiro, no âmbito das Plantas Medicinais e Fitoterapia, pois poucos municípios apresentam ações implantadas.
Em sua opinião, quais são os aspectos que concorrem para favorecer e para limitar a implantação de Políticas de Práticas Integrativas nos estados e municípios?
Os principais fatores que favorecem a PNPIC são: a implantação da PNPIC como lei muinicipal nas cidades, nova regulamentação para o setor, implantação de disciplinas da área na grade curricular dos cursos na área de saúde. Em relação às limitações, podemos citar: a falta de profissional qualificado, a falta de apoio político, a escassez de recursos financeiros e outros.
Considerando a sua área de atuação, quais são os aspectos que favorecem e os aspectos que limitam a implementação da PNPIC?
Os principais aspectos que favoreceram a implantação da PNPIC foram: a publicação da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, em 2006; a publicação da primeira edição do Formulário Nacional de Fitoterápicos, que é um tipo de guia para a manipulação de medicamentos fitoterápicos; e a publicação da RDC 18 de 2013 que dispõe sobre as boas práticas de processamento e armazenamento de plantas medicinais, preparação e dispensação de produtos magistrais e oficinais de plantas medicinais e fitoterápicos em farmácias vivas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Quanto às limitações, podem ser citadas a falta de recursos financeiros e a falta de capcitação de profissionais.
Enumere quais foram os avanços que a PNPIC propiciou na sua área de atuação.
A inserção de 12 fitoterápicos na RENAME e o apoio financeiro pelo Ministério da Saúde-MS, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI, Conselho Nacional de pesquisa – CNPq através da chamada para projetos de pesquisa que envolvam a PICS no SUS.
Especificamente na sua prática, o que foi que mudou nestes seis anos?
A regulamentação, em especial do setor de Fitoteráicpos, tem mudado bastante nos últimos anos, na qual, vários marcos regulatórios foram publicados. Embora o serviço público de saúde ainda não acompanhe a evolução da legislação, a tendência é que o setor desenvolva novas iniciativas que visam à promoção da saúde à população.
A PNPIC é anterior ao governo da presidente Dilma. No seu ponto de vista houve alguma alteração nesta transição? Quais as diferenças que observou?
O atual governo proporcionou a publicação de algumas novas legislações, considerando os fitoterápicos e também alguns editais de fomento que englobam as PICs.
Você gostaria de fazer mais algum comentário, observação ou colocação?
A PNPIC é uma proposta inovadora que respeita práticas de saúde não convencionais e traz uma concepção ampliada do processo saúde-doença que, aliada à elaboração da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos com diretrizes e ações para toda a cadeia produtiva, podem fortalecer as ações/serviços com plantas medicinais e fitoterapia. Apesar da inserção dos 12 fitoterápicos na RENAME, falta aos prescritores conhecimentos na área de fitoterápicos, e também a não inclusão dos Fitoterápicos na lista de compras do SUS, torna o medicamento industrializado muito caro para o serviço público. Além disso, a falta de investimentos em pesquisas que priorizem o desenvolvimento e inovação de produtos fitoterápicos, priorizando espécies da flora brasileira, é um dos principais fatores limitantes para a consolidação do programa.

Pesquisa revela: Meditação libera da cólera,

 http://www.taichichuan.com.br/texto39.htm
Os primeiros resultados de um programa de pesquisas de laboratório atualmente em curso na Universidade de Wisconsin, EUA, sob a direção de Richard Davidson, reunindo neuropsicólogos e monges budistas, fazem furor nos meios científicos. Esses resultados revelam que a meditação é muito mais do que uma simples técnica de relaxamento. Mostram que um treinamento regular da mente e do espírito, através de técnicas de meditação, modifica nossa massa cinzenta - e assim, como conseqüência, a maneira através da qual percebemos o mundo dentro e fora de nós.
Esse programa de pesquisas não teria sido possível sem a colaboração interessada de Tenzin Gyatso, o atual Dalai Lama, chefe do budismo da linha tibetana. Ele se entusiasmou, há cinco anos, ao ter conhecimento de recentes descobertas na área da neurociência, em particular a respeito da maneira através da qual as emoções negativas aparecem no cérebro. Alguns pesquisadores o visitaram na ocasião, interessados no fato de que, para muitos budistas praticantes regulares da meditação, estados de alma como o ódio, a raiva, a cólera e a inveja constituem sentimentos praticamente desconhecidos. Bem ao contrário, é certo que a meditação reforçou neles traços positivos de caráter e de comportamento.
Foi Richard Davidson quem teve a idéia de utilizar instrumental moderno para explorar em laboratório o funcionamento cerebral de alguns desses budistas. Desse instrumental faz parte, entre outras aparelhagens, a tomografia por ressonância magnética funcional.
Segundo um dogma neurocientífico fundamental, hoje superado, as conexões neuronais cerebrais seriam estabelecidas durante a infância, e permaneceriam fixas até a morte do indivíduo. Sabe-se hoje que os neurônios se modificam até uma idade bastante avançada, tanto no que diz respeito à sua estrutura quanto ao seu funcionamento. Quando alguém pratica assiduamente um instrumento musical, não apenas as redes neuronais correspondentes se reforçam, mas novas conexões se estabelecem, incrementando a destreza do músico. A esse fenômeno dá-se o nome de "plasticidade cerebral". Mas tal plasticidade, recentemente descoberta, só tinha sido estudada em relação a sinais provenientes do mundo exterior.
Richard Davidson decidiu investigar se atividades puramente mentais também modificariam o cérebro, e qual o efeito que tal modificações produziriam sobre o humor e os sentimentos. Ora, os budistas consideram sua doutrina como uma "ciência do espírito", e a eles próprios como "atletas do mental". Daí sua escolha quase natural, por parte de Davidson e sua equipe, como sujeitos privilegiados para os experimentos.
Desde o início os resultados obtidos em laboratório foram surpreendentes. O primeiro "paciente" investigado, um velho lama de um mosteiro na Índia, podia se gabar de mais de 10 mil horas de meditação praticadas. No laboratório, o seu córtex frontal esquerdo - a parte do córtex situada à esquerda e atrás da fronte - se revelou muito mais ativa do que a dos 150 outros "pacientes - testemunhas" testados, que nunca tinham praticado meditação.
As pesquisas começaram a mostrar uma série de outros dados relevantes. Descobriu-se, por exemplo, que tais áreas cerebrais são mais ativas em pessoas que conduzem um "estilo de sentimentos positivos", ou seja, nos que são mais alegres e cultivam o bom humor. Por outro lado, notou-se que, nas pessoas de natureza mais pessimista, triste e depressiva, predomina o hemisfério cerebral direito. Os otimistas, os que preferem sorrir para a vida, possuem sempre um córtex cerebral esquerdo mais ativo. Um exame do comportamento dos otimistas revelou também que eles são capazes de superar muito mais rapidamente as emoções negativas que inevitavelmente nos assaltam de vez em quando. Tudo se passa como se um córtex esquerdo mais ativo tivesse a capacidade de inibir os sentimentos negativos. Desenvolvendo ainda mais seu programa de pesquisa, Richard Davidson fez um descoberta ainda mais surpreendente: a serenidade pode ser aprendida, exatamente como se aprende um instrumento musical ou uma disciplina esportiva.